Cidades

Justiça de Alagoas intima mulher assassinada para depor em processo que apura a própria morte

Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna morreu em agosto de 2025, após sofrer agressões e intoxicação medicamentosa em uma clínica de reabilitação em Marechal Deodoro; a Justiça reconheceu o erro na intimação

Por Redação 19/10/2026 08h00
Justiça de Alagoas intima mulher assassinada para depor em processo que apura a própria morte
Cláudia Pollyanne estava internada na clínica Luz e Vida há mais de sete meses contra sua vontade - Foto: Divulgação

Uma falha da Justiça de Alagoas levou uma mulher assassinada a ser intimada para prestar depoimento no processo que investiga as circunstâncias de sua própria morte. Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, de 41 anos, morreu em agosto de 2025, enquanto estava internada em uma clínica de reabilitação em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió. O caso foi revelado pelo jornalista Carlos Madeiro, em reportagem publicada no UOL nesse domingo (18).

De acordo com a publicação, a intimação foi expedida em 11 de setembro deste ano, convocando Cláudia para uma audiência marcada para 14 de outubro. Cinco dias depois da emissão do documento, um oficial de Justiça foi ao endereço indicado para entregar a notificação. Sem localizar a mulher, informou que ela não residia no local, sem registrar que a destinatária havia morrido.

O advogado Napoleão Lima Júnior, assistente de acusação no processo e representante de amigos da vítima, classificou o episódio como incomum. Segundo ele, o erro não provocou prejuízos ao andamento da ação penal. A audiência foi adiada depois que o advogado solicitou a remarcação, alegando que não havia sido intimado a tempo.

Em nota, a 2ª Vara Cível e Criminal da Comarca de Marechal Deodoro lamentou o ocorrido e informou que adotaria as providências necessárias para corrigir a falha e apurar as circunstâncias em que ela aconteceu. O objetivo, segundo o órgão, é evitar que situações semelhantes se repitam.

A comissão de amigos que acompanha o caso também manifestou surpresa com a intimação. Em posicionamento enviado ao UOL, o grupo reafirmou o compromisso com a busca por justiça e com o esclarecimento de todas as circunstâncias da morte.


Morte ocorreu em clínica de reabilitação

Cláudia era esteticista e estava internada havia cerca de um ano e três meses quando morreu, em 9 de agosto de 2025. Conforme as informações divulgadas por Carlos Madeiro, a internação foi solicitada por uma tia e ocorreu de forma involuntária, sem autorização judicial e sem respaldo técnico adequado, segundo a investigação.

O responsável pela clínica teria levado Cláudia a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marechal Deodoro e deixado o local. A equipe médica constatou que ela já chegou sem vida, com estimativa de que a morte havia ocorrido cerca de quatro horas antes.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a mulher sofreu agressões físicas e intoxicação por medicamentos. As circunstâncias levantadas pela investigação passaram a integrar o processo criminal que apura a responsabilidade pela morte.

Três pessoas foram denunciadas


O Ministério Público de Alagoas denunciou três pessoas por envolvimento no caso. Entre os crimes atribuídos aos denunciados estão homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado. A acusação sustenta que o homicídio foi cometido com emprego de meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

A denúncia foi recebida pela Justiça em 31 de março de 2026, e o processo está na fase de instrução, etapa em que são reunidas e examinadas as provas e colhidos depoimentos para subsidiar o julgamento.

Os fatos descritos integram a acusação apresentada pelo Ministério Público e ainda serão examinados no curso do processo judicial.