Cidades

Manejo de animais exóticos exige técnica para evitar estresse, lesões e complicações

Zootecnista explica técnicas de contenção, medicação e conforto térmico e chama atenção para a responsabilidade no manejo de espécies que exigem cuidados diferenciados

Por Thayanne Magalhães 06/10/2026 08h59
Manejo de animais exóticos exige técnica para evitar estresse, lesões e complicações
Manejo de animais exóticos exige técnica para evitar estresse, lesões e complicações - Foto: Reprodução

Ter um animal de estimação que foge do perfil convencional exige conhecimento, responsabilidade e, principalmente, compreensão das características de cada espécie. Calopsitas, papagaios, jabutis, coelhos, serpentes e camaleões possuem comportamentos, anatomia e necessidades fisiológicas distintas, o que torna inadequadas muitas das práticas utilizadas normalmente com cães e gatos.

Edjane Batista é zootecnista, mestra em Ciência Animal e especialista em Etologia Animal e Nutrição Animal (Foto: Acervo pessoal)
Edjane Batista é zootecnista, mestra em Ciência Animal e especialista em Etologia Animal e Nutrição Animal (Foto: Acervo pessoal)


É sobre esse universo que a zootecnista, mestra em Ciência Animal e especialista em Etologia Animal e Nutrição Animal Edjane Batista e o médico veterinário Isaac Albuquerque irão falar durante o Primeiro Minicurso de Contenção e Aplicação de Medicamentos em Animais Exóticos e Silvestres, marcado para o dia 16 de outubro, no Centro de Ensino profissionalizante Santa Juliana, no Farol. A proposta é ensinar técnicas de manejo que permitam conter os animais de maneira adequada durante procedimentos, reduzindo o estresse e evitando lesões.

Médico veterinário Isaac Albuquerque (Foto: Redes sociais)
Médico veterinário Isaac Albuquerque (Foto: Redes sociais)


Segundo Edjane, um dos principais objetivos é mostrar que a contenção não pode ser feita de maneira improvisada. Cada espécie responde de uma forma diferente ao contato humano e possui particularidades que precisam ser consideradas antes de qualquer procedimento, especialmente quando o animal está doente e necessita receber medicamentos.

“Cada animal tem uma forma de contenção para o medicamento. É preciso saber como conter, como fazer a aplicação e como realizar esse procedimento sem provocar lesões”, explica a especialista. O conteúdo também abordará sinais clínicos que podem indicar que o animal está doente e os cuidados necessários antes da administração de medicamentos.

Manejo exige conhecimento específico


Na prática, um procedimento aparentemente simples pode representar um risco quando realizado de maneira incorreta. A tentativa de imobilizar um jabuti, por exemplo, exige conhecimento sobre sua anatomia e comportamento. O mesmo ocorre com serpentes e aves, que apresentam características próprias e podem sofrer lesões quando são manipuladas de maneira inadequada.

Além da contenção, o minicurso vai abordar o conforto térmico e a utilização adequada de medicamentos de acordo com as características de cada espécie. A preocupação é evitar que o tratamento provoque ainda mais estresse ao animal ou seja prejudicado por condições inadequadas de manejo.

Para Edjane, conhecer o comportamento dos animais é parte fundamental desse processo. A especialização em Etologia Animal, área dedicada ao estudo do comportamento dos animais, contribui justamente para compreender como diferentes espécies reagem ao ambiente, à manipulação e às situações de estresse.


Uma fauna que exige proteção

A discussão sobre cuidados com animais não se limita aos que vivem sob responsabilidade humana. O Brasil é considerado pelo Ministério do Meio Ambiente o país com a maior biodiversidade do planeta e reúne cerca de 124 mil espécies da fauna conhecidas. Ao mesmo tempo, centenas de espécies estão ameaçadas de extinção, em um cenário relacionado a fatores como destruição e fragmentação de habitats, tráfico de animais, caça, poluição e outras formas de pressão sobre os ecossistemas.

É nesse contexto que Edjane também demonstra preocupação com o futuro da fauna brasileira diante dos debates sobre flexibilização das políticas de proteção ambiental. Para a especialista, a preservação dos animais depende diretamente da manutenção dos ambientes onde eles vivem. A destruição das florestas e de outros habitats compromete não apenas a sobrevivência de espécies, mas também o equilíbrio dos ecossistemas.

A preocupação inclui ainda os territórios ocupados por povos indígenas, cuja preservação está diretamente relacionada à manutenção de grandes áreas de floresta e, consequentemente, dos habitats de inúmeras espécies. Para quem trabalha com animais, a proteção da fauna passa necessariamente pela conservação desses ambientes e pela compreensão de que animais silvestres não podem ser tratados como pets convencionais.

O minicurso do dia 16 pretende justamente aproximar conhecimento técnico e prática, oferecendo informações para quem convive ou trabalha com animais que exigem cuidados diferenciados. Mais do que ensinar a administrar um medicamento, a proposta é mostrar que o manejo responsável começa pelo respeito às características de cada espécie.