Cidades
Manejo de animais exóticos exige técnica para evitar estresse, lesões e complicações
Zootecnista explica técnicas de contenção, medicação e conforto térmico e chama atenção para a responsabilidade no manejo de espécies que exigem cuidados diferenciados
Ter um animal de estimação que foge do perfil convencional exige conhecimento, responsabilidade e, principalmente, compreensão das características de cada espécie. Calopsitas, papagaios, jabutis, coelhos, serpentes e camaleões possuem comportamentos, anatomia e necessidades fisiológicas distintas, o que torna inadequadas muitas das práticas utilizadas normalmente com cães e gatos.

É sobre esse universo que a zootecnista, mestra em Ciência Animal e especialista em Etologia Animal e Nutrição Animal Edjane Batista e o médico veterinário Isaac Albuquerque irão falar durante o Primeiro Minicurso de Contenção e Aplicação de Medicamentos em Animais Exóticos e Silvestres, marcado para o dia 16 de outubro, no Centro de Ensino profissionalizante Santa Juliana, no Farol. A proposta é ensinar técnicas de manejo que permitam conter os animais de maneira adequada durante procedimentos, reduzindo o estresse e evitando lesões.

Segundo Edjane, um dos principais objetivos é mostrar que a contenção não pode ser feita de maneira improvisada. Cada espécie responde de uma forma diferente ao contato humano e possui particularidades que precisam ser consideradas antes de qualquer procedimento, especialmente quando o animal está doente e necessita receber medicamentos.
“Cada animal tem uma forma de contenção para o medicamento. É preciso saber como conter, como fazer a aplicação e como realizar esse procedimento sem provocar lesões”, explica a especialista. O conteúdo também abordará sinais clínicos que podem indicar que o animal está doente e os cuidados necessários antes da administração de medicamentos.
Manejo exige conhecimento específico
Na prática, um procedimento aparentemente simples pode representar um risco quando realizado de maneira incorreta. A tentativa de imobilizar um jabuti, por exemplo, exige conhecimento sobre sua anatomia e comportamento. O mesmo ocorre com serpentes e aves, que apresentam características próprias e podem sofrer lesões quando são manipuladas de maneira inadequada.
Além da contenção, o minicurso vai abordar o conforto térmico e a utilização adequada de medicamentos de acordo com as características de cada espécie. A preocupação é evitar que o tratamento provoque ainda mais estresse ao animal ou seja prejudicado por condições inadequadas de manejo.
Para Edjane, conhecer o comportamento dos animais é parte fundamental desse processo. A especialização em Etologia Animal, área dedicada ao estudo do comportamento dos animais, contribui justamente para compreender como diferentes espécies reagem ao ambiente, à manipulação e às situações de estresse.

Uma fauna que exige proteção
A discussão sobre cuidados com animais não se limita aos que vivem sob responsabilidade humana. O Brasil é considerado pelo Ministério do Meio Ambiente o país com a maior biodiversidade do planeta e reúne cerca de 124 mil espécies da fauna conhecidas. Ao mesmo tempo, centenas de espécies estão ameaçadas de extinção, em um cenário relacionado a fatores como destruição e fragmentação de habitats, tráfico de animais, caça, poluição e outras formas de pressão sobre os ecossistemas.
É nesse contexto que Edjane também demonstra preocupação com o futuro da fauna brasileira diante dos debates sobre flexibilização das políticas de proteção ambiental. Para a especialista, a preservação dos animais depende diretamente da manutenção dos ambientes onde eles vivem. A destruição das florestas e de outros habitats compromete não apenas a sobrevivência de espécies, mas também o equilíbrio dos ecossistemas.
A preocupação inclui ainda os territórios ocupados por povos indígenas, cuja preservação está diretamente relacionada à manutenção de grandes áreas de floresta e, consequentemente, dos habitats de inúmeras espécies. Para quem trabalha com animais, a proteção da fauna passa necessariamente pela conservação desses ambientes e pela compreensão de que animais silvestres não podem ser tratados como pets convencionais.
O minicurso do dia 16 pretende justamente aproximar conhecimento técnico e prática, oferecendo informações para quem convive ou trabalha com animais que exigem cuidados diferenciados. Mais do que ensinar a administrar um medicamento, a proposta é mostrar que o manejo responsável começa pelo respeito às características de cada espécie.
Mais lidas
-
1Cepa
Lactante relata constrangimento ao pedir prioridade para votar em Maceió
-
2Madeira e lona
Transformação chega ao Vergel do Lago e muda a vida de quem vive na região
-
3Servidor da prefeitura
Suspeito de comprar votos para JHC é preso
-
41º turno
Governador de AL pode ser eleito neste domingo; sete disputam duas vagas ao Senado
-
5Defesa
AGU pede que STF declare leis das bets inconstitucionais




