Cidades
Situação de 158 alunos da Uncisal continua indefinida
Estudantes aguardam decisão judicial que poderá sair em outubro sobre sua continuidade nos cursos
Um novo capítulo pode ser escrito, a partir de outubro, na vida acadêmica dos 158 alunos da Universidade Estadual de Ciências da Saúde (Uncisal) que estão em uma verdadeira corda bamba desde que a constitucionalidade da Lei Estadual nº 9.365, de 3 de setembro de 2024, que garantiu seus respectivos ingressos na Universidade foi questionada na Justiça. A legislação instituiu o chamado critério regional para ingresso nas universidades públicas estaduais de Alagoas.
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) se manifestou pela não concessão da cautelar para que, com isso, se consiga preservar as vagas que já estão ocupadas e garantir a possibilidade de uma solução modulada para atender aos interesses dos que, em tese, teriam direito a ingressar na universidade e, também, garantir a realização de vestibular destinado a novas vagas.
Assim respondeu ao Tribunal de Justiça, o chefe do Ministério Público do Estado, procurador-geral de Justiça, Lean Araújo, ao se manifestar nos autos do processo.
Sem entrar em detalhes, o coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública, Othoniel Pinheiro, adiantou que novos desdobramentos poderão acontecer a partir do dia 1° de outubro próximo.
Os universitários continuam esperançosos e frequentando normalmente as aulas na Uncisal, em seus respectivos cursos, embora temam ser prejudicados, por conta dos questionamentos sofridos pela lei de bonificação regional, que garantiu a eles um acréscimo de 10% nas notas finais do processo seletivo de 2025.
Até o momento tanto o governador Paulo Dantas (MDB) quanto à Assembleia Legislativa de Alagoas foram ouvidos, pelo Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pela Defensoria Pública de Alagoas (DP/AL) para evitar que os acadêmicos sejam penalizados com a perda da matrícula e tenham que encerrar o sonho do curso superior com praticamente um ano de estudos.
O governo do Estado, através da procuradoria-geral, afirmou que a Lei Estadual nº 9.365, é inconstitucional, no entanto, defendeu a permanência dos alunos já matriculados.
Enquanto isso, a ALE defendeu a constitucionalidade de Lei e defendeu que, caso o Tribunal de Justiça, julgue a Lei inconstitucional, preserve a matrícula dos estudantes que já estão na Uncisal.
Atentos à movimentação processual, os acadêmicos da Uncisal se mobilizam como podem. O coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Bruno Rapacim, acadêmico de Medicina contou que os estudantes estão com várias frentes de resolução do problema.
Entre as ações, reuniões com Defensoria Pública, com União Nacional dos Estudantes. Eles colocaram também outdoors em alguns pontos estratégicos da capital, com o objetivo de chamar a atenção para a luta pela permanência na Uncisal.
“Estamos com expectativas positivas, visto que acreditamos nos recursos. Seguimos um pouco mais calmos, mas ficaremos tranquilos apenas quando isso tudo acabar”, resumiu.
O coordenador jurídico da Uncisal, Wiliams Pacífico, afirmou que, até a tarde de ontem, a Uncisal não havia recebido nenhuma determinação judicial sobre a bonificação.
“Estamos aguardando para poder promover os procedimentos que a Justiça determinar. Estamos aguardando também o pronunciamento do Tribunal de Justiça sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pela Defensoria Pública sobre a suspensão do que foi determinado no último julgamento e que ainda não fomos intimados”.
Enquanto o processo tramita, os estudantes continuam todos matriculados e em aula. A matrícula é anual e foi feita no início do ano, com exceção de alguns cursos cujas matérias são semestrais, mas ainda assim não precisa de matrícula semestral.
Defensoria Pública de Alagoas
O coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública, Othoniel Pinheiro, explicou que, no último dia 31 de julho, houve uma movimentação da Adin, interposta pelo chefe da Defensoria Pública de Alagoas, Fabrício Leão Souto, em defesa dos estudantes da Uncisal.
Conforme Othoniel Pinheiro explicou, na Adin, o defensor-chefe, pede que a declaração de inconstitucionalidade só passe a valer daqui para frente, nos próximos processos seletivos da Uncisal.
Legislação
A Lei Estadual nº 9.365, de 03 de setembro de 2024, de autoria da deputada estadual Cibele Moura, instituiu o chamado critério regional para ingresso nas universidades públicas estaduais de Alagoas.
A norma prevê um acréscimo de 10% sobre a média das notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pelos candidatos que residam em Alagoas e que sejam naturais do estado ou que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas regulares e presenciais alagoanas.
Para Cibele Moura, o critério é legítimo e o processo foi movido dentro da legalidade. “Os alunos que ingressaram pelo critério têm direito adquirido, líquido e certo”, ao completar que muitos desses alunos moravam no interior e deixaram suas cidades, alugaram casa em Maceió, mudaram a rotina da família, sem contar que já estão indo para o segundo período.
Mais lidas
-
1Perda!
Dennis Haskins, de ‘Uma Galera do Barulho’, morre aos 75 anos
-
2Mau cheiro
Semed abandona escola na parte alta de Maceió
-
3Parte baixa
Jovem de 16 anos morre após acidente envolvendo bicicletas e caminhão em Maceió
-
4Neste sábado
Governador Paulo Dantas entrega trecho da duplicação da AL-101 Norte
-
5Domingo (27)
Renan Filho e JHC devem medir suas forças em caminhada na orla de Maceió





