Cidades

Quando o cansaço, a pressão constante e o contato diário com o sofrimento viram burnout

Entenda sinais que diferenciam desgaste da rotina do esgotamento relacionado ao trabalho em entrevista de Wbiratan Souza

Por Ana Paula Omena - repórter / Tribuna Independente 25/09/2026 09h12 - Atualizado em 25/09/2026 09h48
Quando o cansaço, a pressão constante e o contato diário com o sofrimento viram burnout
Professor doutor Wbiratan Souza durante participação no programa TH Entrevista, da TV Tribuna - Foto: Edilson Omena

O cansaço que não passa, a pressão constante e o contato diário com o sofrimento podem transformar a rotina de trabalho em um problema de saúde. Na área da saúde, esses fatores podem contribuir para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento relacionado ao ambiente profissional.

No TH Entrevista, do site Tribuna Hoje no Youtube, o enfermeiro, professor e doutor em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas Wbiratan de Lima Souza explicou como a condição se manifesta e quais são os impactos para os profissionais.

Para diferenciar a síndrome de um simples cansaço decorrente de uma jornada longa, o especialista enfatizou o fator ambiental e a incapacidade de recuperação. “Uma das grandes diferenças é que no cansaço do dia a dia, quando tenho lazer ou férias, volto com a bateria recarregada. Na Síndrome de Burnout, por mais que você tenha lazer ou férias, você retorna ao seu ambiente de trabalho esgotado, tanto fisicamente como emocionalmente”.

O especialista pontuou que o transtorno se manifesta por meio de uma tríade clássica: exaustão profissional, despersonalização (sensação de desconexão ou aversão ao ambiente) e baixa realização pessoal. Fisicamente, os sintomas variam entre alteração no sono, irritabilidade, fadiga e até reações fisiológicas intensas ao se aproximar do local de trabalho.

Estudos apontam que a enfermagem lidera os índices de adoecimento mental na saúde. Com mais de 3 milhões de inscritos no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) no Brasil — sendo mais de 80% formados por técnicos —, a categoria enfrenta duplas ou triplas jornadas, ambientes críticos e, frequentemente, falta de valorização.

“Trabalhar só eventos que possam bater palmas para a enfermagem, como foi na época da pandemia, não vai resolver o problema. A gente precisa de pautas e políticas públicas que realmente façam a diferença”, cobrou o professor, citando o projeto “Cuidando de Quem Cuida”.

NR-1

Para ele, o debate sobre saúde mental no trabalho ganhou um marco normativo importante com a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que passou a exigir a análise e gestão dos fatores de riscos psicossociais por parte dos empregadores.

Até então, o adoecimento era tratado apenas na esfera individual do trabalhador, sem que as empresas investigassem as causas estruturais do problema. “A mudança da NR-1 foi importante demais porque as instituições de saúde passam a ter um novo olhar para esse trabalhador. Não é só pegar um atestado e declarar falta, mas perguntar: por que esse profissional está faltando tanto? A empresa precisa trabalhar os aspectos emocionais e psicossociais”, observou.

AJUDA

Para quem se identifica com os sinais de esgotamento, o especialista orientou que o primeiro passo é não se isolar e verificar as redes internas de apoio do próprio local de trabalho. “Você precisa inicialmente procurar o seu serviço para visualizar se ele já atende os princípios da NR-1, pois às vezes há uma equipe multiprofissional formada por enfermeiros psiquiátricos, psicólogos e médicos. Quando você expressa seus sentimentos e angústias, alguém vai acender uma luz para te ajudar a evitar que aquilo se torne algo maior”, completou.

A entrevista completa com o Wbiratan de Lima Souza está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no site do Tribuna Hoje e na programação do canal 12 – TV COM da Net/Claro.

Confira no link abaixo:

TH Entrevista- Os sinais que diferenciam o desgaste da rotina do esgotamento relacionado ao trabalho - YouTube