Cidades
Recusa familiar à doação de órgãos é um desafio
No próximo domingo, dia 27, é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Alagoas tem um total de 629 pessoas aguardando na fila de transplantes por algum órgão. Do total 564 aguardam córneas, 45 esperam um rim e 20 precisam receber um fígado. A fila à
No próximo domingo, dia 27, é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Alagoas tem um total de 629 pessoas aguardando na fila de transplantes por algum órgão. Do total 564 aguardam córneas, 45 esperam um rim e 20 precisam receber um fígado. A fila à espera de um coração está zerada.
Os números são da Central de Transplantes de Alagoas, foram fornecidos pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e equivalem até o mês de agosto, dados mais recentes.
Em todo o ano passado foram realizados 171 transplantes em Alagoas, sendo 115 de córneas, 29 de rim, 20 de fígado e sete de coração. De janeiro a julho deste ano, foram realizados 77 transplantes no estado, dos quais 61 de córneas, 8 de rim, seis de fígado e dois de coração.
Em todo o Brasil, mais de 49,5 mil pessoas aguardam transplante de órgãos no Brasil, segundo a lista de espera do Ministério da Saúde.
Uma das pessoas a esperar na fila de Central de Transplantes é o motorista Aldriqui Souza Guedes, 54 anos. Ele foi diagnosticado com câncer de fígado e está na fila do transplante há três anos.
“Tenho sofrido muito. Vivo à base de medicação. Estou no sistema nacional do transplante e preciso muito de um doador. Posso morrer a qualquer momento. Isso é triste demais. Minha família vem sofrendo muito. Hoje estou aqui falando com você, mas amanhã posso não estar”, desabafou com medo, mas nutrindo a esperança de encontrar um doador de fígado.
Aldriqui Souza Guedes fez um apelo a todos que possam ser doadores de órgãos para dar a chance de uma nova vida a quem precisa. “Eu sei que é doloroso perder um ente querido, mas àqueles que doam os órgãos mantém seus familiares vivos. Que Deus abençoe a todos”, finalizou.
A professora aposentada Maria Cileda Freitas de Almeida, 70 anos, espera a córnea há mais de um ano. Aos poucos, ela está perdendo a visão do olho esquerdo. Sem tratamento, a única forma de ajudá-la a devolver a visão é realizando o transplante de córnea. “Doar órgãos é muito importante e pode salvas outras vidas”.
Quem voltou a enxergar a vida graças à doação de córneas foi a corretora de seguros Flavia Soares Correia, 56 anos, cujo transplante foi realizado em fevereiro deste ano.
Para ela, a doação de uma córnea não representou apenas uma cirurgia, representou a oportunidade de retomar a vida. “Por isso, peço que as pessoas conversem com suas famílias e manifestem o desejo de serem doadoras. Um único sim pode devolver a visão, a esperança e transformar completamente a história de alguém, assim como transformou a minha”, apelou, emocionada.
No país, a doação de órgãos de pessoas falecidas depende da autorização da família. Por isso, manifestar esse desejo e compartilhá-lo com as pessoas próximas pode facilitar a decisão quando a possibilidade for apresentada.

Conforme a Central de Transplantes, em Alagoas, o percentual de recusa familiar chegou a 55% em 2025, o que é reflexo de tabus sociais e da falta de conscientização.
A Sesau explicou que existe a questão cultural e muitos tabus sobre a morte, por isso, é de extrema importância que o potencial doador comunique e conscientize seus familiares sobre a sua vontade de doar.
“Quando os parentes já sabem dessa vontade, o número de recusa tende a ser menor, pois eles querem realizar o último desejo do seu ente querido”.
A Sesau ressaltou que, só após o diagnóstico de morte encefálica, prescrito na resolução 2.173, expedida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2017, os médicos procuram a família e pedem a autorização para a doação dos órgãos.
A doação de órgãos acontece quando há confirmação de morte encefálica e a confirmação precisa seguir alguns procedimentos, realizados em três etapas.
Entre as dúvidas mais frequentes dos familiares estão questões relacionadas à segurança do diagnóstico de morte encefálica, à cirurgia de captação e à possibilidade de alterações no corpo do doador. Também surgem questionamentos sobre os custos relacionados à doação e sobre a possibilidade de a família conhecer os receptores dos órgãos e tecidos.
Levar o tema para outros espaços de convivência amplia o conhecimento sobre a doação de órgãos e tecidos e aumenta a possibilidade de transformar a vida de pessoas que aguardam um transplante. Por isso, é importante que os profissionais envolvidos estejam capacitados e tenham embasamento técnico e científico para orientar as famílias de forma segura. A legislação brasileira também estabelece regras para preservar o caráter altruísta da doação e evitar conflitos de interesse entre famílias doadoras e receptoras.

Doação de órgãos
Nos hospitais, a identificação de possíveis doadores faz parte de um processo que envolve acompanhamento clínico, avaliação dos critérios para o diagnóstico de morte encefálica e atuação das equipes responsáveis pela doação. A Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT), antiga Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott), realiza busca ativa 24 horas por dia, todos os dias do ano.
A família é acompanhada desde o momento em que o paciente apresenta critérios clínicos para o início do protocolo de morte encefálica. Nesse período, a equipe mantém diálogo com os familiares em conjunto com os profissionais da terapia intensiva e informa sobre a evolução clínica do paciente.
A abordagem sobre a possibilidade de doação de órgãos e tecidos, no entanto, só ocorre após a confirmação da morte encefálica. Antes disso, a orientação é que os profissionais expliquem a gravidade do quadro e as alterações apresentadas pelo paciente, sem antecipar o diagnóstico.
A confirmação do diagnóstico segue as etapas previstas na legislação brasileira vigente. Entre os procedimentos estão a avaliação dos critérios clínicos, a realização do teste de apneia e de exames complementares. Antes do início do protocolo, também são consideradas as condições clínicas do paciente e o efeito de medicamentos depressores do sistema nervoso central.
Após a autorização da família, os órgãos e tecidos passam por avaliação para verificar as condições de uso. Entre os órgãos que podem ser doados estão rins, coração, pulmões, fígado, pâncreas e intestino. Também podem ser doados tecidos como córneas, pele, ossos e tendões.
As equipes seguem critérios técnicos e legais do Sistema Nacional de Transplantes para realizar a captação, preservar os órgãos e tecidos e encaminhá-los às pessoas que aguardam um transplante.
O HU-UFMA integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
A doação pode acontecer em duas circunstâncias: a primeira é com o doador vivo, quando estiver saudável e em condições para que o procedimento não prejudique sua saúde. A outra é com o doador falecido, quando a morte encefálica é decretada.
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