Cidades

Promotor denuncia risco de infiltração do crime organizado em concurso da Polícia Civil de Alagoas

Carta de Coaracy Fonseca revela preocupação com possível entrada de criminosos na segurança pública de Alagoas

Por Ricardo Rodrigues / Tribuna Independente 27/08/2026 08h46 - Atualizado em 27/08/2026 09h34
Promotor denuncia risco de infiltração do crime organizado em concurso da Polícia Civil de Alagoas
Ministério Público de Alagoas se posiciona sobre carta do promotor de Justiça Coaracy Fonseca - Foto: Edilson Omena

Em carta endereçada à chefia do Ministério Público de Alagoas e publicada na edição de quarta-feira (26) do Diário Oficial Eletrônico, o promotor de Justiça Coaracy Fonseca fez um alerta ao procurador-geral de Justiça, Lean Araújo, sobre possíveis tentativas de fraude no concurso da Polícia Civil.

Segundo Fonseca, o certame estaria na mira das facções criminosas para o ingresso de pessoas ligadas os Primeiro Comando da Capital (PCC), ao Comando Vermelho (CV) e a grupos de pistolagem que atuam no Estado.

No documento, Fonseca demonstra preocupação com a segurança de sua família e com a lisura dos concursos realizados pelo Estado, por meio do Cebraspe. Segundo ele, as informações reunidas até então são “consistentes” e indicariam possíveis tentativas de ingresso na segurança pública de pessoas ligadas à criminalidade.

O promotor ressalta, porém, que a confirmação ou não dessas informações exige uma investigação mais aprofundada e especializada.

O promotor relembra que, no passado, foram identificadas 891 pessoas trabalhando no sistema penitenciário sem concurso público. Entre elas estava Albino Santos de Lima, posteriormente identificado como autor de uma série de homicídios em Maceió.

Conhecido como “serial killer de Maceió”, Albino já foi condenado por oito homicídios. Somadas, as penas já ultrapassam 203 anos de prisão. Ele ainda é réu por outros 11 homicídios e cinco tentativas de assassinato.

Na carta à Procuradoria-Geral de Justiça, Coaracy Fonseca também afirma ter constatado, em pesquisa e investigação próprias, que facções criminosas “possivelmente infiltraram seus agentes” em poderes constituídos e órgãos independentes de Alagoas. O documento não identifica quais instituições ou pessoas estariam nessa situação, mas fez o alerta.

O promotor declarou ainda não possuir condições funcionais para enfrentar isoladamente organizações criminosas ou estruturas de pistolagem.

Além disso, Fonseca afirmou que não considera justificável expor sua segurança e a de sua família “sem aparato institucional adequado”. Com o envio do expediente, o promotor de Justiça transfere à Procuradoria-Geral de Justiça a definição sobre o acompanhamento preventivo do concurso da Polícia Civil. Além de sugerir eventual atuação de órgãos especializados e medidas de proteção das informações e pessoas envolvidas.

Alerta a autoridades

Em nota à imprensa alagoana, divulgada na quarta-feira (26), o Ministério Público de Alagoas (MP/AL) se posicionou sobre a carta do promotor de Justiça Coaracy Fonseca, alertando as autoridades sobre a possibilidade de interferência das facções criminosas no concurso público da Polícia Civil.

Na condição de guardião da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses difusos da coletividade, o MP/AL reafirmou o seu compromisso com a lisura dos certames e prometeu aumentar a fiscalização para coibir fraudes, impedir o ingresso de candidatos sem as qualificações exigidas para os cargos oferecidos em processos seletivos.

Confira a nota na íntegra na matéria abaixo.