Cidades

Josefa Cícera é condenada a 12 anos pelo assassinato do sargento Alessandro Fábio

Policial militar tinha 53 anos quando foi morto em março de 2022

Por Tribuna Hoje com Ascom MP/AL 06/08/2026 19h39 - Atualizado em 06/08/2026 22h30
Josefa Cícera é condenada a 12 anos pelo assassinato do sargento Alessandro Fábio
Josefa Cícera Nunes Flores pega 12 anos de prisão pelo crime - Foto: Ascom MP/AL

Josefa Cícera Nunes Flores foi condenada a 12 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio do companheiro, o sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, de 53 anos, morto em março de 2022. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (6), no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, em Maceió.

Segundo os autos, Alessandro foi atingido por um disparo na região abdominal dentro da residência do casal, no Condomínio Jardim das Violetas, na Cidade Universitária. O militar chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O crime aconteceu no mesmo dia em que ele havia sido promovido na corporação.

Durante o júri, o subtenente Celestino relatou que já havia alertado o colega sobre os riscos do relacionamento, marcado por episódios de ciúmes e agressões. Testemunhas também mencionaram que Josefa teria efetuado disparos contra veículos em outras ocasiões.

Em plenário, Josefa apresentou nova versão, alegando legítima defesa após uma suposta discussão motivada por ciúmes e uma “brincadeira” de roleta-russa. O Ministério Público contestou, sustentando que o disparo foi feito a cerca de dois metros de distância, o que não se enquadraria em legítima defesa. O laudo pericial apontou dois disparos e a tentativa de um terceiro, não concretizado devido ao travamento da arma.

Novos elementos do julgamento

Foram confirmados dois disparos à distância, um deles fatal, e três versões diferentes apresentadas pela ré, todas com contradições. O Ministério Público de Alagoas, representado pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, sustentou com firmeza o homicídio qualificado por motivo fútil, apresentando provas técnicas e indiscutíveis. Como assistentes de acusação atuaram os advogados José Paulo e Beatriz Carvalho. A pena foi atenuada por Josefa ser ré primária e confessa, embora a justificativa não tenha sido aceita pelo conselho de sentença.

Durante o julgamento, familiares do militar se mostraram comovidos. Foram ouvidos como testemunhas de acusação a ex-esposa, uma sobrinha, o filho da vítima e um amigo da corporação. O promotor enfatizou que a defesa tentou sensibilizar os jurados invertendo os papéis, colocando Alessandro como agressor, mas que a prova técnica desmontava essa narrativa. Ele destacou ainda que a versão da roleta-russa não se sustentava, já que o laudo balístico comprovou disparos feitos com pistola, e não com revólver.

Os filhos do sargento, de mães diferentes, também foram ouvidos e relataram a presença constante do pai em suas vidas, reforçando a dor da perda e a espera por justiça. “Todos os dias ele ligava pra gente e mandava mensagens, perguntava se estávamos precisando de alguma coisa. Nunca deixou de nos ajudar. Há quatro anos sofremos esperando por justiça e todos os dias há uma dor diferente”, disseram.

Versões da ré

Josefa apresentou três versões distintas:

  1. Inicialmente, afirmou que houve uma discussão por ciúmes e que o companheiro teria sugerido “brincar” de roleta-russa, recusada por ela, o que teria gerado uma luta corporal e o disparo.
  2. Em outra versão, disse que matou o sargento porque soube que ele executaria uma pessoa a mando de um delegado, com cobertura de um juiz.
  3. Já em plenário, relatou que após uma saída do casal, um cumprimento de um homem teria despertado ciúmes em Alessandro, gerando briga. Segundo ela, após “brincarem” de roleta-russa, houve agressões físicas por cerca de 25 minutos até ocorrer o disparo em suposta legítima defesa.

O Ministério Público reforçou que nenhuma dessas versões se sustentava diante das provas técnicas, que confirmaram disparos à distância e a inexistência de outro armamento na residência.

Sentença

Após a análise das provas e dos depoimentos, o júri condenou Josefa Cícera Nunes Flores a 12 anos de prisão em regime fechado por homicídio qualificado por motivo fútil, decisão que buscou amenizar a dor da família e reafirmar a justiça diante da perda irreparável do sargento Alessandro Fábio da Silva, que havia dedicado 31 anos de serviço à corporação.