Cidades

“Ela vai terminar atirando em você”, alertou colega de farda antes de sargento ser morto

Subtenente Celestino depõe no júri que julga Josefa Cícera Nunes Flores, acusada de matar o companheiro

Por Tribuna Hoje 06/08/2026 13h08
“Ela vai terminar atirando em você”, alertou colega de farda antes de sargento ser morto
Sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, de 53 anos, foi morto em 2022 - Foto: Reprodução

“Ela vai terminar atirando em você”. O alerta foi feito pelo subtenente Celestino ao colega de farda Alessandro Fábio da Silva, morto com um tiro disparado pela companheira, Josefa Cícera Nunes Flores, em março de 2022. O militar é ouvido nesta quinta-feira (6) durante o júri que julga a acusada, no Fórum do Barro Duro, em Maceió.

Segundo Celestino, Alessandro relatava aos colegas episódios de ciúmes da companheira. Em uma ocasião, conforme o depoimento, Josefa teria ido ao batalhão para verificar se havia alguma mulher no alojamento onde o sargento estava.

“Ela disse que tinha entrado para olhar se tinha alguma mulher lá”, afirmou o subtenente. "Ele [Alessandro Fábio] era um cara bem tranquilo e comunicativo, sempre conversava com a gente que ela tinha muito ciúme dele, porque não aceitava que ele ajudasse os filhos, que não eram dela", destacou o militar.

Familiares do policial Alessandro Fábio da Silva acompanham o julgamento da ré I Foto: MPAL


Celestino também contou que a mulher já teria disparado contra o pneu e a lataria de um veículo. Diante dos relatos, ele aconselhava o colega a terminar o relacionamento.

“Eu dizia: Fábio, deixa essa mulher, ela vai terminar atirando em você. E ele dizia que achava que ela não tinha coragem”, relatou.

Josefa Cícera Nunes Flores, acusada de matar o companheiro, Alessandro Fábio da Silva I Foto: Reprodução


Dia da promoção terminou em morte

O subtenente afirmou que o dia do homicídio deveria ser de comemoração para Alessandro, pois havia ocorrido a promoção do militar. O sargento, de 53 anos, acabou morto horas depois, na residência do casal, no Condomínio Jardim das Violetas, na Cidade Universitária, parte alta da capital.

O disparo atingiu a região abdominal. Alessandro foi socorrido e levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas morreu pouco depois.

Celestino contou ainda que soube do homicídio logo após o ocorrido, mas inicialmente não recebeu a informação de que o colega havia morrido.

Ré admite disparo e alega legítima defesa

Josefa Cícera confessou ter efetuado o disparo. Após o crime, afirmou que os dois haviam discutido por ciúmes e que Alessandro a teria convidado para uma “brincadeira” de roleta-russa. Segundo a versão apresentada por ela, após recusar a proposta, os dois entraram em luta corporal.

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) não acolheu a justificativa e denunciou Josefa por homicídio qualificado por motivo fútil. A acusação é sustentada pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas.

Além do subtenente Celestino, já foram ouvidos no júri o filho, a sobrinha e a ex-mulher da vítima. Após o intervalo, outros depoimentos devem ser realizados.

Histórico de conflitos

Testemunhas relataram que o casal tinha discussões relacionadas a ciúmes e que Josefa já teria agredido Alessandro e outras pessoas.

Um dos episódios mencionados no processo envolve 12 disparos contra o pneu de um veículo que, segundo os relatos, tinha uma criança em seu interior.

O julgamento acontece no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no Barro Duro, em Maceió.

ACOMPANHE ABAIXO, DEPOIMENTO DOS TRÊS FILHOS DE FÁBIO: