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AL tem mais de 8 mil casos e 705 mortes por hepatites virais entre 2000 e 2024

Por Assessoria 27/07/2026 14h30
AL tem mais de 8 mil casos e 705 mortes por hepatites virais entre 2000 e 2024
Mais de 826 mil brasileiros já foram diagnosticados com hepatites virais no Brasil neste mesmo período; doença pode evoluir por anos sem sintomas - Foto: Carla Cleto / Ascom Sesau


A hepatite viral é uma doença infecciosa que pode cursar de forma insidiosa durante anos no organismo, sem provocar qualquer sintoma. Enquanto a pessoa leva uma vida aparentemente normal, o vírus pode estar comprometendo silenciosamente o fígado e evoluir para uma cirrose, câncer hepático, e nos casos mais graves, exigir um transplante. Esse é um dos grandes desafios das hepatites virais: o diagnóstico costuma acontecer somente quando a doença já está em estágio avançado.


Os números mostram a dimensão do problema. Entre 2000 e 2024, o Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais, segundo últimos dados do Ministério da Saúde (não há dados de 2025). A hepatite C responde por 342.328 notificações (41,5%) e a hepatite B por 302.351 (36,6%), seguida pela hepatite A, com 174.977 casos (21,2%). As hepatites D e E representam menos de 1% dos registros.

O maior motivo de preocupação está justamente nas hepatites B e C. Diferentemente da Hepatite A, elas podem se tornar crônicas e evoluir silenciosamente durante anos, aumentando o risco de cirrose e câncer do fígado.



Alagoas concentra mais de 8 mil casos – No Estado de Alagoas, foram registrados 8.449 casos de hepatites virais entre 2000 e 2024. No mesmo período, 705 pessoas morreram em decorrência da doença. A hepatite A lidera as notificações no estado, reforçando a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce.

Com o foco de aumentar a identificação dos casos, o Ministério da Saúde intensificou a distribuição de testes rápidos. Até maio de 2026, Alagoas recebeu 110.000 testes para hepatite C.

"O aumento na distribuição de testes rápidos é um passo decisivo para mudar esse cenário. Quanto mais pessoas puderem fazer o exame, maiores serão as chances de descobrir a infecção antes que o fígado apresente danos irreversíveis. É importante que a população saiba que o teste está disponível gratuitamente no SUS. E caso a pessoa sinta qualquer um destes sintomas, como fadiga, febre, indisposição, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura e fezes claras, deve procurar um médico. O diagnóstico precoce ajuda na cura”, alerta a infectologista e consultora para Organização Nacional de Acreditação (ONA), Cláudia Vidal.

Transmissão - As formas de transmissão dependem do tipo de vírus. A principal causa da hepatite A é o consumo de água ou alimentos contaminados, especialmente em locais onde o saneamento básico é precário. Hepatites B e D podem ser transmitidas através do contato com sangue infectado, durante relações sexuais sem proteção e de mãe para filho durante a gravidez ou no parto.

Já a hepatite C é transmitida principalmente através do contato com sangue infectado, como ao compartilhar seringas, agulhas, lâminas de barbear e alicates de unha, bem como ao usar materiais não esterilizados em tatuagens e piercings.

Embora existam diferenças entre as formas de transmissão, a especialista lembra que boa parte dos casos pode ser evitada com medidas simples. "A vacinação, o uso de preservativos, o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e os cuidados com higiene e saneamento são estratégias fundamentais para reduzir novos casos. A informação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção", afirma a Dra. Cláudia.




Desafio global - Apesar dos avanços, o desafio permanece global. Segundo o Global Hepatitis Report 2026, da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em 2024 em decorrência das hepatites B e C, responsáveis por mais de 95% dos óbitos relacionados às hepatites virais no mundo. A entidade alerta que o ritmo atual ainda é insuficiente para eliminar essas doenças como problema de saúde pública até 2030.