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Entenda o que é a "Raizada", bebida investigada após morte em Pariconha

Bebida artesanal é produzida com cachaça e mistura de raízes e ervas; amostras passam por análise do Lacen

Por Thayanne Magalhães 27/07/2026 08h04 - Atualizado em 27/07/2026 08h20
Entenda o que é a 'Raizada', bebida investigada após morte em Pariconha
Raizada é alvo de perícia após morte e seis internações em Pariconha - Foto: Ilustração

A bebida artesanal conhecida como "Raizada" passou a ser o foco das investigações após a morte de um homem e a internação de outras seis pessoas em Pariconha, no Alto Sertão de Alagoas. Comercializada durante a feira livre do município, a bebida teve amostras recolhidas pela Vigilância Sanitária e encaminhadas ao Laboratório Central de Alagoas (Lacen), que irá verificar se há relação entre o produto e os casos registrados.

Tradicional em diversas regiões do Nordeste, a Raizada é uma bebida alcoólica produzida, geralmente, a partir da infusão de cachaça com uma combinação de raízes, cascas, ervas e especiarias. Não existe uma fórmula padronizada, e os ingredientes variam conforme o produtor e os costumes locais.

Entre os componentes mais utilizados estão jatobá, quina, jurubeba, catuaba, sucupira, pau-tenente, gengibre, canela e cravo, além de outras plantas medicinais. A mistura permanece em maceração por semanas ou meses para extrair aromas, sabores e compostos presentes nas plantas.

Em cidades do interior, a bebida costuma ser vendida em garrafas artesanais, muitas vezes sem rotulagem, em feiras livres, mercados públicos e pequenos estabelecimentos.

Benefícios populares não têm comprovação científica


A Raizada é popularmente conhecida como uma bebida "fortificante". Entre os consumidores, há quem atribua ao produto efeitos como aumento da disposição, melhora da circulação sanguínea, auxílio à digestão e propriedades afrodisíacas.

Entretanto, essas alegações não possuem comprovação científica para a maioria das formulações, principalmente porque a composição da bebida varia significativamente entre os fabricantes.

Riscos à saúde


Especialistas alertam que bebidas artesanais produzidas sem controle sanitário podem representar riscos à saúde. Entre os principais problemas estão a contaminação por microrganismos, o uso de plantas potencialmente tóxicas, concentrações inadequadas de álcool e a presença de substâncias nocivas.

Em situações mais graves, bebidas produzidas de forma irregular podem conter metanol, um álcool altamente tóxico que pode provocar intoxicação grave, danos permanentes à visão e até a morte, dependendo da quantidade ingerida.

Caso segue sob investigação


Apesar de a Raizada ser a principal suspeita na investigação em Pariconha, as autoridades reforçam que a relação entre a bebida e a morte de um homem, além da internação de outras seis pessoas, ainda não foi comprovada.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a Vigilância Sanitária recolheu amostras do produto para análise pelo Lacen. Somente os laudos laboratoriais poderão indicar se houve contaminação, adulteração ou qualquer outra irregularidade na composição da bebida que possa ter provocado os casos registrados. Até a divulgação dos resultados, as autoridades orientam que não sejam feitas conclusões sobre a causa das intoxicações.