Cidades
Junqueiro ganha sua primeira Academia de Letras, Cultura, Ciências e Artes
Sessão Solene de Posse será na próxima segunda-feira, 6, faz parte do calendário oficial de comemorações dos 79 anos de Emancipação Política de Junqueiro
No dia 30 de maio deste ano, o município de Junqueiro (AL) testemunhou um marco em sua trajetória histórica: a fundação da Academia Junqueirense de Letras, Cultura, Ciências e Artes (ACADEJUNCO). A cerimônia, realizada em assembleia geral com a presença de 22 sócios fundadores, deu início à primeira instituição do gênero no município, dedicada a cultivar, preservar e difundir a produção intelectual, artística e científica da região.
Com sede provisória na Rua Frei Pascásio, nº 500 A, no Centro, a ACADEJUNCO nasce como uma sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos e com duração indeterminada. Seu estatuto, aprovado em 15 de junho, prevê um quadro de 30 cadeiras, cada uma delas associada a um patrono ou patronesse — personalidades que contribuíram diretamente para a construção da memória, da identidade e do desenvolvimento junqueirense.
A origem do nome "Junqueiro", segundo os registros históricos do município, está ligada à fartura do junco às margens da Lagoa do Retiro, planta que deu origem ao povoado e era utilizada pelos primeiros moradores na confecção de utensílios domésticos, esteiras e colchões. Embora a tradição oral preserve nomes como Pai Félix, Isabel Ferreira e sua família, a cidade ainda não contava com uma instituição oficial para salvaguardar essa bagagem.
"A ACADEJUNCO nasce para preencher uma lacuna histórica. Junqueiro tem uma riqueza cultural imensa, mas que sempre foi transmitida de forma oral e fragmentada. Agora, teremos um espaço institucional para reunir, preservar e divulgar essa herança", afirma Paulo de Jesus, presidente da Academia.
Paulo de Jesus é Professor Titular e Emérito da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), escritor e pesquisador da história local. Entre suas obras, destaca-se Junqueiro Rural e outros estudos (2019, em parceria com o Prof. João Bosco de Jesus) e Um Bairro Chamado Retiro em Junqueiro (com José Deodato da Silva Filho e Vinícius Queiroz), lançado na XI Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Em dezembro de 2025, o pesquisador recebeu a Comenda Lêdo Ivo na Assembleia Legislativa de Alagoas, por iniciativa do deputado junqueirense André Silva, em reconhecimento ao seu trabalho em prol da educação e da cidadania.
Estrutura, pluralidade e compromisso social
Muito além de um espaço voltado exclusivamente à literatura erudita, a ACADEJUNCO assume o compromisso de dialogar ativamente com a comunidade. Entre suas metas anuais estão:
Criação e manutenção da Revista da ACADEJUNCO e de uma Coletânea anual de textos;
Organização de um centro bibliográfico e desenvolvimento de projetos integrados;
Promoção de seminários, cursos e semanas literárias;
Manutenção de um portal digital focado em estimular novas gerações a pesquisar sobre a "terra dos juncos".
A estrutura interna conta com uma diretoria eleita a cada três anos (composta por Presidente, Vice-Presidente, Secretários, Tesoureiros e Curadores de Conteúdo Digital) e um Conselho Fiscal presido por Cícero Adriano Vieira dos Santos, professor da UFAL (Campus Arapiraca) e especialista em Desenvolvimento Territorial Sustentável.
"Não se trata apenas de literatura tradicional. Estamos falando de cultura popular, de ciência aplicada ao nosso território e da defesa das paisagens naturais e culturais de Junqueiro. Queremos que a população se reconheça na Academia", destaca Cícero Adriano.
A consolidação da nova casa cultural contou com o apoio e a mentoria da Federação Alagoana de Academias, por meio de seu presidente, Moezio de Vasconcellos Costa Santos. Em reuniões preparatórias, o veterano compartilhou as diretrizes e os ritos de posse tradicionais das academias brasileiras.
Advogado, professor de Direito da UFAL com 47 anos de dedicação à universidade e licenciado em Filosofia, Moezio enxerga o movimento como um marco de emancipação cultural:
"A criação de uma academia em Junqueiro é um ato de resistência. Cada cidade que funda sua academia está dizendo: 'nós temos história, nós temos memória, nós temos o que contar'. Isso é fundamental para a descentralização da cultura em Alagoas. Junqueiro tem voz própria, e essa voz agora tem uma tribuna."
Próximos passos: Posse solene no aniversário da cidade
O primeiro grande ato oficial já tem data marcada. No dia 6 de julho de 2026, às 15h, o Teatro São José sediará a Sessão Solene de Posse e Instalação da Primeira Diretoria e dos Sócios Fundadores. A cerimônia faz parte do calendário oficial de comemorações dos 79 anos de Emancipação Política de Junqueiro.
O evento seguirá o rito acadêmico tradicional, com o juramento dos imortais, entrega de diplomas, insígnias e discursos. A solenidade contará com a presença de autoridades e terá a apresentação musical da Banda do Maestro Berneval Jr., seguida de um coquetel de confraternização.
"A ACADEJUNCO é um sonho coletivo. Não pertence a uma pessoa ou a um grupo; pertence a Junqueiro", conclui Cilene Ferreira dos Santos, Secretária da Academia, professora, pesquisadora e doutoranda em Educação.
Serviço do Evento
Evento: Sessão Solene de Posse e Instalação da ACADEJUNCO
Data: 6 de julho de 2026 (segunda-feira)
Horário: 15:00h
Local: Teatro São José – Centro, Junqueiro/AL
Contato: [email protected] | 📱 (82) 99121-3163
Por Samuel da Silva Brito. É Mestre pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e professor da Educação Básica das Redes Municipais de Junqueiro e Arapiraca há 26 anos.
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