Cidades

Alagoas segue em nível de alerta para as síndromes respiratórias

Nova edição do Boletim InfoGripe foi divulgada nesta quinta-feira (2)

Por Tribuna Hoje com Fiocruz 02/07/2026 14h10
Alagoas segue em nível de alerta para as síndromes respiratórias
Capital alagoana apresenta estabilização na tendência de longo prazo para SRAG, mas dados da Fiocruz mantêm o município em nível de alerta e risco - Foto: Carla Cleto e Catarina Magalhães/Arquivo


O avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) dá sinais de trégua em Maceió, mas o cenário ainda exige cautela da população e das autoridades de saúde. De acordo com a nova edição do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada nesta quinta-feira (2), a capital alagoana entrou em um patamar de estabilização ou oscilação na tendência de longo prazo (últimas seis semanas). No entanto, o município — assim como o estado de Alagoas como um todo — permanece com a incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco.

Maceió faz parte de um grupo de 11 capitais brasileiras que, apesar de registrarem volumes preocupantes de internações por complicações respiratórias nas últimas duas semanas, não apresentam sinal de crescimento acelerado na linha de tempo mais ampla. O dado reflete o comportamento da maioria das unidades da Federação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que começam a desenhar uma curva de estabilidade após semanas de pressão no sistema de saúde.

A análise, que corresponde à Semana Epidemiológica 25 (período de 16 a 27 de junho), acende um sinal amarelo para o estado: com exceção de apenas quatro estados do país (Piauí, Rondônia, Pernambuco e Tocantins), Alagoas e quase todo o território nacional continuam operando na zona de risco para as síndromes respiratórias.

A atualização aponta também que seis estados continuam com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo, localizados especialmente no Sudeste (ES, MG, RJ) e Sul (RS e SC), além de Roraima. A alta no número de casos de SRAG na maioria dos estados está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório (VSR) e, em algumas regiões, também às influenzas A e B. As ocorrências de casos de SRAG por VSR se mantêm em crescimento em alguns estados da região Centro-Sul (MG, MS, PR, RS, SC e SP), além do Amapá. No entanto, já mostram sinal de interrupção de aumento ou queda no restante do país.

As hospitalizações por influenza A seguem se elevando em Roraima. Já os casos graves por influenza B continuam elevadas em diversos estados do Centro-Sul (DF, GO, MG, RJ e SC), mas já mostram interrupção do crescimento ou início de queda no Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Os casos de SRAG por Covid-19 se mantêm com sinal de crescimento em estados como Amazonas e Ceará. Porém, o cenário aponta que o número semanal de registros ainda permanece baixo. O estudo revela ainda, no quatro nacional, sinal de manutenção do crescimento dos casos de SRAG nos idosos, interrupção do crescimento nas crianças menores de dois anos, e diminuição dos casos de SRAG nas faixas etárias de 2 a 49 anos de idade.

Após reforçar que a análise sinaliza interrupção do crescimento ou de queda dos casos de SRAG em boa parte das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, os pesquisadores ressaltam que ainda não é hora de relaxar as medidas de proteção, já que os casos de SRAG continuam em níveis elevados em grande parte do país. Além disso, os casos de SRAG seguem aumentando em seis estados, localizados principalmente nas regiões Sudeste e Sul, além de Roraima.

Os vírus que têm causado esse elevado número de casos de SRAG na maior parte dos estados são principalmente o VSR, que hospitaliza sobretudo crianças pequenas e é uma das principais causas de bronquiolite nessa faixa etária, e em alguns estados, especialmente da região Centro-Sul, também os vírus da influenza A e da influenza B. No Ceará, o aumento das hospitalizações por Covid-19 ocorre no interior do estado, mais especificamente na região do Sertão Central.

Mesmo com o número de casos ainda baixo nessas regiões, é importante que a população elegível verifique se está em dia com a vacinação contra a Covid-19. Vale lembrar que pessoas idosas e imunocomprometidas devem receber doses de reforço da vacina a cada seis meses. A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos causados pelos principais vírus respiratórios associados à SRAG, como influenza, Covid-19 e VSR. Além da vacinação, é importante que a população mantenha algumas medidas de proteção, como o uso de máscaras em unidades de saúde, locais fechados e com maior aglomeração de pessoas. Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é permanecer em casa e evitar contato com outras pessoas. Se isso não for possível, a recomendação é sair de casa utilizando uma boa máscara.