Cidades

Ex-cabo da PM é condenado a 21 anos por assassinato de sargento em Alagoas

Júri popular no Fórum do Barro Duro, em Maceió, encerra caso emblemático quase três décadas após o crime

Por Tribuna Hoje com Assessoria 12/06/2026 18h10
Ex-cabo da PM é condenado a 21 anos por assassinato de sargento em Alagoas
Cinara, advogada assistente da acusação, e sua mãe, Nair - Foto: Ascom MP/AL

O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas, Gilmar Galvão da Silva, foi condenado a 21 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato do sargento Osmário Dias Lima Júnior, ocorrido em dezembro de 1999. O julgamento, realizado nesta sexta-feira (12) no Fórum do Barro Duro, em Maceió, encerrou um processo que se arrastava há quase três décadas e que expôs a atuação de grupos criminosos ligados à corporação na época.

Presidido pelo juiz Geraldo Cavalcante Amorim, da 9ª Vara Criminal da Capital, o júri popular foi marcado por fortes emoções. O magistrado chegou a citar versos de Nelson Gonçalves ao anunciar a sentença, enquanto familiares da vítima choraram durante os depoimentos.

A promotora Adilza de Freitas destacou o peso da decisão: “eu e vossas excelências, os jurados, carregamos hoje o peso de representar a sociedade que espera uma resposta. Se estamos aqui é porque há um culpado”.

O assistente de acusação, Thiago Cavalcante, relembrou o reconhecimento feito pela viúva Nair, que apontou o réu como responsável pelo crime. Ele também ressaltou os traumas vividos pela filha da vítima, Cinara, que é advogada e acompanhou o julgamento como assistente da acusação e fez um depoimento emocionado: “confesso que não sei por onde começar. O réu tem uma filha da minha idade e gostaria de saber o que é ter um pai. O que o meu pai fez, até hoje não sei. Eu vi o réu passar mal e eu lembrei quantas vezes eu passei mal. E quantas vezes eu rezei, até meus 22 anos, pedindo meu pai de volta. Eu tinha dois policiais 24 horas comigo pra me proteger e eu pedia para eles brincarem comigo, porque eu não tinha meu pai”.

Segundo os autos, o sargento Osmário foi sequestrado em 17 de dezembro de 1999, no Conjunto José Tenório, em Maceió. Seu corpo foi encontrado quatro dias depois, no município de Pilar.

Com a condenação, Gilmar Galvão cumprirá pena em presídio comum de segurança máxima, separado dos demais detentos por ter sido policial militar expulso da corporação.