Cidades

Proximidade dos festejos juninos traz preocupação sobre riscos e cuidados com fogos de artifício

Coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados do HGE destaca medidas simples de prevenção para evitar acidentes

Por Valdete Calheiros - repórter / Tribuna Independente 02/06/2026 08h28 - Atualizado em 02/06/2026 10h27
Proximidade dos festejos juninos traz preocupação sobre riscos e cuidados com fogos de artifício
Os cuidados com os fogos de artifício nesse período junino e de Copa do Mundo devem ser reforçados - Foto: Adailson Calheiros

A proximidade dos festejos juninos traz uma preocupação extra aos profissionais de saúde que lidam com a rotina de quem sofre queimaduras e passa a ser vítimas dos fogos de artifício.

O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, registrou, durante todo o ano passado, 254 internamentos.

Especificamente no mês de junho de 2025, foram 21 ocorrências. Em 2024, foram 256 internamentos relacionados a queimaduras, dos quais 17 apenas no mês de junho. O CTQ do HGE é referência no atendimento a pacientes queimados no estado.

A cirurgiã plástica e coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, médica Anna Lima, foi taxativa ao explicar que com a chegada dos festejos juninos, infelizmente, observa um aumento importante no número de acidentes com fogos de artifício, principalmente queimaduras graves nas mãos, face e olhos.

Segundo ela, muitos desses acidentes poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção. “É importante alertar a população que fogos de artifício não são inofensivos. A principal orientação é: prevenção sempre será o melhor tratamento!”

A médica cirurgiã plástica Anna Lima afirmou que algumas medidas são fundamentais. Como exemplo, ela citou que nunca uma criança deve ter a permissão para manipular fogos de artifício.

“Utilizar apenas produtos legalizados e certificados. Não acender fogos próximo ao rosto ou segurá-los nas mãos. Manter distância segura após o acendimento. Nunca tentar reacender um fogo que falhou. Evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante o manuseio”, foram alguns dos cuidados citados pela profissional.

Anna Lima também falou sobrea a importância de utilizar fogos de artifício apenas em locais abertos, longe de fiações elétricas, veículos e aglomerações.
“Os acidentes mais graves geralmente acontecem por explosões nas mãos, queimaduras extensas e lesões oculares, podendo causar sequelas permanentes, perda funcional e até amputações”.

Mas e quando, mesmo diante de medidas de precaução, acontecer uma queimadura? O que fazer? De acordo com a médica Anna Lima, caso aconteça uma queimadura, interromper, imediatamente, o contato com a fonte de calor. Resfriar a área com água corrente em temperatura ambiente ou fria por cerca de 20 minutos. Retirar anéis, pulseiras, relógios e roupas apertadas antes do aparecimento do inchaço. Cobrir a lesão com pano limpo ou gaze e procurar atendimento médico rapidamente nos casos de queimaduras extensas, profundas, elétricas, em crianças e idosos, ou quando acometem face, mãos, pés, genitais e olhos.

“O primeiro atendimento faz diferença direta no prognóstico e na recuperação do paciente”, frisou a médica. Anna Lima fez ainda outro alerta: o de nunca utilizar receitas caseiras para tentar tratar queimaduras.

Segundo a cirurgiã plástica, não se deve colocar sobre a queimadura produtos como pasta de dente, pó de café, manteiga, óleo, clara de ovo e nem mesmo pomadas sem orientação médica.

“Essas substâncias podem agravar a lesão, aumentar o risco de infecção, dificultar a avaliação da profundidade da queimadura e atrasar o tratamento adequado. Também orientamos que não se deve aplicar gelo diretamente sobre a pele nem romper bolhas, porque elas funcionam como uma barreira de proteção natural contra infecções”, explicou.

A cirurgiã plástica ensinou que as queimaduras são lesões potencialmente graves e precisam ser tratadas com seriedade. Nos casos mais complexos, o atendimento em centros especializados reduz complicações, sequelas e mortalidade.

“Nosso objetivo durante esse período é reforçar que tradição e segurança precisam caminhar juntas, para que as festas juninas sejam motivo de celebração e não de tragédia”, pontuou a médica Anna Lima.