Cidades
As dores silenciosas da maternidade
Projeto de jornalista e mãe busca abrir espaço de acolhimento para mulheres que viveram a gravidez e o puerpério em silêncio
A maternidade que aparece nas redes sociais nem sempre corresponde à realidade vivida por muitas mulheres durante a gravidez e o puerpério. Exaustão, culpa, solidão e medo ainda são sentimentos frequentemente silenciados, mesmo diante de uma fase marcada por intensas transformações físicas e emocionais. Foi a partir dessa percepção que nasceu o projeto editorial “Ninguém me avisou que seria assim: o lado da maternidade que não me contaram”.
Durante entrevista ao TH Entrevista, a jornalista, empresária e mãe Andreza Araújo Mallmann explicou que a proposta do livro é reunir relatos reais de mulheres que enfrentaram a maternidade sem apoio emocional, escuta ou acolhimento. O projeto é desenvolvido em parceria com a engenheira civil, professora e mãe Lílian Bracarense.
Segundo Andreza, a iniciativa surgiu da necessidade de discutir experiências que costumam ficar invisíveis. “O projeto nasce da necessidade de falar sobre a maternidade que não aparece nas redes sociais. Queremos ouvir mulheres que se sentiram sozinhas, exaustas, culpadas ou invisíveis, e oferecer um espaço onde elas possam se abrir sem medo de julgamento”, afirmou.
A jornalista destacou que muitas mulheres atravessam a gravidez e o puerpério tentando sustentar uma ideia de felicidade constante, mesmo diante do desgaste físico e emocional provocado pela nova rotina. Segundo ela, sentimentos como medo, insegurança e saudade da própria identidade ainda são tratados como tabu.
“O livro não pretende trazer respostas prontas nem apontar culpados. A ideia é criar um espaço de escuta, onde a vulnerabilidade possa existir sem culpa”, explicou.
A proposta do projeto é construir cada capítulo a partir da voz de mulheres reais, valorizando experiências pessoais e diferentes formas de vivenciar a maternidade. Atualmente, as idealizadoras estão buscando participantes dispostas a compartilhar suas histórias de maneira respeitosa e segura.
Durante a entrevista, Lílian Bracarense ressaltou que muitas mães enfrentam esse período acreditando que precisam suportar tudo sozinhas. Para ela, abrir espaço para essas narrativas também representa uma forma de cuidado coletivo.
“Muitas mulheres passam por isso se sentindo insuficientes, sem perceber que outras também vivem as mesmas dores. Quando essas histórias são compartilhadas, existe identificação e acolhimento”, afirmou.
As idealizadoras defendem que o debate sobre saúde emocional materna precisa ganhar mais espaço fora do ambiente privado e das relações familiares. A expectativa é que o projeto contribua para ampliar a escuta sobre temas ainda pouco discutidos, como sobrecarga emocional, culpa materna e sofrimento psíquico no pós-parto.
Mulheres interessadas em participar do projeto podem se inscrever por meio de formulário disponibilizado pelas organizadoras, onde também estão disponíveis as orientações e o regulamento da iniciativa.
A entrevista completa está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no site do Tribuna Hoje e na programação do canal 12 – TV COM da Net/Claro, com exibição às 10h, 16h e 20h.
Confira no link abaixo:
TH Entrevista - Projeto editorial reúne relatos sobre dores silenciosas da maternidade
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