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Após infarto, homem espera quase 1 ano por perícia do INSS

Por Tribuna Hoje 25/05/2026 11h40 - Atualizado em 25/05/2026 11h41
Após infarto, homem espera quase 1 ano por perícia do INSS
Cícero Maciel aguarda há quase um ano pela realização de perícia médica do INSS após sucessivas remarcações - Foto: Arquivo Pessoal

“Ele chora de dor e não pode trabalhar”, este é o desabafo é de Antonia Lima da Silva, mãe de Cícero Maciel Lima da Silva, de 42 anos, que há quase um ano tenta garantir a renovação do benefício por incapacidade junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Maceió.

Segundo a família, desde o fim do benefício temporário, concedido por apenas dois meses em 2025, o trabalhador enfrenta uma sequência de adiamentos, remarcações e falta de médicos para a realização da perícia necessária à continuidade do auxílio.

Cícero enfrenta graves problemas de saúde após sofrer um infarto. Conforme relata a mãe, ele passou por uma cirurgia de revascularização cardíaca, desenvolveu trombos, perdeu musculatura da perna e da bacia e hoje convive com dores constantes, restrições físicas severas e uso contínuo de medicamentos.

“Ele trabalhou a vida toda e agora não consegue nem ficar sentado por muito tempo. Vive em cima de uma cama, sentindo dor o tempo inteiro”, afirmou dona Antonia.

O benefício, de R$ 1.518, foi concedido inicialmente entre julho e agosto de 2025. Desde então, a família afirma ter enfrentado pelo menos quatro remarcações da perícia médica.

De acordo com Antonia, após uma primeira remarcação em setembro do ano passado, novas datas foram transferidas para dezembro, depois para julho deste ano e, mais recentemente, para o dia 21 de maio de 2026, após uma liminar judicial obtida pela família.

Mesmo com a decisão da Justiça, a expectativa acabou frustrada.

“Quando chegamos lá, disseram novamente que não tinha médico. Informaram que a médica tinha adoecido e queriam remarcar mais uma vez”, contou.

Após insistência da família junto à gerência da unidade, Cícero teria sido incluído em uma teleperícia. Ainda assim, segundo a mãe, o paciente permaneceu por quase quatro horas aguardando atendimento.

“Ele ficou quase quatro horas aguardando, se acabando de dor. Pessoas que chegaram depois passaram na frente dele”, relatou.

Após o atendimento virtual, a família afirma ter acessado o aplicativo Meu INSS e descoberto uma nova data de perícia, agora marcada para 6 de junho.

Medicamentos, contas e um bebê em casa


Sem condições de trabalhar, Cícero depende da ajuda financeira da mãe e de familiares para manter despesas básicas e custear medicamentos. Segundo Antonia, os gastos mensais com remédios se aproximam de R$ 2 mil.

“O retroativo pode até vir depois, mas como uma pessoa doente consegue sobreviver esse tempo todo sem receber?”, questionou.

Além do impacto financeiro, a família relata desgaste emocional. Cícero mora com a companheira e tem dois filhos, entre eles um bebê de 1 ano e 7 meses.

“Ele chora de madrugada por causa da dor. Não pode trabalhar e nem se emocionar por causa do problema cardíaco. Pela situação dele, isso já deveria ter sido resolvido”, desabafou a mãe.

Antonia afirma ainda que encontrou outros segurados enfrentando dificuldades semelhantes e cobra respostas.

“As pessoas pagam a vida inteira ao INSS e quando mais precisam ficam sem resposta. Não é só com ele. Tem muita gente esperando há meses”, declarou.

A reportagem procurou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para esclarecimentos sobre a demora na realização da perícia médica, os sucessivos adiamentos relatados pela família e o caso específico.

Em nota, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou que o segurado Cícero Maciel Lima da Silva passou por avaliação de perícia médica, procedimento que, segundo o órgão, foi realizado e finalizado no dia 21 de maio.

O instituto esclareceu que não há necessidade de comparecimento à perícia anteriormente agendada para o dia 6 de junho, orientando que o agendamento seja desconsiderado, já que o atendimento pericial teria sido concluído.

No entanto, o INSS não respondeu aos questionamentos sobre a demora relatada pela família, que afirma aguardar desde setembro do ano passado pela realização da perícia, após sucessivos agendamentos e reagendamentos do procedimento.