Cidades
MPF/AL promove evento sobre proteção de crianças e adolescentes
Iniciativa inédita reuniu membros, servidores e familiares do MPF para debater prevenção ao abuso sexual, segurança digital e fortalecimento da rede de proteção
O Ministério Público Federal em Alagoas (MPF/AL) realizou, na tarde desta quarta-feira (20), uma roda de conversa em alusão ao Maio Laranja — campanha nacional de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. O evento ocorreu no auditório da instituição e teve como diferencial a participação não apenas de membros, servidores e colaboradores, mas também de filhos e filhas dos participantes, a partir de 10 anos de idade, promovendo um espaço intergeracional de diálogo, orientação e conscientização.
A iniciativa foi promovida pela Seção de Segurança Orgânica e Transporte (Sesot), dentro do projeto “Protegendo Mulheres, Defendendo Sociedade”, com apoio da Chefia da PR/AL e da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC). A proposta foi criar um ambiente acolhedor e participativo para discutir prevenção ao abuso e à exploração sexual, segurança digital e fortalecimento da rede de proteção às crianças e adolescentes.
Recebidos pela procuradora-chefe da PR/AL, Roberta Bomfim, especialistas de diferentes áreas participaram contribuindo com orientações sobre prevenção, acolhimento e proteção de crianças e adolescentes.
Entre os convidados estiveram a delegada Talita Aquino, titular da Delegacia de Combate aos Crimes contra Crianças e Adolescentes da Capital; a psicóloga Jesana Mendes e o advogado Lucas Guilherme, representantes da Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (Secdef); a advogada Isabelly Gomes, da Rede de Atenção às Violências (RAV); além do servidor André Kassio, da Sepad e da CTIC da PR/AL, responsável pela abordagem sobre segurança digital, redes sociais, jogos online e mecanismos de proteção na internet.
Durante as apresentações, também foram destacados dados alarmantes sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes em Alagoas. Informações apresentadas pela RAV apontam que, ao longo do ano de 2025 a rede contabilizou 986 atendimentos, e que apenas entre janeiro e abril de 2026, foram registrados 258 casos de violência sexual no estado. Os dados revelam ainda que adolescentes entre 12 e 14 anos estão entre as principais vítimas e que, na maior parte dos casos, o agressor é alguém conhecido da criança ou do adolescente.
As exposições também alertaram para novas formas de violência em ambientes digitais, como aliciamento online (grooming), cyberbullying, sextorsão e violência psicológica digital. Entre as orientações compartilhadas com pais, responsáveis e adolescentes estiveram a importância do diálogo aberto sobre o uso da internet, o acompanhamento das atividades online de crianças e adolescentes e a atenção a mudanças de comportamento que possam indicar situações de violência ou sofrimento emocional.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de reconhecer sinais de possível violência, como resistência em explicar situações vividas, comportamento excessivamente ansioso, queda no desempenho escolar, tentativas de esconder o corpo e comportamentos inadequados para a idade.
As palestras também reforçaram a importância do acolhimento humanizado às vítimas, com escuta protegida, respeito ao tempo da criança ou adolescente e prevenção da revitimização institucional.
Além da programação educativa, a PR/AL realizou a entrega das doações arrecadadas durante campanha solidária destinada à Rede de Atenção às Violências (RAV) e continua em campanha para destinar itens para a Casa da Mulher Alagoana. A mobilização contou com ampla adesão de membros, servidores, estagiários e colaboradores da instituição, em apoio às vítimas atendidas pela rede estadual.
A estudante Alice Ribeiro, de 14 anos, destacou a importância da iniciativa e da participação de crianças e adolescentes no debate. “Gostei muito da palestra. Todos os palestrantes acrescentaram alguma coisa importante, especialmente sobre segurança digital. Foi muito legal participar”, afirmou. Alice também agradeceu à mãe, Janile Ribeiro, pelo convite para o evento, reforçando o impacto positivo da experiência para o público mais jovem.
A RAV é uma rede intersetorial criada para atuar na prevenção, identificação, assistência e monitoramento de casos de violência envolvendo populações vulneráveis em Alagoas, incluindo crianças e adolescentes.
Os participantes também receberam informações sobre canais de denúncia e atendimento, como o Disque 100 e os serviços especializados da rede estadual de proteção.
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