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Maio Amarelo acende alerta: transporte rodoviário é o setor mais letal do trabalho no Brasil

Por Assessoria 13/05/2026 10h59
Maio Amarelo acende alerta: transporte rodoviário é o setor mais letal do trabalho no Brasil
Acidente de trânsito - Foto: SSP/AL

O Maio Amarelo, tradicionalmente voltado à conscientização sobre acidentes nas vias, também acende um alerta importante para o universo do trabalho. Dados recentes mostram que caminhoneiros lideram o ranking de mortes em acidentes de trabalho no Brasil, evidenciando a urgência de ampliar o debate sobre segurança além dos limites das empresas.

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de acidentes e mortes no trabalho. Foram 806.011 acidentes e 3.644 óbitos no ano, segundo estudo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Entre 2016 e 2025, foram mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos temporários e cerca de 249 milhões de dias debitados em todo o país. Nesse período, Alagoas computou mais de 40 mil acidentes e 228 mortes no estado.

O setor de saúde, especialmente o atendimento hospitalar, é o que mais registra acidentes, um reflexo da alta concentração de trabalhadores e da sobrecarga das equipes, sobretudo no período pós-pandemia. Já o transporte rodoviário de carga aparece como o segmento mais letal do Brasil. Entre 2016 e 2025, o setor acumulou 2.601 mortes, com taxas de letalidade muito superiores à média nacional.

Quando o recorte é feito por ocupação, o quadro se torna ainda mais grave: enquanto os técnicos de enfermagem são os trabalhadores que mais sofrem acidentes, os motoristas de caminhão lideram as mortes, com 4.249 óbitos em 10 anos, o que representa mais de uma morte por dia, em média.

Os números reforçam a necessidade de fortalecer a cultura de prevenção no país. Apesar da recuperação econômica e da formalização do emprego, o cenário indica que o crescimento sem investimento em segurança cobra um preço elevado com milhares de vidas interrompidas e milhões de trabalhadores afastados todos os anos.