Cidades

Moradores dos Flexais denunciam obra da Braskem

Por Ricardo Rodrigues - repórter / Tribuna Independente 29/04/2026 08h01 - Atualizado em 29/04/2026 10h04
Moradores dos Flexais denunciam obra da Braskem
Obra da Braskem tem causado transtornos aos moradores dos Flexais, por conta da interdição de ruas e prejudicando o acesso dos veículos - Foto: Divulgação

A Braskem, por meio da empresa terceirizada Passareli - está sendo acusada pelos moradores dos Flexais de fechar o trânsito na região e impedir a mobilidade da comunidade. Um vídeo que circula nas redes sociais, desde a manhã de ontem (28) mostra o vendedor ambulante Valdemir Alves, morador do Flexal de Cima e integrante do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem, tentando chegar em sua casa, de carro por aplicativo, mas sendo impedido pelas máquinas da construtora Passareli. Segundo Alves, as obras de requalificação dos Flexais estão causando muitos transtornos aos moradores da região, atrapalhando a mobilidade urbana e deixando a comunidade estressada. “Fecharam as duas vias, não deixaram a gente passar com as mercadorias. Por pouco não chegamos às vias de fatos com os operários da Passareli, quando um deles mandou bater na cara dele, com agressividade”, relatou Alves.

Ele fez um apelo ao juiz federal André Granja, que está à frente da causa no Tribunal de Justiça Federal, e ao defensor público estadual Ricardo Melro, autor da ação que cobra a realocação dos Flexais, para que tomem as providências com relação à situação precária do convívio social na região de Bebedouro.

“Fui comprar a mercadoria para a minha atividade como vendedor de Churros, mas não pude passar para a minha casa, de carro, por que as duas ruas estavam interditadas pelas obras da Braskem. Isso é um absurdo. Quando a gente se revolta e reage com Brutalidade, eles reclamam”, afirmou Alves. “Eu disse ao operário, que mandou eu bater na cara dele, a gente não quer bater na cara de ninguém, a gente quer solução. Há mais de quatro anos que a nossa comunidade sofre com essas obras da Braskem”, acrescentou o vendedor ambulante.

Com o título, “Empresa Passareli contratada pela Braskem impede que moradores tenham acesso às suas moradias”, o vídeo feito por Valdemir circula nas mídias sociais, com ele protestando contra a interdição das vias por conta das obras da Braskem. “Eles fizeram essas obras aqui mais já umas dez vezes e não conseguiram consertar os erros que cometeram. A Braskem entrega às obras a essa empresa (Passareli) e ela não respeita ninguém, inferniza a nossa vida e fica por isso mesmo, ninguém faz nada. Por isso eu estou denunciando esse descaso”, relatou o morador, direto da Rua Faustino Silveira, no Flexal de Cima.
No vídeo, produzido por Alves, “na mira da verdade”, aparece também um motoboy reclamando da obstrução da via, com vários carros parados e sem ter como passar.

REAÇÃO

Para o defensor Ricardo Melro, “a comunidade dos Flexais é a mais castigada de todas, porque o isolamento social que eles enfrentam é muito cruel e se agrava com o afundamento do solo, decorrente da mineração”. O defensor disse ainda que infelizmente as demais autoridades não querem levar em conta que essa movimentação do solo pode agravar a situação do bairro.

“Os pesquisadores independentes demostraram que sim, o solo está se movimentando, e o comitê técnico do município teve que concordar. Então veja, a situação dos moradores dos Flexais é muito delicada. Soma-se a isso essas obras que os moradores reclamam. Eu imagino o nível de estresse que a comunidade está passando, pessoas já se mataram, outras pessoas saíram de lá com a mão na frente e outra atrás, sem direito a nada. Isso é muito sério, é muito grave”, enfatizou o defensor.

“Eu até agora não entendo por que não deram a solução que os antropólogos ouvidos na ação recomendaram, que é uma solução híbrida, fica quem quer; quem não quer tem que ser realocado. A população precisa ter esse direito de escolha”, destacou Melro. Para ele, quem quiser ficar que usufrua das obras de requalificação, mas quem quer tem que ser realocado, com indenização justa e danos morais”, concluiu.

OUTRO LADO

A reportagem da Tribuna Independente tentou ouvir a Braskem, mas a empresa não quis se manifestar. Segundo a assessoria da mineradora em Maceió quem deveria se posicionar era a Passareli.

NOTA

Procurada, a Passarelli enviou um nota em que explica que a obra trata-se de um reparo pontual, mas que já foi resolvido. O posicionamento não consta na matéria publicada no jornal Tribuna Independente desta quinta-feira (29), onde foi primeiro noticiada, porque foi enviado após o fechamento da edição.

Veja a nota na íntegra:

"A intervenção realizada nesta terça-feira, 28, integrou um reparo pontual, conduzido para solucionar uma intercorrência local. A ocorrência foi totalmente resolvida em aproximadamente 30 minutos.

A via já se encontra liberada para circulação normal. Lamentamos eventuais transtornos causados e agradecemos a compreensão."