Cidades
Caso Quitéria: Julgamento é marcado por tensão, acusações e depoimentos emocionados
Testemunhas relatam dinâmica familiar, defesa e acusação entram em confronto e advogado é acusado de constranger declarante
O julgamento do caso envolvendo a morte de Quitéria foi iniciado nesta quarta-feira (9) e já nas primeiras horas foi marcado por momentos de forte emoção, troca de acusações e tensão entre acusação e defesa.
A primeira testemunha a ser ouvida foi Talmata, irmã da vítima e da ré. Durante o depoimento, ela confirmou o parentesco e demonstrou resistência ao ser questionada sobre um dos envolvidos. Ao falar sobre Quitéria, destacou a relação próxima que mantinha com a irmã. “Minha irmã era tudo de bom. Morei com ela uns 50 anos. Ela criou os três filhos, pagava o plano de saúde. Não era tia, era mãe”, afirmou.
Ao ser questionada se a ré teria motivos para cometer o crime, respondeu: “Não. Ela só fazia o bem. Como uma pessoa dessas criaria motivo para ser morta?”.
Outro momento de destaque ocorreu quando a testemunha Sandra foi interrogada pela defesa. Em meio às perguntas, ela reagiu às insinuações feitas pelo advogado: “O senhor está me chamando de mentirosa? Está afirmando que estou mentindo?”. Emocionada, ela chorou durante o depoimento e rebateu uma tentativa de consolo: “Desculpe, doutor, mas os sentimentos são bem diferentes do nosso. O senhor não tem como saber o que sentimos”.
Sandra também relatou os momentos que antecederam o crime. Segundo ela, estava em casa quando foi informada sobre uma movimentação suspeita na residência da vítima. Pouco tempo depois, recebeu a notícia de que Quitéria havia sido assassinada. “Relutei, mas fui até lá. Quando cheguei, vi um monte de viaturas”, contou.
A testemunha ainda confirmou que a vítima sustentava os filhos da ré. Já Talmata declarou ter estado na casa pouco antes do crime e afirmou: “Por pouco me livrei. Acredito que eu também ia ser morta”.
Durante os depoimentos, o clima no plenário ficou tenso. O advogado de defesa, Welton Roberto, foi acusado de constranger uma testemunha ao elevar o tom de voz e chamá-la de mentirosa. A acusação pediu que a conduta fosse registrada em ata como abuso.
Na fase de debates, o promotor Vilas Boas apresentou sua linha de argumentação, reforçando a tese de que a ré seria a mandante do crime. Ele citou contradições no depoimento e afirmou: “Os senhores viram que as irmãs afirmaram ser ela a mandante. E a defesa fica aqui pedindo provas”.
O promotor também questionou a versão apresentada pela ré sobre os acontecimentos no dia do crime, além de acusá-la de falsificar documentos da vítima. Em tom crítico, declarou: “Os senhores viram alguma lágrima? Foi um choro simulado, um choro de crocodilo”.
Já a defesa, ao iniciar sua fala, adotou outra estratégia e buscou afastar a responsabilidade da acusada. “Luciana Pinheiro, minha cliente, há 14 anos trava uma luta cruel. Em momento algum desconfiei da sua culpa. Sabemos que o filho é o responsável, e que ela só soube do crime depois”, afirmou o advogado.
O julgamento segue com a previsão de oitiva de outras testemunhas e continuidade dos debates entre acusação e defesa.
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