Cidades

Afogamento de autistas acende alerta

Após mortes registradas em Maceió, pediatra Simone Luna explica fatores de risco, comportamento de fuga e orienta pais sobre cuidados

Por Ana Paula Omena 27/03/2026 07h26 - Atualizado em 27/03/2026 08h38
Afogamento de autistas acende alerta
Simone diz que casos recentes de afogamento envolvendo crianças autistas em Maceió levantam debate sobre vigilância - Foto: Edilson Omena

Duas mortes de crianças com transtorno do espectro autista por afogamento, registradas em curto intervalo em Maceió, reacenderam o debate sobre segurança e vigilância. Perícias confirmaram que as vítimas morreram após contato com a água. Estudos internacionais indicam que crianças dentro do espectro apresentam maior vulnerabilidade em situações desse tipo, e que quase metade dos pais relata episódios de fuga ou desaparecimento temporário.

Para discutir o cenário e apontar formas de prevenção, o TH Entrevista desta semana ouviu a pediatra Simone Luna. Segundo a médica, o risco varia conforme o perfil da criança, mas há características do autismo que exigem atenção constante. Ela destacou diferenças entre crianças verbais e não verbais. No caso das não verbais, a dificuldade de comunicação pode impedir que expressem perigo ou peçam ajuda. Já entre as que falam, isso não garante percepção de risco.

“Uma criança verbal pode não compreender que está em uma situação de perigo. Por isso, a vigilância precisa ser permanente”, afirmou.

Outro ponto ressaltado é o comportamento de fuga ou escapada, relatado por muitas famílias, quando a criança se afasta do ambiente ou dos responsáveis sem aviso, muitas vezes atraída por algo de interesse ou curiosidade. “Esse tipo de situação aumenta o risco de acidentes, especialmente em ambientes com água, ruas movimentadas ou locais com grande circulação de pessoas”, explicou.

De acordo com Simone Luna, a prevenção começa dentro de casa, com a observação do ambiente e a redução de riscos. Acidentes domésticos podem ocorrer em diferentes situações, desde quedas até objetos pesados.

Entre as estratégias, a médica orienta o uso de identificação em locais públicos, como pulseiras com nome e telefone dos responsáveis, que podem facilitar o reencontro em caso de perda momentânea. Algumas famílias também utilizam dispositivos de localização com chip. O acompanhamento constante é considerado essencial, sobretudo em ambientes com grande circulação de pessoas, como shoppings, eventos e parques.

A especialista também recomenda aulas de natação e educação aquática, inclusive para crianças com autismo. Segundo ela, além de favorecer a adaptação à água, a prática contribui para autonomia e segurança, embora não substitua a supervisão.

Outro ponto destacado é a importância do acompanhamento desde cedo. Simone Luna observa que serviços especializados têm recebido pacientes cada vez mais novos e reforça que o acompanhamento médico e terapêutico contribui para o desenvolvimento. Diferentes abordagens podem ser utilizadas no tratamento, incluindo terapias e acompanhamento clínico.

“Quem tem uma criança precisa observar o ambiente, identificar riscos e manter atenção constante. A prevenção é o caminho para evitar acidentes”, concluiu.

A entrevista completa está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no site do Tribuna Hoje e na programação do canal 12 – TV COM da Net/Claro, com exibição às 10h, 16h e 20h.