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Com incentivo do Governo de Alagoas, longa-metragem Edifício Lygia entra em pós-produção

Filme gravado em Maceió reúne grande elenco feminino e integra nova fase do audiovisual alagoano, com investimentos ampliados para o setor

Por Secult com assessoria 26/03/2026 15h15
Com incentivo do Governo de Alagoas, longa-metragem Edifício Lygia entra em pós-produção
Produção é inspirada na obra de Lygia Fagundes Telles - Foto: Divulgação

Com incentivo do Governo de Alagoas, o longa-metragem Edifício Lygia, dirigido e escrito por Nilton Resende (A Barca) e produzido pela La Ursa Cinematográfica, entrou na fase de pós-produção após encerrar as filmagens em fevereiro. As gravações aconteceram em Maceió, com destaque para o bairro litorâneo de Riacho Doce.

Inspirado nos contos "A Medalha", “Antes do Baile Verde” e “Emanuel” de Lygia Fagundes Telles, imortal da Academia Brasileira de Letras e uma das maiores vozes da literatura brasileira do século XX, o filme entrelaça as histórias de três mulheres (respectivamente, Adriana, Tatisa e Alice) que enfrentam conflitos internos e sociais, movidas por um instinto de sobrevivência e profunda transformação.

O elenco é formado majoritariamente por mulheres e reúne nomes consagrados, como a paraibana Marcélia Cartaxo (A Hora da Estrela), que interpreta Dona Lygia, e a alagoana Aline Marta Maia (A Natureza das Coisas Invisíveis, O Agente Secreto).

O elenco principal conta ainda com Ane Oliva (O Agente Secreto), Mariah Medeiros (Marina), Ticiane Simões (Entrecorpos), Wanderlândia Melo (A Barca), Diva Gonçalves (Deyse Ex Machina), Otávio Cabral, Ivana Iza (Serial Kelly) e Igor de Araújo (O Agente Secreto).

"O elenco deste filme é majoritariamente composto por mulheres, e suas personagens buscam algum modo de subversão. Convidei para o elenco as ‘minhas mulheres’, como costumo chamar as atrizes que trabalharam nos curtas metragens de ficção que dirigi (A Barca e A Fresta); convidei também atrizes que eu ainda não havia dirigido, mas cujas carreiras eu acompanho há tempos e com as quais eu sempre quis trabalhar. Posso dizer que estou com ‘o elenco dos meus sonhos’”, diz o diretor.





Nilton Resende, que também é escritor e professor universitário, há anos desenvolve uma profunda pesquisa em torno da obra de Lygia Fagundes Telles, que agora culmina no longa-metragem. A realização do filme também é uma homenagem à autora, que o inspira há décadas.

O filme

A produção foi contemplada no V Prêmio de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas – Prêmio Cacá Diegues, iniciativa do Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), em parceria com o Programa Arranjos Regionais, do Ministério da Cultura, via Agência Nacional do Cinema (Ancine), com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e operacionalização do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Ambientado em uma sexta-feira de carnaval, o longa se passa no Edifício Lygia, um pequeno prédio residencial onde o desgaste da estrutura acompanha o esgotamento das relações entre os moradores. Em um único dia, diferentes histórias se cruzam e revelam conflitos íntimos, fragilidades e desejos de mudança, compondo um retrato coletivo sobre convivência e transformação.

A narrativa acompanha Dona Lygia, responsável pelo prédio, além de Adriana, Alice e Tatisa, cujas vivências refletem dilemas pessoais que atravessam o cotidiano do edifício. Essas trajetórias se entrelaçam com as de outros moradores, como Raquel e sua filha Ducha, ampliando o olhar sobre as relações que se constroem e se desgastam dentro desse espaço comum.

A equipe técnica reúne direção de fotografia de Julia Zakia, direção de arte de Nina Magalhães, som direto de Leo Bulhões, preparação de elenco de Flávio Rabelo, assistência de direção de Gabriela Borborema de Filippo e produção de Rafhael Barbosa, Vanessa Barbosa e Ale Moretti.





O cinema de Alagoas em expansão


Edifício Lygia integra um momento expressivo do audiovisual alagoano. Atualmente, o estado soma 19 longas-metragens, três séries, nove telefilmes e mais de 100 curtas em produção, além de participações e premiações em importantes festivais nacionais e internacionais.

Nesse cenário, a Secult garantiu um investimento de R$ 30 milhões para o audiovisual em 2026, por meio do programa Arranjos Regionais. A proposta assegura um modelo de financiamento em que, a cada R$ 1 investido pelo Governo de Alagoas, o Governo Federal aporta R$ 5, ampliando o alcance das ações no setor.

Com R$ 5 milhões assegurados pelo Estado, o volume total de recursos abre novas possibilidades para produtores, realizadores, técnicos e toda a cadeia criativa. Alagoas está entre os sete estados brasileiros que mais investiram no audiovisual e se consolida como um ambiente fértil para a produção independente.

“Esse resultado é fruto de uma política pública que vem sendo construída com seriedade e planejamento. Esse recurso também é fruto da sensibilidade do governador Paulo Dantas, que tem acreditado na cultura como vetor de desenvolvimento e, de imediato, autorizou a contrapartida do Estado no valor máximo”, afirma a secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas.

Para o produtor Rafhael Barbosa, o momento é de reconhecimento e crescimento contínuo.


“Apenas no último ano tivemos projetos alagoanos no Festival de Cannes, no Festival de Tiradentes, no Festival de Gramado, no Olhar de Cinema, no Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro, no Cine PE, no Cine Ceará, no Curta Cinema, no Kinoforum, no Brasil CineMundi, entre muitos outros. Nossa produção tem marcado presença e garantido prêmios nas principais janelas do mercado nacional e internacional. Isso é reflexo dos editais e políticas de fomento que mudaram a realidade do nosso setor nos últimos anos. Atualmente, Alagoas possui 19 longas-metragens, 3 séries, 9 telefilmes e mais de 100 curtas-metragens em produção”, celebra.