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Vídeos: lideranças indígenas pedem retorno imediato de coordenador exonerado e intensificam protestos em AL

Exoneração sem justificativa oficial gera bloqueios em rodovias e mobilização contra decisão na saúde indígena

Por Lucas França com Tribuna Hoje 25/03/2026 14h13 - Atualizado em 25/03/2026 14h43
Vídeos: lideranças indígenas pedem retorno imediato de coordenador exonerado e intensificam protestos em AL
Decisão tem provocado manifestações, bloqueios de avenidas e um clima crescente de tensão entre as comunidades e o poder público. - Foto: Reprodução

Lideranças indígenas de Alagoas e Sergipe das aldeias Aldeia Karapotó Plaki-ô e Kariri-Xocó cobram o retorno imediato do coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) AL/SE, Tanawy Tenório, conhecido como Mano, após sua exoneração sem justificativa oficial. A decisão tem provocado manifestações, bloqueios de avenidas e um clima crescente de tensão entre as comunidades e o poder público.

O afastamento do gestor, publicado no último dia 16 de março, ocorreu sem comunicação prévia às lideranças indígenas, o que gerou forte reação nos territórios. Desde então, protestos vêm sendo registrados, incluindo a interdição de vias importantes, como a Avenida Durval de Góes Monteiro, em Maceió, onde indígenas ocuparam trechos da pista em ato pacífico e nesta quarta-feira (25), eles bloquearam um trecho da BR-101, em São Sebastião.

Tanawy Tenório afirmou ter sido surpreendido pela decisão e disse não ter recebido explicações formais sobre a exoneração. “A exoneração aconteceu sem justificativa, eu fui pego de surpresa. Por isso nem sei o que falar, mas as manifestações acontecem justamente porque estávamos fazendo um trabalho que vinha agradando”, declarou.

Ainda segundo ele, a falta de diálogo agravou a situação. “Como servidor, eu tenho que aceitar, mas isso aconteceu sem ter sido dialogado e sem saber o motivo concreto para isso”, completou.

O ex-coordenador também destacou que a decisão coincidiu com sua filiação partidária, levantando questionamentos entre as lideranças sobre os critérios adotados. Ele permanece na aldeia, em recuperação de um procedimento cirúrgico, acompanhando à distância a mobilização das comunidades. “A exoneração coincidiu justamente no dia que me filiei ao Partido dos Trabalhadores (PT)’’.

De acordo com representantes indígenas, a decisão teria sido comunicada como irreversível pelo secretário especial de Saúde Indígena, Weybe Tapeba, com respaldo do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda. O posicionamento, segundo as lideranças, demonstra falta de abertura para diálogo institucional e descumprimento de pactuações anteriores.



Para os povos indígenas, a saída de Tanawy representa uma ruptura em um trabalho considerado próximo das comunidades. “Era uma gestão de diálogo, que respeitava os territórios e entendia nossas necessidades. Essa mudança sem consulta enfraquece a confiança no sistema”, relataram lideranças durante o protesto.

A situação levanta preocupações sobre a continuidade das políticas públicas voltadas à saúde indígena na região.

Além das manifestações urbanas, há registro de bloqueios em rodovias federais estratégicas e a possibilidade de paralisações em obras públicas, ampliando o impacto do movimento. Os protestos incluem atos culturais, como danças tradicionais, e têm sido caracterizados pelos participantes como pacíficos.

Durante os atos, os manifestantes reforçaram o pedido para que o governo federal reveja a decisão. O apelo é direcionado ao Ministério da Saúde e à Presidência da República, com o objetivo de reabrir o diálogo e reconsiderar a exoneração.



“As lideranças querem ser ouvidas. Não se trata apenas de um cargo, mas dá continuidade de um trabalho que vinha dando resultados. A ausência de diálogo compromete toda a estrutura da saúde indígena”, falou um manifestante.

O caso também reacende o debate sobre a participação das comunidades indígenas na gestão de políticas públicas, especialmente no que diz respeito ao controle social e à construção coletiva das decisões.

Sem sinalização de recuo por parte das autoridades, as lideranças afirmam que os protestos devem continuar até que haja uma resposta concreta do governo federal.