Cidades

Torcedores da Mancha Azul são condenados a mais de 33 anos de prisão

Julgamento aconteceu no Fórum do Barro Duro, em Maceió, pela 9ª Vara Criminal da Capital, sob condução do juiz Geraldo Amorim

Por Tribuna Hoje com Ascom MP/AL 20/03/2026 02h55 - Atualizado em 20/03/2026 18h28
Torcedores da Mancha Azul são condenados a mais de 33 anos de prisão
Symei Araújo durante seu depoimento; até hoje, ele tem sequelas das agressões - Foto: Ascom MP/AL

Após mais de 19 horas de julgamento, o Tribunal do Júri da 9ª Vara Criminal da Capital condenou, na madrugada desta sexta-feira (20), os integrantes da torcida organizada Mancha Azul, Jozedaque Jecteel Português da Silva (Tchê) e Thiago Alves Lyra Santos (Bocão), a 33 anos e cinco meses de prisão cada um. O processo foi presidido pelo juiz Geraldo Amorim, no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, em Maceió.

Os dois já estavam recolhidos no presídio do Agreste e foram responsabilizados pela tentativa de homicídio contra os torcedores rivais Symei Araújo e Michael Douglas, do CRB, em ataque ocorrido no dia 2 de agosto de 2023, no bairro Ponta da Terra.

Durante o julgamento, os réus apresentaram versões conflitantes sobre a posse dos veículos usados no crime e sua participação na torcida organizada. Thiago chegou a afirmar que o carro pertencia a Jozedaque e que havia porretes dentro, mas depois disse não saber de quem era o veículo. Já Jozedaque declarou não possuir carro, apenas moto, apesar de trabalhar como motorista de aplicativo sem habilitação.

A promotora de Justiça Adilza de Freitas desmontou os argumentos da defesa ao exibir depoimentos anteriores, vídeos dos acusados com porretes nas mãos e imagens chocantes das vítimas. Ela destacou que os agressores não apenas tentaram matar Symei, mas também buscaram humilhá-lo: “Eles não quiseram somente matar o Symei, quiseram desmoralizar e ferir sua dignidade. Eles desnudaram o Symei, filmaram, furtaram seus pertences e compartilharam como troféu nos grupos da torcida organizada”, afirmou.

O julgamento ocorreu sob forte tensão, com integrantes das torcidas rivais trocando olhares provocativos. O juiz chegou a determinar a retirada de todos do salão e proibiu o uso de camisas das organizadas durante a sessão.

Symei Araújo, que ficou quatro meses em coma após o ataque, ainda enfrenta sequelas graves: dificuldade para falar, dependência da mãe para tarefas básicas e necessidade de fisioterapia e fonoaudiologia. “Eu achava que não ia conseguir voltar a andar e falar”, disse em juízo.

A promotora avaliou a decisão como um marco de justiça: “Mostramos ao conselho de sentença todos os detalhes, e ele entendeu a responsabilidade de não fechar os olhos para barbáries. Em defesa da vida, a justiça foi feita”.

O caso

Na noite de 2 de agosto de 2023, Symei, Michael Douglas e dois amigos estavam em frente de casa quando dois veículos estacionaram. Integrantes da Mancha Azul desceram armados com porretes revestidos de pregos e tacos de beisebol, iniciando uma série de agressões brutais. Dois conseguiram fugir, mas Symei e Michael foram alcançados.

Symei sofreu traumatismo cranioencefálico, ficou em coma por quatro meses e, após a alta hospitalar, passou mais dois meses sem andar ou falar, usando fraldas descartáveis. Hoje, ainda luta para recuperar parte da autonomia perdida.