Cidades
Vídeo: promotora sustenta que madrasta agiu por vingança ao arremessar enteado do 4º andar
Ministério Público aponta tentativa de homicídio qualificado; ré nega ter jogado a criança durante julgamento em Maceió
A promotora de Justiça Dilza Inácio de Freitas afirmou, nesta quarta-feira (25), que a madrasta acusada de arremessar o enteado de seis anos do quarto andar de um apartamento no bairro Benedito Bentes, em Maceió, agiu por vingança contra o pai da criança após uma briga motivada por ciúmes. O julgamento ocorre no Fórum do Barro Duro.
Representando o Ministério Público de Alagoas (MPAL), a promotora classificou o caso como tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
“É uma tentativa de homicídio qualificado. A madrasta tentou matar o enteado. A motivação torpe, cruel, foi como uma vingança contra o pai e atingiu a criança. Ela arremessou do quarto andar a criança de apenas 6 anos, que se encontrava dormindo, desacordada”, declarou em plenário.
Ré muda versão durante interrogatório
A acusada, Adriana Ferreira da Silva, foi ouvida durante a manhã. Ao ser questionada pelo juiz sobre os fatos, pediu que a denúncia fosse lida, alegando que não sabe ler. Em seu depoimento, apresentou versões contraditórias.
Embora tenha confessado anteriormente ter arremessado a criança, afirmando que não teve intenção de matar, em juízo negou ter jogado o menino pela janela. Disse que estava com ele nos braços e que a criança teria se debatido e se inclinado para trás.
A promotora confrontou a ré com o depoimento prestado à polícia, no qual ela admitia ter lançado o enteado, ainda que alegasse não ter desejado a morte. Em resposta, a acusada afirmou que não se recordava de ter feito tal declaração.
A defesa também levantou a hipótese de que o consumo excessivo de álcool teria influenciado os acontecimentos. Segundo relato apresentado em plenário, o casal teria ingerido grande quantidade de bebida ao longo do dia.
Dinâmica do crime
De acordo com a acusação, o crime ocorreu por volta da 1h da madrugada, quando o menino estava dormindo e, portanto, em situação de total vulnerabilidade. A promotoria sustenta que, após discussão e agressões entre o casal, a ré teria ameaçado o companheiro e, em seguida, praticado o ato contra a criança.
Conforme os autos, momentos antes da queda, o pai do menino, José Marcos Nascimento dos Santos, teria ouvido a frase: “Ele vai morrer agora”. O adolescente, filho da acusada, ainda teria tentado impedir a ação.
A criança foi socorrida inicialmente para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE). O laudo pericial apontou perigo de vida, com registro de traumatismo craniano leve e pneumotórax — lesão que pode evoluir para insuficiência respiratória.
“Essa criança ficou bem próxima de morrer. Só não houve a consumação por circunstâncias alheias à vontade da agressora, graças ao socorro imediato e à intervenção médica”, afirmou a promotora.
O Ministério Público pediu a condenação por tentativa de homicídio qualificado pelo motivo torpe e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, destacando que o menino tinha seis anos e estava dormindo no momento da ação. Também foi requerida a aplicação de causa de aumento de pena pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos.
O caso ocorreu na madrugada de 23 de maio de 2022 e provocou forte comoção em Alagoas. A decisão do júri deve ser anunciada após os debates entre acusação e defesa.
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