Cidades
Maternidade solo e desafios que as mulheres enfrentam
Advogada Emilly Vieira analisa abandono afetivo, pensão alimentícia e conflitos familiares
A maternidade solo, frequentemente retratada como símbolo de força e superação, esconde uma realidade marcada por sobrecarga, conflitos jurídicos e lacunas na responsabilização paterna. Para a advogada Emilly Vieira, entrevistada da semana do TH Entrevista, essa romantização contribui para invisibilizar desigualdades estruturais que recaem, majoritariamente, sobre as mulheres e afetam diretamente o desenvolvimento das crianças.
Com uma atuação combativa e incisiva no Direito de Família, Emilly chama atenção para os riscos desse discurso. “Quando a maternidade solo é romantizada, o abandono paterno deixa de ser tratado como um problema jurídico e social. A mãe vira a ‘heroína’ e o pai ausente some da discussão”, afirma.
Um dos pontos centrais abordados pela advogada é o abandono afetivo, tema que ainda enfrenta resistência no Judiciário. Embora existam decisões reconhecendo o dano moral, Emilly destaca que a responsabilização não é simples. “A lei não pune o desamor, mas reconhece a omissão quando ela gera prejuízos emocionais comprovados. O grande obstáculo é provar esse impacto e romper a ideia de que presença paterna é facultativa”, explica.
A pensão alimentícia também aparece como um dos temas mais distorcidos nas disputas familiares. Segundo a advogada, ainda é comum que o valor seja tratado como suficiente para cobrir todas as necessidades da criança, desconsiderando a carga cotidiana assumida pela mãe. “A pensão raramente reflete o custo real da criação de um filho. Ela não leva em conta o trabalho invisível, o tempo dedicado, a renúncia profissional e emocional que, na maioria das vezes, recai só sobre a mulher”, pontua.
Nos conflitos mais acirrados, Emilly alerta para a banalização do uso das crianças como instrumento de vingança entre os pais, inclusive com acusações indevidas de alienação parental. “Há situações em que o termo é usado de forma estratégica para intimidar a mãe ou inverter responsabilidades. Nem todo conflito é alienação, e tratar assim pode gerar ainda mais danos à criança”, ressalta.
Outro ponto frequentemente questionado é a guarda compartilhada, muitas vezes apresentada como solução automática nos processos de família. Para a advogada, o modelo nem sempre se aplica à realidade da maternidade solo. “A guarda compartilhada exige diálogo, equilíbrio e responsabilidade de ambas as partes. Quando isso não existe, ela pode se tornar apenas mais um fator de conflito, e não uma proteção à criança”, afirma.
Por fim, Emilly destaca que, quando o divórcio se transforma em uma guerra judicial, os principais prejudicados são os filhos. “Erros como litígios desnecessários, disputas movidas por vingança e a falta de foco no melhor interesse da criança prolongam o sofrimento. O Direito de Família não deveria ser um campo de batalha, mas um espaço de resolução”, conclui.
Veja a entrevista completa no canal da Tribuna no YouTube:
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