Cidades
O fim de uma era com a retirada dos orelhões das ruas
Telefone de rua fez parte da vida de centenas de pessoas e algumas guardam com recordação alguns casos que viveram
Quando forem retirados – de vez – de circulação os 114 orelhões existentes em Alagoas deixarão saudades entre as pessoas que fizeram e receberam muitas ligações e ficarão também, para sempre, no imaginário daqueles que nunca tiveram oportunidade de usá-los.
Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), dos 114 orelhões ainda existentes em Alagoas, 76 aparelhos estão ativos e 38 em manutenção, todos operados pela Oi.
Em Alagoas, a maior concentração está nos municípios de Girau do Ponciano e Palmeira dos Índios, localidades onde o serviço segue necessário devido à ausência ou instabilidade do sinal de telefonia móvel.
Em todo o país, cerca de 9 mil telefones de uso coletivo continuarão em operação até 31 de dezembro de 2028. Esses aparelhos permanecerão ativos apenas em cidades que não contam com cobertura 4G, garantindo acesso mínimo ao serviço de voz.
As operadoras irão retirar os orelhões, ainda este ano, devido ao fim das concessões. Lançados em 1972 em todo o Brasil, os orelhões têm design assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no país.
A jornalista Juliete Karla Bezerra dos Santos, 49 anos, afirmou que os orelhões públicos representam para ela, memórias afetivas de uma juventude bem vivida.
Apesar de ter telefone fixo em casa, utilizava, com frequência., o orelhão existente perto de casa e até mesmo o da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Segundo ela, os orelhões não deveriam ser retirados das ruas. “Os aparelhos poderiam ser revitalizados, ganhar pinturas de artistas de cada localidade”, sugeriu ao se debruçar sobre sua coleção de cartões telefônicos. São mais de 400 unidades, todos repassados ao filho que agora guarda as relíquias.
Juliete Bezerra, inclusive, divide, com seu filho, através de memórias, as melhores recordações do uso dos orelhões. “Tenho várias recordações do uso do orelhão que ficava em frente à casa da minha mãe. Eu conversava com amigos de outros estados. Nos falávamos durante três segundos, retirávamos o cartão telefônico e a conversa durava horas. Eu sentava na calçada, esperava o aparelho tocar, corria para atender. Era o orelhão que diminuía a distância geográfica com uma amiga que foi morar na Itália”, recordou.
A Relações Públicas também relembrou de uma história – agora – engraçada, mas que, à época, lhe causou raiva. “No tempo de colégio, joguei vários cadernos no lixo. Neles tinha anotado o telefone da minha casa. Alguns dias depois de ter jogado os cadernos fora, começaram a ligar várias vezes e liam o que tinha escrito no caderno. Achei estranho. Lembrei dos cadernos que havia jogado no lixo.
Combinei com minha irmã que ficou ao telefone em casa e corri para o orelhão perto de casa. Vi que tinham uns meninos no orelhão. Fui até eles bem devagar. E vi que estavam com meus cadernos à mão. Perguntei se eles estavam me procurando. Eles se viraram, tiveram um susto., dei uma bronca, soltaram os cadernos e correram”, recordou às gargalhadas.
A autônoma Gisele Blenda da Silva Lima, 44, anos contou que passou vários trotes nos orelhões. Ela se juntava às amigas e colecionava gargalhadas ao ouvir as reclamações das pessoas do outro lado da linha. Na sua opinião, os orelhões não deveriam ser retirados de circulação. Deveriam continuar para chamadas de números urgentes como Polícia, Samu, Bombeiros. “Às vezes, a bateria do celular acaba e a gente fica na mão”, falou.
A aposentada Angelita Faustino da Silva, 66 anos, recebeu, através de um orelhão, um convite para voltar a um antigo emprego. Devido à recordação, ela disse que está triste com a retirada dos aparelhos das ruas. “Era só revitalizar. Os orelhões fazem parte da nossa história. Não é porque estão velhos que merecem o lixo, o esquecimento”, opinou.
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