Cidades

Moradores alertam para descarte irregular no Rio Jacarecica

Comunidade identificou grande volume de água sendo despejado

Por Valdete Calheiros - repórter / Tribuna Independente 20/01/2026 08h19
Moradores alertam para descarte irregular no Rio Jacarecica
Água fétida estava sendo despejada no rio na manhã de ontem - Foto: Divulgação

O Rio Jacarecica – ou o que ainda resta dele – agoniza, diariamente, ao receber um grande volume de esgoto. A denúncia é da Associação de Moradores dos Conjuntos Residenciais Jacarecica I e II (Amorjac), que registrou ontem, uma grande quantidade de água, sendo despejada no rio.

Conforme os moradores, o volume de líquidos não é de águas pluviais, uma vez que, há tempo, Maceió não recebe o volume de chuva corresponde ao fluxo registrado, pelos moradores, em vídeo, enviado à equipe de reportagem.

“Os órgãos ambientais precisam estar vigilantes. Essa água é podre, é água servida. O rio precisa urgentemente de revitalização. Ele está na UTI e precisa de assistência para não morrer. Temos a convicção de que o esgoto não está sendo canalizado de forma correta. O esgoto está sendo diretamente ligado às galerias pluviais”, detalhou, um dos moradores.
Não é a primeira vez que os moradores de Jacarecica se unem para cobrar ações dos órgãos ambientais, na tentativa de salvar o rio.

Em dezembro do ano passado, a Amorjac, junto ao Observatório Ambiental Alagoas e ao Instituto Salsa-de-Praia e demais entidades ambientais denunciaram, ao Ministério Público Federal, em Alagoas, (MPF/AL) o crime ambiental de alteração no curso do mesmo rio, no bairro que leva o mesmo nome do rio, em Maceió.

Um dos pontos mais críticos reforçados pelas entidades é a ameaça direta à biodiversidade marinha. A Praia de Jacarecica é um sítio de desova monitorado pelo Instituto Biota, servindo de berçário para a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), espécie criticamente ameaçada de extinção.

Os moradores também filmaram esgoto à céu aberto nas ruas paralelas do bairro, com tubulações estouradas e água servida formando uma linha d´água acima do asfalto.
A reportagem procurou o Instituto do Meio Ambiente (IMA). Até o fechamento desta edição, o órgão não tinha respondido aos questionamentos.