Cidades

Técnicos irão verificar desvio de rio

Equipes do Instituto do Meio Ambiente nos próximos dias vão ao Rio Jacarecica para detectar se há irregularidades

Por Valdete Calheiros - colaboradora / Tribuna Independente 23/12/2025 08h28
Técnicos irão verificar desvio de rio
Rio teve o seu curso alterado e caso foi levado ao Ministério Público - Foto: Divulgação

O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/ AL) informou ontem, que irá encaminhar uma equipe técnica ao rio Jacarecica para verificar a situação e apurar os fatos que contribuíram para o desvio do curso. E, adotará as medidas cabíveis, caso sejam constatadas as irregularidades. O IMA não adiantou a data em que a equipe técnica irá até o local.

Técnicos do instituto já têm conhecimento de denúncia sobre possíveis irregularidades ambientais e suposta alteração no curso do Rio Jacarecica, em Maceió, relacionadas a obras no bairro de Jacarecica.

Em nota, o IMA garantiu que realiza monitoramento da balneabilidade na região e ações de fiscalização ambiental e que denúncias podem ser registradas por meio do aplicativo IMA Denuncie, disponível para Android e iOS.

Enquanto o IMA não vai até o local, membros da Associação de Moradores dos Conjuntos Residenciais Jacarecica I e II (Amorjac), o Observatório Ambiental Alagoas e o Instituto Salsa-de-Praia e demais entidades ambientais aguardam o posicionamento do órgão e o trâmite legal da denúncia que fizeram, no último dia 18, ao Ministério Público Federal, em Alagoas, (MPF/AL) sobre o suposto crime ambiental de alteração no curso do Rio Jacarecica, no bairro que leva o mesmo nome do rio, em Maceió. O MPF/AL disse que a representação foi recebida semana passada e aguarda distribuição.

Um dos pontos mais críticos reforçados pelas entidades é a ameaça direta à biodiversidade marinha. A Praia de Jacarecica é um sítio de desova monitorado pelo Instituto Biota, servindo de berçário para a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), espécie criticamente ameaçada de extinção.

Os grupos detectaram diversas irregularidades identificadas em obras e aterros associados a um empreendimento localizado no bairro de Jacarecica. A preocupação é ainda maior pelo fato de que a área próxima ao local é ponto de desova de tartarugas.
Conforme as entidades a situação configura uma violação direta ao Código Florestal e à Política Nacional do Meio Ambiente, exigindo a responsabilização rigorosa dos proprietários e agentes envolvidos.

Segundo as entidades, as obras forçaram o Rio Jacarecica a desviar de seu curso natural, gerando danos severos ao ecossistema local e provocando um efeito dominó de degradação.

Ainda de acordo com as instituições defensoras do meio ambiente, o Rio Jacarecica foi forçado a estabelecer um novo traçado, passando a escoar a cerca de 1.400 metros de distância de sua foz original, o que caracteriza uma alteração artificial sem precedentes históricos para o sistema fluvial.

Na avaliação dos pesquisadores ambientais, a modificação do fluxo d’água tem provocado erosão severa, o avanço do Rio Jacarecica sobre a encosta da restinga, o desmatamento irregular e a contaminação hídrica.

As instituições solicitam que sejam adotadas algumas medidas como uma liminar para a reabertura imediata da foz original do Rio Jacarecica, aproveitando o período de maré morta, como prioridade máxima, visando a restauração imediata do fluxo natural do rio.