Cidades
Relatório coloca Alagoas como 3º estado com mais áreas de conflitos por conta da mineração
Levantamento da Universidade Federal Fluminense divulgado este mês foi feito com base em dados de 2024
Maceió, Craíbas e Traipu aparecem como os principais pontos de tensão no estado de Alagoas, segundo o Relatório de Conflitos de Mineração 2024, divulgado pela Universidade Federal Fluminense (UFF). O documento mostra que o estado concentrou 6,9% das ocorrências nacionais, colocando-se entre os mais afetados do país.
Dos 26 estados com registros de conflito, os que mais concentraram ocorrências foram Minas Gerais (35,2%), Pará (17,8%), Bahia e Alagoas (6,9%). Minas também liderou o número de pessoas atingidas (77%), seguida por Pará (8%) e Alagoas (6,5%). Maceió, por conta dos conflitos com a Braskem, se tornou o município com mais ocorrências de conflitos, 42 em 24 localidades, superando Brumadinho. Belo Horizonte tem 12.
Os conflitos urbanos mobilizaram pelo menos 74.279 pessoas, com 97 ocorrências em 71 localidades. As empresas que mais afetaram áreas urbanas foram Braskem (32%), Vale S.A. (13,4%) e CSN (10,3%), sendo Maceió (30 ocorrências) a cidade com mais conflitos.
Reação
Ao longo de 2024, ainda segundo o estudo da UFF, foram mapeadas 168 reações diretas às violações, com destaque para Minas Gerais com 73 casos, Pará (16) e Alagoas (14). Maceió congregou 13 ocorrências relacionadas à reação, todos contra a Braskem, representando 7,7% do total no país em 2024.
Maceió
A capital alagoana foi o município com maior número de registros em 2024, superando Brumadinho (MG). Foram 42 ocorrências em 24 localidades, com destaque para as localidades de Flexal de Baixo e Flexal de Cima, no Bebedouro. Essas comunidades, que abrigam cerca de 3 mil pessoas, vivem em áreas de isolamento socioeconômico, ao lado da zona de deslocamento forçado de 57 mil moradores, resultado do afundamento do solo provocado pela exploração de 35 poços de sal-gema da Braskem.
Além da perda de comércio e serviços públicos, os moradores convivem com o medo constante da instabilidade do solo. O relatório classifica o caso como uma tragédia-crime ainda em andamento, sem perspectiva de cessar.
Em 2024, denúncias de operários terceirizados revelaram que a Braskem continuaria extraindo sal-gema de poços desativados, descartando resíduos em tanques no município de Pilar. Os trabalhadores relataram represálias e riscos à saúde devido ao forte odor dos materiais. O Mapa de Conflitos da Fiocruz registrou ainda 10 suicídios associados ao caso Braskem em Maceió.
Craíbas
Em Craíbas, foram registradas nove ocorrências atribuídas à Mineração Vale Verde (MVV), envolvendo principalmente pequenos proprietários rurais. Os conflitos giram em torno de danos ambientais, perda de renda e intimidação de trabalhadores.
Traipu
No município de Traipu, o relatório identificou um caso de trabalho escravo na Pedreira Pedra D’Água, durante a extração de granito. O episódio expõe a gravidade das violações trabalhistas ligadas à mineração no interior alagoano.
Empresas
- Braskem: responsável por 21,8% das ocorrências nacionais na categoria Mina, com impactos concentrados em Maceió.
- Mineração Vale Verde: aparece com 5,6% das ocorrências, sendo Craíbas o município mais afetado.
Tipos de violência no estado
Entre os casos mapeados em Alagoas, destacam-se: Danos ambientais e poluição da água; Adoecimento da população; Intimidação e não cumprimento de procedimentos legais; Perda de renda e deslocamento forçado; - Extração ilegal e poluição do ar; Trabalho escravo.
Confira o relatório abaixo.
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Relatório Conflitos da Mineração no Brasil 2024