Cidades

Contadora da Igreja é convocada para depor no Ministério Público de Alagoas

Objetivo é apurar supostas irregularidades de arquidiocese e fundação sobre venda de areia do Francês à Braskem

Por Ricardo Rodrigues - colaborador / Tribuna Independente 29/03/2025 08h43
Contadora da Igreja é convocada para depor no Ministério Público de Alagoas
Extração de areia no Francês era feita para tamponar as minas de sal-gema desativadas em Maceió - Foto: Edilson Omena / Arquivo

Poucos dias depois de pedir demissão do cargo de contadora da Arquidiocese de Maceió e, consequentemente, da Fundação Leobino e Adelaide Motta, que é administrada pela Igreja Católica, a contadora Luciana Bandeira foi convocada para prestar depoimento ao Ministério Público de Alagoas (MP/AL), sobre as irregularidades investigada pelo órgão ministerial.

A notificação em nome dela, com data de 27 de março de 2025, foi assinada pelo promotor de Justiça José Carlos Silva Castro, que é integrante do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo a assessoria de comunicação do MP/AL, o documento da notificação, que a reportagem da Tribuna Independente, recebeu com exclusividade, “é verídico”, mas o promotor não confirmou, nem desmentiu a notificação.

De acordo com o documento, Luciana Bandeira prestava serviço de contabilidade para a Arquidiocese de Maceió. Por isso, ela deve ser questionada sobre o dinheiro arrecadado pela Arquidiocese, por meio da Fundação Leobino e Adelaide Motta, que explorava e vendia areia do Sítio Bom Retiro, localizado na Praia do Francês, em parceria com a Mandacaru Extração de Areia de Construções Ltda. Um dos clientes da Igreja era a Braskem, que comprava areia do Sitio Bom Retiro para tamponar as minas de sal-gema desativadas em Maceió.

Desde o início deste ano, por decisão da Justiça e a pedido do Ministério Público Federal de Alagoas (MPF/AL), a extração de areia na Praia do Francês, em Marechal Deodoro, está proibida. No entanto, a empresa conseguiu liminar para continua extraindo e vendendo areia do sítio da Igreja. A suspensão total da atividade mineradora só foi possível, a partir de janeiro deste ano, por decisão da Igreja Católica, que mandou encerrar a extração e a venda de areia do Sítio Bom Retiro.

A decisão foi tomada pelo arcebispo de Maceió, Dom Beto Breis, que precisou recorrer à Justiça, por meio do setor jurídico da Fundação, para proibir que a empresa Mandacaru Extração continuasse a explorando a atividade no terreno da Igreja, no Francês.

A ação, movida pela Fundação, foi acatada pelo juiz da 4ª Vara Criminal da Capital, José Cícero da Silva, no último dia 10 de janeiro. Ao intimar a Mandacaru, o magistrado deu um prazo de 24 horas, a partir da intimação, para a empresa suspender a extração de areia do Sítio Bom Retiro, caso contrário a mesma estaria sujeita a multa diária de R$ 5 mil, até o limite máximo de R$ 100 mil.

No entanto, conforme informações de moradores do Francês, a extração de areia no terreno da Igreja continuava até o final de janeiro, quando foi suspensa de vez, após ameaça de intervenção das forças policiais.

Na oitiva no MP/AL, a contadora deve ser questionada sobre a comercialização da areia e quando a Arquidiocese arrecadava com a venda do produto, na gestão do arcebispo Dom Antônio Muniz e do padre Walfran Fonseca, que eram, respectivamente, presidente e diretor-financeiro da Fundação. Com a chegada de Dom Beto, eles foram afastados da entidade, que está sob intervenção e vem passando por auditoria interna.

O depoimento da contadora está marcado para segunda-feira (31), às 10 horas, na sede do Gaeco.