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Sem Carnaval, estima-se que Maceió perde R$ 200 milhões

Maior prejuízo fica para ambulantes, bares e restaurantes, diz historiador

Por Valdete Calheiros – colaboradora / Tribuna Independente 01/03/2025 08h25 - Atualizado em 02/03/2025 09h55
Sem Carnaval, estima-se que Maceió perde R$ 200 milhões
Carlito Lima defende volta do carnaval de rua que havia em sua época - Foto: Divulgação

O fato de Maceió ser conhecida como sinônimo de descanso no Carnaval está causando prejuízos aos cofres públicos, na avaliação de um grupo de personalidades ligadas às tradições carnavalescas. De acordo com as estimativas do escritor, historiador, produtor cultural e carnavalesco Carlito Lima, um dos líderes do movimento que defende a volta do Carnaval de rua em Maceió durante o calendário momesco oficial, cerca de 200 mil pessoas saem da capital nos dias de folia em busca de diversão em cidades vizinhas.

“Considerando que cada pessoa gaste cerca de R$ 1 mil nos quatro dias de festa, Maceió perde a circulação de pelo menos R$ 200 milhões. E quem perde de forma direta esses valores são os pequenos e médios comerciantes. Os vendedores ambulantes, os taxistas, os motoristas de aplicativos, os proprietários das pequenas pousadas, os músicos. O poder público não pode mais ignorar essa situação. Temos que fazer renascer a tradição carnavalesca de Maceió de outrora. O Carnaval é a maior manifestação cultural espontânea do país”, avaliou Carlito Lima.

Em um movimento de luta e resistência em defesa do Carnaval, Carlito Lima colocou na orla, em 2016, o Bloco Nega Fulô. Desde então, o desfile só deixou de acontecer durante os anos da pandemia. A iniciativa cresceu e rendeu novos adeptos.

Carlito Lima, um apaixonado pelo bom e saudoso Carnaval popular, vai reunir, no domingo de Carnaval, dia 02 de março, o Blocão do Domingão, com nove blocos tradicionais. Ao som de muito frevo e marchinhas, o cortejo terá início às 14 horas.

O desfile será aberto ao público, na orla de Pajuçara. Não terá cordão de isolamento e embora haja a comercialização de camisas alusivas ao bloco, sua aquisição não é obrigatória. Este ano, o desfile prestará uma homenagem aos folguedos que também estarão presentes na avenida.

Junto ao Nega Fulô irão espalhar a magia do Carnaval na orla, os blocos Sonho Encantado, Bloco dos Bonecos, Só Vai Quem Chupa, Bloco Mamãe Eu Quero, entre outros. O Bloco Mamãe Eu Quero presta uma eterna homenagem ao hino homônimo de Carnaval, música carnavalesca mais tocada no mundo, de Jararaca e Vicente Paiva.

“O objetivo do Blocão é juntar forças para trazer de volta a folia à cidade de Maceió nos dias de Carnaval, impulsionar a cultura e a economia criativa na cidade. O Blocão do Domingão traz alas para cadeirantes, blocos de crianças, bloco de folguedos, carro de som e carro alegórico, com passistas da Escola de Samba Gaviões da Pajuçara”, explicou.

Carlito Lima comemorou o fato de ter havido na sexta-feira (28) o Baile Municipal de Maceió, na Praça Dois Leões, no histórico bairro de Jaraguá. O acesso foi gratuito. O evento foi aberto ao público em geral e contou com a participação do bloco Pinto da Madrugada, do cantor Eliezer Setton e da Orquestra Som do Nordeste, além do grupo Samba da Periferia e da banda da Guarda Municipal da cidade.

O Carnaval de 2025 no Brasil está projetado para ser um dos maiores dos últimos anos, consolidando-se como um dos principais impulsionadores do turismo, tanto interno quanto externo, e da economia nacional.

A expectativa é que a festa movimente mais de R$ 12 bilhões, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), representando um crescimento de 2,1% em relação a 2024 e tornando esta edição a mais lucrativa desde 2015.´

Prévias não devem invalidar realização dos festejos

Carlito Lima explicou que o fato de Maceió ser a capital das prévias não invalida a cidade de ser também palco do Carnaval propriamente dito. Na sua opinião, é inaceitável que a capital das prévias carnavalescas e dos milhares de foliões que seguiram dezenas de blocos durante os dois últimos finais de semana de lugar ao mais absoluto sossego na Folia de Momo.

“A explicação para esse movimento é que, por muito tempo, Maceió foi vendida como um destino turístico de tranquilidade no Carnaval. O que foi um erro. Precisamos rever, com urgência, esse conceito vendido pelas secretarias estadual e municipal de Turismo”, frisou.

Carlito Lima lembrou a “queda” que Maceió sofre na preferência do turista que escolhe a capital como destino. “Se fomos a primeira opção em dezembro do ano passado, nas comemorações de Natal e de Ano Novo, se somos a primeira opção durante todo o mês de janeiro de 2025, como caímos para o 6° lugar na preferência, durante o Carnaval. Essa escala prova que algo está errado e o poder público pode mudar este cenário. Basta querer”.

Por ora, a cidade fica em um clima perfeito para quem quer curtir o Carnaval com praias, passeios ao pôr do sol, boa gastronomia e calmaria.

A população nativa ou turista que escolhe passar os quatro dias de folia em Maceió, sabe que a agitação já passou e a tranquilidade ditará as regras da maior festa popular do país.

Quem quiser um pouco mais de clima de Carnaval pode seguir para as cidades balneárias. Casas por temporada são uma boa pedida. O preço varia de acordo com as acomodações, piscina, condicionadores de ar, utensílios na cozinha e churrasqueira.

Por R$ 4 mil é fácil alugar uma residência a alguns bons metros da praia. Residências à beira-mar chegam a ser alugadas a R$ 20 mil.