Cidades
Hotel Jatiúca terá cinco torres residenciais em seu lugar
Projeto da Construtora Record vai usar área da Lagoa da Anta para construir cinco 'espigões' de 15 andares e gera polêmica

A história do Hotel Jatiúca, inaugurado em 1979, primeiro resort de Maceió e um dos poucos hotéis urbanos do Brasil pé na areia, sempre esteve ligado à sua bela arquitetura, ao paisagismo urbano e por ter sido, durante muito tempo, o verdadeiro representante do turismo alagoano. Mas nos últimos 15 meses, para ser exato desde novembro de 2023, ganhou as luzes da ribalta por uma grande polêmica, logo depois que a Construtora Record anunciou que teria comprado, ou incorporado, o hotel, para dar lugar a um empreendimento imobiliário com 5 torres de 15 andares.
Depois da polêmica instalada, o Ministério Público Estadual cobrou da Prefeitura de Maceió e da construtora explicações sobre a venda do hotel e o projeto do novo empreendimento. Com as eleições do ano passado, o assunto sumiu da mídia. Mas agora voltou à tona, já que a construtora confirmou que realmente pretende seguir com as negociações com os representantes do grupo Lundgren, da família que controla as Casas Pernambucanas.
O primeiro a se manifestar foi o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Alagoas (ABIH Alagoas), André Santos. Ele afirmou que o fim do hotel, que é uma referência, preocupa o setor turístico. “O que é que isso vai levar para o nosso destino? Já que é um produto turístico, que atrai consideravelmente. Além do hotel em si, mas também do destino. Isso deixa muito preocupado o setor, porque antes de tudo, é uma história que está enraizada, o produto, no caso o hotel, está enraizado no turismo de Alagoas. Antigamente, o Hotel Jatiúca já era uma referência”.
Por outro lado, o presidente do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) em Alagoas, Sérgio Cabral, entidade que representa 9.000 corretores de imóveis, declara apoio ao projeto, que tem gerado grande polêmica na capital, já que envolve a construção de cinco torres no entorno da Lagoa da Anta, e gerado preocupação entre moradores, turistas, ambientalistas, sociedade civil e urbanistas.

Na visão do presidente do Creci de Alagoas, que além de corretor de imóveis, é advogado, o “ouvir dizer” não reflete a verdade. “Nesta contextualização, vozes na sociedade condenam a construtora de forma antecipada, sem ao menos conhecer a concepção do projeto, e suas perspectivas para o cenário urbanístico, paisagístico, ambiental, econômico, mobilidade urbana e social. Todo esse projeto merece ser debatido e esclarecido com a sociedade, visando o progresso para todos. A Construtora Record é uma referência em Alagoas, e me interessei do projeto, e viu que é um importante empreendimento desta magnitude. O desenvolvimento sustentável, progredir, preservar o meio ambiente e incluindo e buscando sempre o equilíbrio social. Até porque será mantido o hotel, já que a polêmica está instalada dizendo que vão acabar com o hotel o que é uma verdadeira falácia”, finaliza Cabral.
E como as negociações sobre a venda do Hotel Jatiúca, e a construção de um novo empreendimento multimilionário no local foram retomadas, mas seguem sob sigilo, a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Alagoas vai investigar os impactos do projeto da Record Construtora.
ASSEMBLEIA
Audiência pública vai debater os projetos para as cinco torres
O projeto das 5 torres será debatido na Assembleia Legislativa. O anúncio foi feito pelo deputado Delegado Leonam, que como presidente da comissão, afirmou que será marcada uma audiência pública para debater a viabilidade do empreendimento. O objetivo é ouvir especialistas, órgãos ambientais, moradores e representantes da construtora antes de qualquer decisão sobre o projeto.
A discussão também chegou à Câmara Municipal de Maceió, já que o vereador Allan Pierre, defende a desapropriação do espaço para construção de um parque público. “O momento imobiliário de Maceió é um momento muito bom, mas não nos permite pensar que aquela área da Lagoa da Anta, que é uma área histórica e importante para a qualidade de vida da parte baixa de Maceió, torne-se também um espaço de construções habitacionais com fins comerciais”.
Como o plano diretor de Maceió completa 20 anos agora em 2025, e lacunas na legislação municipal podem viabilizar a construção do empreendimento sem restrição, o MP acompanha a situação desde quando a construtora anunciou a compra do hotel.
Na ocasião, os detalhes sobre as negociações e o que seria feito no local não foram revelados. O representante da construtora disse à época que o projeto ainda estava em estudo.
E a discussão chegou aos ex-prefeitos de Maceió, como Fernando Collor, Ronaldo Lessa, Kátia Born, Rui Palmeira e Cícero Almeida, que disseram ser contrários à construção de cinco torres de 15 andares no lugar do Hotel Jatiúca Jatiúca. Notícias veiculadas na mídia revelam que a crítica também aborda a especulação imobiliária, que está diretamente ligada ao projeto.
Para o jornalista Antonio Noya, um dos maiores especialistas em turismo de Alagoas, “O Jatiúca não mudou apenas o eixo do turismo em Maceió, mudou o próprio conceito de hotelaria de praia no Brasil. Além de ser o primeiro resort ´pé na areia´ em uma capital brasileira, sua arquitetura integrada à natureza, ambientação refinada com peças de artistas locais, paisagismo e detalhes inovadores à época como a piscina cheia de curvas, o fariam referência para todos os hotéis de praia no Brasil”.
No dia 16 de janeiro de 1980, o Jornal do Brasil, mais importante do país na época, publicou uma nota com o seguinte trecho: “Ontem, o gerente do hotel Alteza Jatiúca, o mais procurado da capital alagoana, Roberto Acioly, foi obrigado a recusar reserva para Dona Dulce Figueiredo”.
Para quem não sabe ou não se lembra, “Dona Dulce Figueiredo” era esposa do então presidente da República, João Batista Figueiredo. Isso mesmo: naquele início de 1980, apenas alguns meses após ser inaugurado, em 1979, o Hotel Jatiúca já era tão procurado que nem a primeira-dama conseguia uma suíte.
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