Cidades

Tribuna Hoje é finalista do Prêmio AMRIGS de Jornalismo 2024

Lucas França e Valdete Calheiros produziram reportagem sobre os problemas psicológicos deixados pelo afundamento do solo em Maceió

Por Tribuna Hoje 10/10/2024 14h04 - Atualizado em 10/10/2024 18h10
Tribuna Hoje é finalista do Prêmio AMRIGS de Jornalismo 2024
Jornalistas Lucas França e Valdete Calheiros são finalistas na categoria texto - Foto: Edilson Omena

O portal Tribuna Hoje - um produto da Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos de Alagoas (Jorgraf) é finalista do Prêmio AMRIGS (Associação Médica do Rio Grande do Sul) de Jornalismo, com a reportagem "Saúde mental soterrada pelos escombros: as perdas 'invisíveis' escondidas nas ruínas deixadas pela mineração em Maceió", produzida pelos jornalistas Lucas França e Valdete Calheiros. A matéria especial mostra casos de suicídios atrelados à maior tragédia em área urbana do mundo.

O material publicado no dia 5 de agosto deste ano faz um recorte de pesquisas de universidades que revelam os casos de mortes associados ao afundamento do solo causado pela bilionária Braskem. A reportagem revela ainda que moradores e ex-moradores desencadearam várias doenças e também passaram por adoecimento mental. Uma psicóloga ouvida pelos repórteres compara o sofrimento das famílias atingidas ao luto pela morte de uma pessoa querida. Em Alagoas, os órgãos de proteção ainda acompanham os casos, que estão longe de ser resolvidos.

Para o jornalista Lucas França, ser finalista do Prêmio AMRIGS é muito importante porque mostra a força do jornalismo alagoano realizado de forma independente e com compromisso com a população.

"É um material que revela dados importantes sobre o adoecimento mental causado por uma tragédia que atingiu vários setores da sociedade e não somente para os alagoanos, para todo o Brasil. O afundamento do solo dos bairros Pinheiro, Bom Parto, Mutange, Bebedouro e Farol não apenas destruiu residências ou afetou a economia local, mas trouxe danos invisíveis a olho nu. Foram mais de 60 mil pessoas atingidas diretamente. O Mapa de conflitos, injustiça ambiental e saúde no Brasil, da Fiocruz, aponta que houve ao menos 10 suicídios associados ao caso da mineração da Braskem. No entanto, há subnotificações. É uma pauta importante que deve ser debatida e como agentes sociais devemos cobrar maior atenção dos órgãos, mas, além disso, parabenizar os médicos, psicólogos, psiquiatras que atuam na proteção e ajuda dessas vítimas", pontuou Lucas França.

“Falar sobre saúde mental já é, por si só, um tema delicado. Muitas vezes visto como tabu. A sociedade como um todo sabe que é preciso falar para se inteirar sobre o assunto, mas não consegue expor o sofrimento tido como invisível, mas que, na verdade, é avassalador. E se tratar a saúde mental das pessoas que estão com suas referências familiares, de vida, de endereço, de situação financeira estabilizada já requer uma abordagem profissional especializada, imaginemos, então, como é complexa a abordagem dirigida a pessoas que tinham todas as referências intactas e, de uma hora para outra, tiveram que fechar as portas das suas residências e/ou estabelecimentos comerciais com suas histórias de vida dentro? E essa chave de casa foi entregue à empresa que causou toda essa situação! Esse trabalho jornalístico fala sobre todas essas nuances. Sobre os caminhos obscuros que as pessoas tiveram que enfrentar ao darem adeus às suas histórias de vida", explicou a jornalista Valdete Calheiros.

A jornalista finalizou dedicando o prêmio em nível nacional, a cada um dos moradores vítimas da Braskem. "Agradeço à parceria profissional com o jornalista Lucas França e agradeço a cada um dos companheiros da redação da Tribuna, em especial Bruno Martins, Edilson Omena e Jonathan Canuto. Uma redação que prima pela verdade no Jornalismo e tem como foco o acesso do leitor a textos comprometidos com o que a sociedade precisa saber", afirmou Calheiros, que é também psicóloga por formação.

Reportagem foi publicada no dia 5 de agosto deste ano no portal Tribuna Hoje (Foto: Reprodução)


Reconhecimento: diretores afirmam que produções feitas pelos cooperados e colaboradores engrandecem a Jorgraf

O presidente da Jorgraf, José Paulo Gabriel, avaliou a qualidade dos trabalhos produzidos pelos jornalistas cooperados e colaboradores. “Mais uma vez é um resultado que nos engrandece e faz nossa equipe ser reconhecida tanto no cenário local quanto no cenário nacional. É um trabalho feito com responsabilidade e seguindo a ética do jornalismo profissional. Para Lucas e Valdete é um reconhecimento profissional importante pela trajetória dos dois no jornalismo, mas com certeza é um prêmio de toda a cooperativa que continua seguindo em um patamar de destaque".

Marilene Canuto, diretora comercial da Jorgraf, ressaltou o jornalismo feito com credibilidade e com qualidade profissional. “Jornalismo de qualidade e com comprometimento, não podia ter outro resultado senão uma premiação e novamente nacional, agora no Rio Grande Sul. Ter o reconhecimento entre tantos finalistas, Valdete Calheiros e o Lucas Franca foram os agraciados com matéria sobre saúde mental um assunto importante e atual. Eles mostram que, além de tudo, nossa cooperativa está falando e escrevendo sobre esse evento que a cidade de Maceió foi acometida e sendo destaque nacionalmente. Parabéns mais uma vez. Destaque para a Jorgraf, destaque para os jornalistas. Parabéns aos nossos cooperados e colaboradores pelo primoroso trabalho que vem sendo realizado".

Para o diretor administrativo-financeiro, Flávio Peixoto, é um orgulho para a cooperativa os jornalistas Lucas França e Valdete Calheiros serem finalistas no prêmio AMRIGS ainda mais com uma temática tão atual como a saúde mental.

"É uma temática tão atual e fundamental para nós sobre a saúde mental diante de catástrofes, nós estamos vivendo um momento de vários fenômenos, infelizmente o homem muitas vezes provoca isso aqui em Alagoas e em outras cidades em todo o mundo. Aqui tivemos a questão do afundamento dos bairros. E esse trabalho deles é focado nessa área. Para a Tribuna Independente, para a Jorgraf, para o nosso site Tribunahoje.com, é muito prazeroso ver a valorização profissional dos nossos cooperados, dos nossos companheiros, que mostram com isso a qualidade do jornalismo profissional praticado aqui em Alagoas e principalmente agora com um reconhecimento nacional. Parabéns aos colegas mais uma vez por esse resultado. E estamos na torcida para o resultado final", comentou Peixoto.

SOBRE O PRÊMIO

O Prêmio AMRIGS de Jornalismo 2024 é uma iniciativa da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), que tem como objetivo premiar e reconhecer trabalhos jornalísticos produzidos no Brasil e veiculados em jornais impressos, revistas, rádios, emissoras de televisão e veículos eletrônicos de comunicação com sede no país, durante o período de 11 de agosto de 2023 a 10 de agosto de 2024.

Este ano, o Rio Grande do Sul, estado onde é situada a sede da AMRIGS, passou pela maior tragédia climática de sua história. A região foi atingida por chuvas intensas, resultando em alagamentos e enchentes, deixando milhares de pessoas desabrigadas. O resultado foi a destruição de cidades, bairros, casas, estradas, estabelecimentos, famílias e vidas. Por outro lado, o cenário demonstrou o poder do voluntariado, a comunhão da sociedade civil, a força dos profissionais da saúde na linha de frente e a formação de uma grande rede de solidariedade, que uniu o estado, o Brasil e o mundo, de forma inédita, para salvar o RS.

Médicos e médicas atuaram voluntariamente para garantir a segurança das comunidades afetadas, prevenir de doenças, tratar ferimentos e proporcionar suporte psicológico essencial neste momento de crise.

Os trabalhos inscritos nesta edição do Prêmio AMRIGS de Jornalismo deverão estar de acordo com o tema “Desafios Climáticos e o Papel da Medicina”. A Comissão Julgadora é formada por jornalistas e médicos. Todos os vencedores serão revelados em cerimônia em Porto Alegre, no dia 18 de Outubro, data em que é comemorado o Dia do Médico.