Cidades

Velho Chico terá barreiras de contenção

Ação será realizada pela Semarh e IMA para conter avanço das manchas de petróleo cru que já chegaram à foz do rio, em Piaçabuçu

Por Lucas França com Tribuna Independente 10/10/2019 09h01
Velho Chico terá barreiras de contenção
Reprodução - Foto: Assessoria
Foi confirmado nesta quarta-feira (9) pelos órgãos ambientais do estado, que as manchas de petróleo chegaram à foz do Rio São Francisco. A Marinha e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em Alagoas (Ibama/AL) encontraram o óleo no município de Piaçabuçu. A atenção para a região está sendo redobrada. Barreiras de contenção serão instaladas na foz do rio para conter o avanço de óleo. Ação será realizada pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA). O Governo de Alagoas, por meio da Semarh e do IMA receberam o apoio da Transpetro, que irá ceder as barreiras, para que possam ser encaminhadas a região afetada. Serão usadas barreiras de absorção, que absorvem o material encontrado, e barreiras que fazem a contenção deste material, não deixando que eles possam avançar O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda, disse que o volume ainda não caracteriza dano irreversível para o rio. “As manchas não foram encontradas na água, estão na areia das praias que limitam o encontro do rio com o mar, são manchas em volumes pequenos. O local está sendo monitorado porque é um local de desova de tartarugas. Mas a atenção está sendo redobrada porque ainda não se sabe a origem do material, se ainda vai chegar mais. Poderemos ter mais surpresas, pois não se sabe o volume total do derramamento. Por isso, as equipes estão em estado de alerta para todos os rios. Aqui está sendo redobrado porque o Velho Chico é cheio de biodiversidade e estamos com muito cuidado na área do manguezal, porém já dá para dizer que foi atingida a vida aquática em todo o litoral nordestino’’. Segundo Anivaldo, as medidas concretas estão sendo tomadas no sentido de recolher todo o piche e investigar de onde veio. “Hoje [quarta, 9] teremos uma reunião em Piaçabuçu com a Marinha, Ibama, pescadores e Prefeitura para unir esforços para estabelecer uma rede de informação com o objetivo de envolver a população para ajudar a detectar as manchas”. Ainda não há confirmação que o petróleo cru tenha sido achado dentro do rio.  No entanto, o monitoramento na região, incluindo o Rio São Francisco está sendo realizado. O secretário de Meio Ambiente e Turismo de Piaçabuçu, Otávio Augusto, acompanhou os trabalhos na manhã desta quarta, e disse que, além das manchas localizadas em trecho da areia do rio, também foram achadas duas tartarugas cobertas de óleo. Um dos animais, localizada na foz, estava morto, o outro, encontrado na praia de Feliz Deserto, estava com vida e foi encaminhada para tratamento em Sergipe. Até a terça-feira (8), 13 animais já haviam sido encontrados com manchas de óleo ao longo do litoral nordestino. A situação vem preocupando as autoridades locais e os pescadores da região, que disseram que há cerca de duas semanas não estão entrando no mar para pescar. A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) não está acompanhando as atividades dos órgãos, mas afirma que as manchas encontradas na foz do rio estão distantes do ponto de captação de água que abastece Piaçabuçu. E que por enquanto, segue tudo normal sem comprometimento no abastecimento para a região. Já são 17 praias atingidas em Alagoas   Também foram confirmados mais duas áreas com manchas, na praia de Feliz Deserto e Jequiá da Praia. Com esses, já são 17 praias. Até o momento segundo o Ibama são 10 municípios do litoral de Alagoas atingidos. As manchas começaram a surgir no início de setembro, no litoral nordestino.  De acordo com o último balanço do Ibama, que ainda não inclui os trechos do rio em Piaçabuçu, o petróleo já atingiu 138 áreas de 62 cidades  dos nove estados do Nordeste. Após um sobrevoo feito na terça-feira (8), por equipes do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Ibama, Marinha e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), para verificar as proporções das manchas,  em Alagoas os órgãos constataram que as cidades mais atingidas até o momento foram Coruripe e Piaçabuçu. CUIDADOS O Ibama-AL divulgou informações sobre o que fazer ao encontrar manchas ou animais sujos de óleo. O primeiro passo é entrar em contato com órgãos ambientais e com a prefeitura do município da ocorrência. Com o Ibama/AL no (82) 2122-8300 e 2122-8329. Com o IMA pelo WhatsApp (82) 8833-9397. Com o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA/AL) pelo (82) 3315-4325. Além disso, o órgão pede que seja evitado o contato com o resíduo. Caso o contato ocorra, deve-se higienizar a área afetada com gelo e óleo de cozinha e, em caso de ingestão ou reação alérgica, procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Também deve ser evitado o contato com animal contaminado, proteger o animal do sol e não devolvê-lo para o mar. Mais de 2.100 quilômetros já foram atingidos segundo Ibama   A extensão da costa nordestina atingida pelas manchas de petróleo desde o dia 2 de setembro já chegou a mais 2.100 quilômetros. O acidente ambiental já é considerado o maior da história no litoral brasileiro em termos de extensão segundo o Ibama.  “Esse vazamento atingiu a maior extensão, com certeza. É uma situação que nunca ocorreu na história do país, e desconhecemos se algo similar no mundo”, afirma Marcelo Amorim, coordenador-geral de Emergências Ambientais do Ibama,  que atua como líder da força-tarefa federal - comandante do incidente, como é chamado. Todos os órgãos ambientais com apoio da Polícia Federal e Força Área Brasileiras (FAB) estão empenhados na busca pela origem do material. Em nota, a Marinha ressalta que 1.583 militares, cinco navios e uma aeronave estão envolvidos nessas operações de análise e monitoramento. A Marinha ainda classifica a ocorrência como “inédita”. A investigação da Marinha agora é para descobrir o navio que fez o derramamento de tamanha quantidade de petróleo. INVESTIGAÇÕES Durante investigações sigilosas da Marinha e da Petrobras foi encontrado petróleo com a mesma “assinatura” do óleo da Venezuela em manchas que se espalharam até agora. Na terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse não descartar uma ação criminosa.  A conclusão já foi informada ao Ibama, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Mas não é possível dizer que todo o vazamento que atinge praias tem a mesma origem. A Marinha e a Polícia Federal analisam amostras e não deram informações oficiais. POSSIBILIDADE Uma análise com base nas correntes marinhas, feita pelo Laboratório de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), aponta que o vazamento ocorreu entre os litorais de Pernambuco e Paraíba, a uma distância entre 40 e 50km da costa. (Com agências)