Cidades

15 de janeiro de 2019 10:57

Alagoas registra 1.682 encalhes de tartaruga em 2018

Dados são do Biota, que alerta sobre o risco de interrupção do trabalho de conservação dos animais por falta de apoio

↑ Trabalho desenvolvido por monitores do Biota corre risco por falta de apoio (Foto: cortesia/Instituto Biota)

Um total de 2.233 animais foram encontrados na costa alagoana, de maio a dezembro de 2018, segundo dados estatísticos do Instituto Biota de Conservação, que disponibilizou os números no fim de semana. O número mais surpreendente foi em relação à presença das tartarugas da espécie Chelonia Mydas, conhecidas como tartarugas-verdes, que foram as que mais apareceram nas praias alagoanas, contabilizando 1.682 registros durante o período.

Aves e mamíferos, como golfinhos e baleias, aparecem na lista, respectivamente, com 237 e 35 casos registrados, entre maio e dezembro do ano passado. O Biota registrou também 98 resgates de animais referentes ao mesmo período, incluindo os casos de mamíferos encalhados e mortos nas praias. Nos dados, um número que chama a atenção, são dos intitulados como “incomuns”, num total de 275, que são materiais não degradáveis como cordas de navio, pacotes de látex e outros.

O responsável técnico pelo instituto, o biólogo Bruno Stefanis, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos pela Ufal, ao mesmo tempo que fala da importância desse tipo de trabalho, admite que o mesmo corre o risco de não acontecer esse ano por falta de apoio.

O Instituto Biota surgiu para promover a conservação de mamíferos aquáticos e tartarugas marinhas na porção sul da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC).

Dentre os projetos do instituto está o Biota Mar, que é o monitoramento de praia na área entre o Rio Meirim e o Rio do Forte, em Maceió. A praia é percorrida três vezes por semana, no período de maré-baixa, para registros reprodutivos e não-reprodutivos de tartarugas marinhas, além de possíveis encalhes de mamíferos aquáticos e a campanha informativa “Encalhou!?” , que surgiu com o objetivo de proporcionar maior eficácia no registro das ocorrências.

Mas parte do trabalho desenvolvido pelo instituto em Alagoas parece estar com os dias contados. A ONG tem como principal fonte financeira uma empresa de exploração de petróleo, responsável pela contratação de monitores. O contrato, no entanto está vencendo e não há previsão de renovação.

De acordo Bruno Stefanis, do Biota, com o fim do financiamento, o trabalho de monitoramento será comprometido. O centro de recuperação de animais, que funciona em Coruripe, também deve ser desativado. Ele apela para que empresas interessadas em contribuir com o trabalho entrem em contato pelos números (82) 99115-2944 e 98815-0444.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

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