Cidades

13 de dezembro de 2017 08:32

Alagoas tem terceira maior taxa de morte de jovens por arma de fogo

Estudo da Abrinq aponta média de 30 assassinatos de jovens e crianças por dia no país

↑ Taxa de homicídios em Alagoas, em 2016 foi de 52,3 assassinatos para cada 100 mil (Foto: Evellyn Pimentel)

Alagoas está entre os três estados do país onde mais se matam crianças e adolescentes menores de 19 anos por arma de fogo. Segundo uma pesquisa nacional divulgada pela Fundação Abrinq com base no ano de 2015, o estado registrou 372 assassinatos, um percentual de 25,2%.

No ranking geral os estados que tiveram pior desempenho em maior percentual de mortes por armas de fogo no Brasil constam representantes de três das cinco regiões brasileiras: Nordeste, Centro-Oeste e Sul. O estado do Espírito Santo registrou o maior percentual de mortes por armas de fogo entre menores de 19 anos com, (27,6%), em segundo lugar Distrito Federal (27%), terceiro lugar Alagoas (25,2%), seguidos de Piauí (24,3%), Rio Grande do Norte (24,1%).

Na sequência estão com menores taxas: Santa Catarina (16,5%), Mato Grosso do Sul (14,9%), Rondônia (15,1%) e Mato Grosso (15,5%), com proporções bem próximas. O Acre é o que concentra a menor participação de homicídios de menores de 19 anos sobre o total de homicídios cometidos por arma de fogo em 2015, com 12,9%, correspondendo a pelo menos metade dos percentuais verificados nos estados com maior percentual.

A pesquisa ressalta que as mortes por armas de fogo não são necessariamente localizadas, mas têm elevado grau de dispersão.

Ainda segundo o levantamento, os estados que registram a maior frequência dessas ocorrências indica que cerca de um em cada seis assassinatos cometidos por armas de fogo, em 2015, tiveram como vítima menores de 19 anos.

PAÍS

No Brasil, em média ocorrem 30 assassinatos de jovens e crianças por dia, sendo a maioria negros e pobres. Da lista de países que concentram a maioria dos crimes contra crianças e jovens de até 19 anos, o Brasil aparece em segundo lugar, atrás somente da Nigéria.

MPE

Para a promotora Alexandra Beurlen, da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL), Segurança Pública faz-se com prevenção.

“Prevenção sem escola para todos é impossível. Trabalho com atos infracionais e esses dados são compatíveis com o que verificamos no dia a dia da infância e juventude. Crianças e adolescentes ociosos e sem perspectiva de vida melhor ingressam no ‘crime’ – ato infracional – porque estão sem ocupação. Educação, esporte, cultura e lazer são capazes de dar uma nova perspectiva de vida aos nossos jovens”, opinou a promotora.

 

Estado apresenta índices elevados em vulnerabilidade de jovens

 

Na segunda-feira (11), o Índice de Vulnerabilidade de Jovens à Violência (IVJ) 2017 colocou Alagoas em primeiro lugar nos homicídios da população negra, do sexo masculino e com faixa etária de 15 a 29 anos.

E paralelo a isso, o estudo “A Criança e o Adolescente nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Marco zero dos principais indicadores brasileiros”, que foi elaborado com base em dados do Ministério da Saúde (MS), Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) – Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), e divulgado pela Fundação Abrinq, mostra que desde 2015, o estado está nas piores colocações em relação a homicídios de jovens.

Na análise das taxas de homicídio de menores de 19 anos de idade por 100 mil habitantes Alagoas lidera a taxa de assassinatos. A taxa ficou em 36 assassinatos, a maior do País e tem proporção de homicídios que equivale a 1,4 vezes a taxa do Nordeste, 25,7. O estado supera Espírito Santo (33,7), Rio Grande do Norte (32,9), Sergipe (31,7) e Ceará (31), nas taxas de assassinatos por cada grupo de 100 mil habitantes. Já no quesito mortes por armas de fogo de menores, Alagoas fica atrás, apenas, de Espírito Santo e Distrito Federal.

O levantamento da Abrinq também analisou as taxas de suicídio no País entre crianças e adolescentes.  Os estados de Alagoas, Rio de Janeiro e Bahia têm a mesma taxa de suicídio, cerca de 0,7 para cada 100 mil habitantes. Já Espírito Santo e Rio Grande do Norte, 0,8. Neste indicador, Alagoas apresenta o melhor desempenho e registra a taxa mais baixa do Brasil.

Em relação às mortes de causas externas, Alagoas também aparece com índice elevado. Na sequência estão respectivamente, Espírito Santo (53,3) e Roraima (52,5) com taxas que chegam a 1,5 vezes a taxa brasileira (35,2). Seguidos de Alagoas (50,2), Ceará (49,7) e Rio Grande do Norte (48,4) aparecem na sequência com taxas de óbitos entre menores de 19 anos de idade, que se aproximam de 50 mortes a cada 100 mil habitantes. O estudo da Abrinq apontam outros indicadores como saúde, educação, moradia, lazer entre outros.

SOCIÓLOGA

“Esse dados são referentes ao ano de 2015, estamos no final de 2017, esses números tiveram um decréscimo segundo informações recentes divulgadas pela Secretária de Segurança Pública do Estado. Mas, mesmo assim voltamos a bater na mesma tecla, já observada em outras matérias, à falta de políticas públicas para jovens e uma educação deficitária, faz com que o mundo das drogas e do crime em geral seja bem mais atrativo, como esses jovens depositam toda sua esperança nesse submundo, acabam perdendo na noção do valor da vida, ainda levemos em consideração que esses jovens são moradores de periferia e na sua maioria negros, onde sabemos que o braço do estado não chega em sua totalidade”, comenta a socióloga.

Danúbia Barbosa acrescenta que, os jovens que vivem a margem dos benefícios do Estado, estão vulneráveis a um estado paralelo que gera um sentimento de pertencimento. “Precisamos criar projetos alternativos que incluam esses jovens e lhes ensinem cidadania, direitos e deveres. Esse caminho vem através da educação, do esporte, da cultura, bases esquecidas pelo Governo”, diz.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

Comentários

MAIS NO TH