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Novo relatório do IMA aponta 516 focos de queimadas em Alagoas em duas semanas

Número foi contabilizado pelo IMA no período de 14 dias e aponta aumento de ocorrência de uma semana para outra

Por Tribuna Independente 09/11/2016 08h39
Novo relatório do IMA aponta 516 focos de queimadas em Alagoas em duas semanas
Reprodução - Foto: Assessoria

Alagoas registrou 516 pontos de queimadas no período de 23 de outubro a 5 de novembro deste ano. O número, das duas últimas semanas, é do relatório do Instituto do Meio Ambiente (IMA), divulgado na tarde de terça-feira (8).

Desde ontem, o órgão passou a divulgar relatórios semanais mostrando os focos de queimadas em Alagoas, identificando aquelas que foram autorizadas e as que acontecem de modo irregular. O documento, elaborado pelos setores de fiscalização, Gestão Florestal e Geoprocessamento do órgão, deve ser publicado todas as terças-feiras.

Com relação ao relatório divulgado ontem, as cidades de Coruripe e Junqueiro são as que mais registraram focos, com 75 e 38 pontos respectivamente.

Ainda Segundo os relatórios, os números variam de semana para semana, e explicou que os altos índices de queimadas registradas nas cidades de Coruripe e Junqueiro se dão pelas atividades de queima da cana-de-açúcar. Os focos são em regiões de Mata Atlântica - predominante em Alagoas - e não fazem parte de Unidades de Conservação.

De acordo com o documento, a Área de Preservação Ambiental (APA) de Murici é a mais afetada, sendo registrados 26 pontos de queimadas durante o período em sete municípios, são eles: Murici, Colônia Leopoldina, Joaquim Gomes, Messias, São José da Laje, Novo Lino e União dos Palmares.

Durante os 14 dias apresentados no relatório, Maceió registrou 20 focos de queimadas. Já Batalha foi o município que apresentou o menor número de queimadas: apenas dois focos.

As áreas afetadas por queimadas em Alagoas são monitoradas pelo IMA para coibir uma prática que pode ser considerada infração.  Para monitorar os agentes do órgão, utilizam o Sistema de Georreferenciado de Monitoramento de Ocorrências na Rede Elétrica, da Eletrobrás. O acompanhamento é feito diariamente e também por análises que mostram os locais e os riscos, pelo monitoramento também é possível verificar as cidades onde há mais focos de incêndios.

QUEIMADA REGULAR

Segundo Esdras Andrade, geógrafo e gerente de Geoprocessamento do IMA, conforme a lei nº 7454 de 2003, a Queima Controlada deve ser autorizada pelo órgão ambiental. É o IMA que emite uma autorização prévia para que sejam realizadas as queimadas de forma regular. Ele explicou ainda que é necessário que a atividade atenda às condicionantes impostas na legislação

Os usineiros e proprietários rurais devem ir até o órgão para receber a autorização de queima controlada com o relatório da programação para análise técnica. Áreas que estiverem com pendências de pagamento da safra anterior, precisam ter suas dívidas sanadas para que possam receber a autorização de queima no próximo período.

Além do auxilio feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o IMA ainda conta com apoio do Sistema de Georreferenciado de Monitoramento de Ocorrências na Rede Elétrica, da Eletrobrás, e da população através de denúncias.

Em caso de queimadas irregulares, é possível realizar denúncias através do aplicativo IMA Denuncie, disponível para smartphones, ou pelo canal verde, no número 0800 082 1553.

Números de focos ativos em áreas de vegetação cai este ano

Alagoas registrou uma queda no número de focos ativos de incêndios em áreas de vegetação. Até ontem (8), foram registrados  pelo Inpe 180 focos de queimadas. No mesmo período do ano passado o instituto registrou 316 focos ativos.

Em todo o Brasil já foram registrados mais de 166 mil focos de queimadas e incêndios florestais este ano. Esse total representa uma queda de 15% comparado com o mesmo período do ano passado. O registro foi feito pela unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) do Inpe.

Segundo o coordenador de Monitoramento de Queimadas e Incêndios Florestais do Inpe, Alberto Setzer, o segundo semestre foi o início da temporada de queimadas no Brasil, que geralmente atinge o pico em setembro. Ele alerta sobre a necessidade de intensificar a fiscalização para evitar que a população coloque fogo na vegetação nesta época do ano.

Relatório sobre focos de queimadas em Alagoas será divulgado pelo IMA todas às terças-feiras (Foto: Ascom / IMA-AL)

Alberto explicou que a ação do homem e o tempo seco, são as principais causas de focos de incêndio em áreas florestais.

O Corpo de Bombeiros de Alagoas também alertou para esse período do ano. Segundo eles as chamadas para conter focos de incêndio em área de vegetação acontecem de novembro até fevereiro onde a temperatura aumenta.

“A população deve ficar alerta para não jogar faísca no chão, perto de lixo ou em vegetação. No verão o tempo seco faz esses pequenos focos se alastrarem e o estrago é bem maior”, alerta texto do Corpo de Bombeiros.