Brasil

ANJ critica decisão judicial que impôs censura a reportagem

entidade reagiu à decisão da Justiça da Bahia que determinou a retirada do nome e da imagem de uma delegada em reportagem publicada pelo portal Poder360

Por Tribuna Hoje 22/03/2026 08h12 - Atualizado em 22/03/2026 09h15
ANJ critica decisão judicial que impôs censura a reportagem
Nome de delegada precisou ser removido após decisão judicial - Foto: Reprodução / Poder360

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota no sábado (21) em que manifesta preocupação diante de mais um episódio de censura judicial no país. A entidade reagiu à decisão da Justiça da Bahia que determinou a retirada do nome e da imagem de uma delegada em reportagem publicada pelo portal Poder360, intitulada “Delegada da Bahia investiga caso em que seu advogado é parte”.

Segundo a ANJ, a medida representa uma violação direta à Constituição Federal, que proíbe qualquer forma de censura. A decisão judicial ocorre em meio a outras iniciativas que, na avaliação da associação, ameaçam a liberdade de imprensa. Entre elas, estão uma notificação extrajudicial do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado da Bahia (ADPEB) e uma ação da Polícia Federal para obter dados que poderiam levar à quebra do sigilo da fonte — um dos pilares do jornalismo profissional.

A entidade reforçou que espera a imediata revisão da decisão, alertando que ela compromete o livre exercício da atividade jornalística e abre precedente perigoso para novas restrições à atuação da imprensa.

Nota na íntegra

"NOTA À IMPRENSA

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) vê com preocupação mais um episódio de censura judicial. A decisão da Justiça da Bahia determinou a retirada do nome e da imagem de uma delegada da reportagem do Poder 360 com o título "Delegada da Bahia investiga caso em que seu advogado é parte". A medida é uma clara violação da Constituição, que veda explicitamente a censura.

A decisão judicial foi tomada após uma série de iniciativas que ameaçam a liberdade de imprensa. Entre elas, estão uma notificação extrajudicial do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado da Bahia (ADPEB) e uma iniciativa da Polícia Federal para obter dados que poderiam levar à quebra do sigilo da fonte.

A ANJ espera a imediata revisão da decisão, que compromete frontalmente o livre exercício do jornalismo.

Brasília, 21 de março de 2026.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS (ANJ)"