Brasil

Freira de 82 anos morta em convento no Paraná também foi vítima de estupro, diz polícia

Irmã Nadia Gavanski foi encontrada morta no pátio de convento em Ivaí. Suspeito foi preso enquanto tentava fugir. Nome dele não foi divulgado

Por G1 27/02/2026 15h40
Freira de 82 anos morta em convento no Paraná também foi vítima de estupro, diz polícia
Irmã Nadia Gavanski tinha 55 anos de dedicação à vida religiosa - Foto: Redes Sociais

A freira Nadia Gavasnki, de 82 anos, encontrada morta dentro do convento Irmãs Servas de Maria Imaculada em Ivaí, nos Campos Gerais do Paraná, também foi vítima de estupro pelo homem que invadiu o local, segundo a Polícia Civil (PC-PR). Relembre o caso abaixo.

De acordo com a polícia, o laudo pericial apontou que, além da morte por asfixia, houve violência sexual, evidenciada pela gravidade das lesões constatadas. O inquérito foi concluído nesta sexta-feira (27) e encaminhado ao Ministério Público (MP-PR). O nome do investigado não foi divulgado pelas autoridades.

O homem foi indiciado pela prática dos crimes de homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio qualificada.

"As provas colhidas, incluindo imagens de câmeras de segurança e vestígios de sangue nas roupas do investigado, confirmam a autoria dos crimes", disse o delegado Hugo Santos Fonseca.

O crime aconteceu por volta das 13h30 de sábado (21), após o homem pular o muro do convento. Segundo as investigações, ele foi questionado pela freira sobre o que fazia no local e respondeu que estava ali para trabalhar. Ao notar a desconfiança da vítima, ele a empurrou.

Em depoimento, o suspeito afirmou que, após empurrá-la, a asfixiou porque ela começou a gritar;

Investigado disse que 'ouviu vozes'


No depoimento, o homem disse que havia passado a madrugada usando drogas e álcool e que ouviu vozes mandando matar alguém.

"Embora o investigado tenha admitido parte das agressões durante o interrogatório, alegando ter agido sob o comando de vozes, a perícia técnica refutou as versões que tentavam minimizar a natureza sexual dos atos cometidos", disse o delegado.

Ainda à polícia, ele também relatou que entrou no convento com a intenção de cometer um assassinato, mas negou que pretendesse furtar bens do local. Depois, disse que se afastou do corpo ao perceber que a vítima estava desacordada.

O homem foi localizado em casa após o crime. Ao perceber a chegada da equipe policial, tentou fugir e agrediu os agentes, mas foi contido. Durante a abordagem, admitiu a autoria.

Homem foi solto da prisão dois meses antes do crime


De acordo com a investigação, o investigado foi preso por furto qualificado no dia 28 de dezembro de 2025 e, dois dias depois, colocado em liberdade provisória.

Conforme o delegado Hugo Fonseca, ele tem passagens pela polícia desde 2024 por crimes como roubo, furto e violência doméstica.

Quem é a vítima


Nadia Gavasnki tinha 82 anos e vivia no convento Irmãs Servas de Maria Imaculada. Ingressou na congregação em 1971, aos 27 anos, e dedicou 55 anos à vida religiosa.

Segundo a freira Deonisia Diadio, a irmã era “humilde, confiante e profundamente mariana” — quando é muito devota à Virgem Maria. Após sofrer um AVC, desenvolveu dificuldade na fala, mas seguia ativa na rotina do convento.

Testemunha filmou o suspeito


Uma fotógrafa que registrava um evento no convento foi abordada pelo suspeito logo após a morte da freira. Ela contou à polícia que ele apresentava nervosismo, estava com as roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço. Ele disse a ela que estava trabalhando no local e que encontrou a freira caída.

Desconfiada da versão apresentada por ele, a mulher filmou discretamente a interação e pediu ajuda de outras pessoas que estavam no local para acionar a ambulância e a Polícia Militar. Nesse intervalo, o suspeito fugiu do local.

"Eu sabia que ele não trabalhava ali porque eu tiro fotos nesse local há 9 anos e eu nunca o vi ali", contou a mulher à RPC.

O suspeito fugiu antes da chegada das autoridades, mas foi identificado depois, com base nas filmagens feitas pela testemunha.

A ação da fotógrafa foi fundamental para a identificação do homem, conforme o delegado Hugo Fonseca, responsável pelas investigações.

"A contribuição dela foi importantíssima, justamente para, de pronto, já identificarmos o suspeito. Muitas vezes, nos crimes de homicídio, nós encontramos o corpo, conseguimos identificar o que causou a morte daquela pessoa, só que, muitas vezes, em um primeiro momento, nós não temos elementos de informação capazes de identificar a autoria. Essa testemunha estando lá, conseguiu identificar o autor", detalhou.