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Brasil registra 2.322 acidentes elétricos e 725 mortes em 2025, aponta Abracopel

Queda nos casos de choque elétrico contrasta com alta nos incêndios; crianças e idosos seguem entre as principais vítimas

Por Tribuna Hoje com Abracopel 20/02/2026 11h25
Brasil registra 2.322 acidentes elétricos e 725 mortes em 2025, aponta Abracopel
Os dados são do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, divulgado pela Abracopel - Foto: Fotos: Pedro Sales


O Brasil contabilizou 2.322 acidentes de origem elétrica em 2025, com 725 mortes em todo o país. Os dados são do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, divulgado pela Abracopel, entidade que há 21 anos monitora ocorrências envolvendo choques elétricos, incêndios por sobrecarga e descargas atmosféricas.

O total de registros deste ano é ligeiramente inferior ao de 2024, quando foram contabilizados 2.354 acidentes. A redução foi puxada principalmente pela queda nos casos de choque elétrico. Em 2024, houve 1.077 ocorrências desse tipo, com 759 mortes. Já em 2025, os números caíram para 917 acidentes e 646 óbitos — uma diminuição considerada significativa.

Apesar do avanço, o cenário ainda preocupa, especialmente em relação aos incêndios de origem elétrica. Em 2024, foram 1.186 incêndios, com 50 mortes. Em 2025, o número subiu para 1.304 ocorrências, resultando em 60 vítimas fatais. Ou seja, mais focos de incêndio e mais vidas perdidas.

Os acidentes provocados por descargas atmosféricas também apresentaram aumento no número de ocorrências: passaram de 91 em 2024 para 101 em 2025. Por outro lado, as mortes causadas por raios caíram de 31 para 19 no mesmo período.

Nordeste lidera casos de choque elétrico


A análise regional mostra que o Nordeste continua concentrando o maior número de acidentes por choque elétrico. Em 2024, a região registrou 341 ocorrências, com 268 mortes. Em 2025, os dados recuaram para 316 acidentes e 236 óbitos.

No Sudeste, os registros caíram de 218 acidentes com 141 mortes para 178 acidentes e 126 mortes. O Centro-Oeste passou de 115 ocorrências com 104 vítimas fatais para 112 acidentes e 82 mortes. No Norte, foram 135 acidentes e 101 mortes em 2025, contra 139 acidentes e 112 mortes no ano anterior. Já o Sul reduziu de 224 acidentes com 134 mortes para 176 acidentes e 101 óbitos.

Embora a redução nos choques elétricos seja um indicativo positivo, o avanço dos incêndios acende um alerta. No Nordeste, os casos passaram de 235 para 268, ainda que as mortes tenham caído de 19 para 9. No Norte, houve aumento tanto nas ocorrências (de 148 para 150) quanto nas mortes (de 3 para 15). No Centro-Oeste, os incêndios subiram de 150 para 154, com leve queda no número de vítimas fatais.

As situações mais críticas estão no Sul e, principalmente, no Sudeste. No Sul, os incêndios cresceram de 311 para 329 casos. No Sudeste, o salto foi mais expressivo: de 345 ocorrências em 2024 para 403 em 2025, com aumento das mortes de 8 para 22.

O anuário revela ainda um dado recorrente e alarmante: a maioria das vítimas fatais em incêndios elétricos são crianças com menos de 5 anos e idosos acima de 70. No caso das crianças, a falta de percepção do risco agrava a exposição. Entre os idosos, a dificuldade de mobilidade reduz as chances de escapar em situações de emergência.

Outro fator apontado como determinante para os incêndios é o uso de fios e cabos de baixa qualidade. Segundo levantamento citado pela entidade, grande parte dos produtos comercializados no país apresenta irregularidades, incluindo cabos com quantidade de cobre inferior à indicada — os chamados “desbitolados”. Esse tipo de material, muitas vezes vendido de forma irregular e até com selos falsificados, aumenta o risco de superaquecimento e curto-circuito.

Dados que orientam políticas públicas


Para a Abracopel, o anuário é mais do que um levantamento estatístico: trata-se de uma ferramenta essencial para orientar políticas públicas, campanhas educativas e ações de fiscalização. Sem dados consolidados, argumenta a entidade, é impossível dimensionar o problema e direcionar estratégias eficazes de prevenção.

Apesar da redução nos choques elétricos, o crescimento dos incêndios demonstra que o desafio está longe de ser superado. Os números de 2025 indicam avanços pontuais, mas reforçam a necessidade de ampliar a conscientização, investir em qualidade de materiais elétricos e fortalecer a fiscalização do mercado.

Mais do que estatísticas, os dados representam vidas interrompidas por acidentes que, em grande parte dos casos, poderiam ser evitados com informação, prevenção e responsabilidade.