Brasil
Carnaval de SP: veja como foi 1ª noite de desfile das escolas de samba
Sete escolas de samba agitam o Anhembi neste primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de SP, incluindo campeã e vice de 2025
A primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo deste ano contou com sete escolas, entre elas Rosas de Ouro e Acadêmicos do Tatuapé, campeã e vice, respectivamente, em 2025. Com qualidade técnica indiscutível, o que se viu foi uma disputa equilibrada.

Os desfiles foram marcados pela estreia surpreendente da Mocidade Unida da Mooca, bem como pelas apresentações luxuosas de Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé e Rosas. Vai-Vai empolgou a arquibancada com muito samba e crítica social e a Colorado do Brás soltou as bruxas no Anhembi. Por fim, a Barroca Zona Sul fez a apresentação já com o dia claro.
Durante toda a madrugada, o único problema foi o vazamento de óleo provocado por um carro da Tatuapé, que atrasou em cerca de 40 minutos o desfile da Rosas de Ouro.
Punida com perda de 0,5 ponto antes mesmo de entrar no sambódromo por entregar pastas aos jurados após o prazo limite, a escola da Freguesia do Ó preferiu aguardar a limpeza da pista, escorregadia, antes de dar início à apresentação.
O atraso levou os componentes da Rosas a fazerem um “super-esquenta”, com a bateria e os intérpretes da Rosas trazendo sambas-enredos de carnavais passados, até que o problema na pista fosse resolvido.
Mocidade Unida da Mooca
A Mocidade Unida da Mooca (MUM) fez uma grande estreia no Grupo Especial e levantou o Anhembi ao dar para o público a oportunidade de cantar com força o samba-enredo, com cuíca roncando ao fundo, parada da bateria e punho cerrado dos integrantes, símbolo universal da luta antirracista.
Um tripé simbolizando a criação foi o primeiro dos grandes destaques do desfile, que prestou homenagem ao Geledés, o Instituto da Mulher Negra. Outra alegoria, toda feita em bambu, representando orixás, chamou a atenção. No fim, a escola teve que se apressar para cruzar o portão sem estourar o tempo máximo de desfile, o que pode tirar décimos em Evolução.
Colorado do Brás
A Colorado do Brás assombrou desde o início do desfile ao mostrar a história das bruxas e como mulheres com saberes profundos foram estigmatizadas ao longo do tempo. De cara, 15 homens representaram bruxas na comissão de frente, justamente para fazê-los sentir na pele o que as mulheres sofreram ao longo dos tempos. O ator Taiguara Nazareth estava entre eles, ficando suspenso no ar.
A ala das baianas se destacou entre as demais. Com fantasia encantadora, as integrantes se transformaram em corujas, abrindo as asas, simbolizando sabedoria. Sucesso também fez o carro alegórico com uma convenção de bruxas, trazendo exemplos presentes na cultura pop, como a Bruxa do 71, Cuca e Úrsula.
Dragões da Real
A Dragões da Real fez um desfile em homenagem às lendárias guerreiras icamiabas, que enfrentaram invasores na região do Amazonas ainda no século 16. Uma comissão de frente representando um ritual de fertilidade, com mulheres se banhando e surgindo a partir do lodo, dando origem ao mito.
A escola trouxe no abre-alas o seu símbolo, um dragão soltando fumaça pelas ventas com 12 metros de comprimento e 9 metros de altura. Ele ganhou a companhia de lagartos típicos da região amazônica. De forma geral, a agremiação conseguiu manter elevado o nível de qualidade das alegorias, sempre um dos grandes trunfos do carnavalesco Jorge Freitas, multicampeão dos desfiles em São Paulo.
Acadêmicos do Tatuapé
Quarta escola a entrar na avenida, a Acadêmicos do Tatuapé contou com a parceria do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para mostrar a importância da reforma agrária, contra a concentração de terra nas mãos de poucos. Um enredo de forte crítica social, executado à perfeição na luta da agremiação pelo título escapou nos critérios de desempate em 2025.
A escola trouxe a velha guarda já na primeira ala, logo após a comissão de frente que representou um broto de onde surgiram os homens. O abre-alas chamou a atenção pelo gigantismo, com fauna, flora e o sopro divino, numa representação de deus Tupã. “O lavoura, ê, lavoura” do refrão ecoou com força no Anhembi. No fim, alimentos de verdade apresentados no desfile seriam doados para quem precisa.
Rosas de Ouro
A Rosas de Ouro entrou com tudo para defender seu título no Sambódromo do Anhembi, apesar dos contratempos. Com desfile luxuoso e repleto de cores, tratou da astrologia como sendo ciência e coloriu a avenida com representações que foram da formação do universo até a interpretação das mensagens celestiais pelo ser humano.
O abre-alas foi exemplo de ostentação e imponência. Um carro gigantesco, com 40 metros de comprimento e 15 metros de altura, que foi pintado com “tinta camaleão”, fazendo a alegoria mudar de cor, a depender da incidência de luz. A paleta de cores começou escura, como em um momento antes do Big Bang, e foi clareando até o predomínio do rosa da escola, em um desfile digno de campeã.
Vai-Vai
Vai-Vai entrou no Sambódromo do Anhembi para contar a história de São Bernardo do Campo, no ABC, trazendo à cena também a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, que se instalou na cidade ainda na metade do século passado. A escola veio com carros alegóricos e fantasias menos opulentos que as antecessoras, mas isso não impediu a arquibancada de levantar e cantar junto no amanhecer da zona norte.
Embora sem o mesmo luxo que as demais, não faltou samba no pé dos integrantes da maior vencedora do Carnaval paulistano, que jogou com a tradição e uma letra com importante crítica social, destacando o valor do trabalho e relembrando o direito às greves, parte de São Bernardo como berço do moderno movimento sindical.
Barroca Zona Sul
O sol já raiava no Anhembi quando a Barroca Zona Sul despontou na avenida, pouco antes das 7h. Mesmo sem atrasos, a escola já sabia que entraria no sambódromo com dia claro, por isso optou por brilhantes, além do dourado de Oxum, tema do samba-enredo.
Um dos grandes destaques da escola foi o abre-alas, com 30 mil litros de água, soltando bolhas pelo ar. Oxum mirava um espelho, com detalhes em ouro por todo o carro, simbolizando riqueza e beleza. Quando a Barroca encerrou seu desfile, já quase às 8h, as arquibancadas do Anhembi ainda tinha alguns foliões sambando.
Na noite deste sábado (14/2), mais sete agremiações fecham o Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, com destaque para Gaviões da Fiel e Mocidade Alegre.
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