Brasil

12 de março de 2019 20:53

MP diz que atuação política de Marielle motivou assassinato e não descarta mandante

Presos nesta terça estavam, segundo o MP, no carro de onde partiram os disparos fatais contra Marielle e Anderson Gomes

↑ Vereadora Marielle Franco foi a quinta mais votada das últimas eleições e tinha base na favela da Maré (Foto: Assessoria / Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro)

A atuação política da vereadora Marielle Franco (PSOL) foi o que motivou o assassinato da parlamentar há cerca de um ano, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, que não descarta a possibilidade de haver um mandante para o crime após a prisão nesta terça-feira de dois suspeitos de executarem Marielle e seu motorista Anderson Gomes.

A denúncia do MP à Justiça contra o policial militar reformado Ronnie Lessa e contra o ex-policial militar Élcio Queiroz aponta que Marielle foi morta por defender minorias. Ambos foram denunciados por homicídio duplamente qualificado

“O crime contra Marielle Franco, segundo as investigações nos autorizam a afirmar, teve uma motivação torpe decorrente de uma repulsa de Ronnie Lessa à atuação política de Marielle na defesa de suas causas, como as voltadas para as minorias, mulheres negras, LGBT e outras causas. Isso ficou suficientemente comprovado”, disse a promotora Simone Sibílio.

Os dois presos nesta terça em uma operação conjunta da polícia com o MP do Estado estavam, segundo o MP, no carro de onde partiram os disparos fatais contra Marielle e Anderson Gomes. Lessa e Queiroz foram as peças operacionais da execução, de acordo com os investigadores, que disseram que a segunda fase da apuração foi iniciada nesta terça e busca o mandante do crime.

Os advogados de Lessa e de Queiroz negaram que seus clientes tenham cometido o crime.

A possibilidade de o crime ter sido arquitetado por terceiros ainda não é descartado pelo Ministério Público.

“Essa motivação para o crime é decorrente da atuação política dela na defesa das causas, mas não inviabiliza o possível mando mediante pagamento por promessa de recompensa”, avaliou a promotora.

“É possível que tenha mandante? É possível como é possível que não tenha. Mas nenhuma linha é descartada… os possíveis mandantes serão investigados nos autos desmembrados que estão sob sigilo”, complementou ela.

A operação deflagrada nessa terça-feira precisou ser antecipado por haver a suspeita do vazamento de sua realização programada inicialmente para essa quarta feira.

A promotora disse que Lessa e Queiroz estavam sendo monitorados há meses e tinham uma ligação próxima. Ambos estiveram juntos no Carnaval hospedados em uma casa de luxo na cidade de Angra dos Reis, no sul do Estado.

Na operação de busca e apreensão realizada nesta terça, um arsenal de armas que, segundo o MP tem relação com Lessa, foi apreendido. Na casa do PM reformado foram encontradas armas. Para o Ministério Público, esses fatos mostram que Lessa “não é uma pessoa de paz”.

Lessa mora no mesmo condomínio do presidente Jair Bolsonaro. Investigadores dizem não ter motivo para achar que a família Bolsonaro tem relação com o crime.

O delegado Giniton Lages, que comanda a investigação sobre o assassinato de Marielle, disse que um dos filhos de Bolsonaro namorou uma filha de Lessa. Ele não disse qual filho nem quando o namoro aconteceu.

A Presidência da República não respondeu imediatamente a pedidos de comentários sobre esse relacionamento.

O MP do Rio acrescentou outros citados ao longo das investigações, como o vereador Marcelo Siciliano e o ex PM , Orlando de Curicica, continuarão sendo investigados “ Nenhuma linha se descartou por que se trabalhou também com a possibilidade de a ordem ter partido do escritório do crime ou da milícia”, finalizou.

Fonte: Reuters

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