Saúde

Por que dieta e exercício nem sempre funcionam? Entenda os obstáculos invisíveis do emagrecimento

Fatores como genética, hormônios e qualidade do sono impactam diretamente na resposta do corpo às estratégias tradicionais

Por Assessoria 04/05/2026 14h36
Por que dieta e exercício nem sempre funcionam? Entenda os obstáculos invisíveis do emagrecimento
Médico Caio Galvão - Foto: Assessoria

Apesar de amplamente difundida, a ideia de que basta “comer menos e se exercitar mais” para emagrecer tem sido cada vez mais questionada já que fatores hormonais, metabólicos e comportamentais podem interferir diretamente na perda de peso.

De acordo com o médico Caio Galvão, o emagrecimento é muito mais do que uma simples equação de calorias. “O corpo humano é muito mais complexo, existem fatores como os hormônios, o metabolismo e a genética que influenciam como o corpo reage à alimentação e ao exercício. A disciplina com dieta e exercício físico é fundamental no processo de emagrecimento, mas entender o corpo e traçar um plano terapêutico individualizado é essencial para o sucesso do tratamento”, explica.

Existem vários obstáculos invisíveis que muitas vezes dificultam o emagrecimento. Hormônios como estrogênio, testosterona e insulina exercem papel central na regulação do metabolismo, influenciando não apenas o acúmulo de gordura, mas também aspectos como energia, humor e ganho de massa muscular. Alterações nesses níveis podem dificultar significativamente o processo de emagrecimento, especialmente em fases como menopausa ou em quadros de baixa testosterona.

“Quando o corpo não consegue usar adequadamente a glicose, acaba armazenando mais gordura, principalmente na região abdominal. Além disso, hormônios como cortisol, estradiol e testosterona podem interferir diretamente na nossa capacidade de perder peso. Qualidade do sono também entra aqui, já que dormir pouco pode alterar hormônios que controlam a fome e saciedade, enquanto o estresse aumenta os níveis de cortisol, que favorece o acúmulo de gordura abdominal. Além disso, também devem ser avaliados os níveis inflamatórios”, salienta o médico.

É importante lembrar que os hormônios são reguladores do peso corporal. Insulina, leptina, grelina, estradiol e testosterona controlam o metabolismo, a queima de gordura e a sensação de fome. Quando esses hormônios estão desequilibrados, pode ser muito mais difícil emagrecer.

“Quando temos resistência à insulina, o corpo não consegue usar a gordura como fonte de energia, favorecendo o acúmulo, especialmente na região abdominal. Mulheres na menopausa, com a queda de estradiol, tendem a acumular mais gordura na barriga. Para identificar um desequilíbrio hormonal, o ideal é fazer exames específicos e ajustar o tratamento medico de acordo com os sintomas clínicos”, aponta Caio Galvão.

O médico ainda conta que existem fases da vida que a perda de peso se torna mais desafiadora. “A principal delas é a menopausa, para as mulheres. Outra fase importante é o envelhecimento, pois, com o passar dos anos, a massa muscular diminui naturalmente, o que desacelera o metabolismo e torna o emagrecimento mais difícil. Além disso, a síndrome dos ovários policísticos (SOP), que afeta muitas mulheres jovens, altera o equilíbrio hormonal e dificulta a perda de peso”, destaca.

Outro fator determinante é o metabolismo basal, responsável por cerca de 70% do gasto energético diário. Estratégias como a musculação ganham protagonismo nesse cenário, já que o aumento da massa muscular contribui diretamente para acelerar o metabolismo e melhorar os resultados. É importante frisar também que dietas muito restritivas podem até levar a uma perda de peso inicial, mas geralmente são insustentáveis e podem prejudicar o metabolismo a longo prazo.

Fatores como genética, microbiota intestinal, qualidade do sono, níveis de estresse e histórico de saúde impactam diretamente a resposta do corpo às estratégias tradicionais de emagrecimento. Além disso, o estresse crônico e noites mal dormidas podem alterar hormônios ligados ao apetite, aumentando a vontade por alimentos calóricos.

“A genética realmente desempenha um papel importante no emagrecimento. Alguns genes podem predispor o corpo a armazenar mais gordura, especialmente na região abdominal, ou a ter um metabolismo mais lento. Isso não significa que a genética determine o resultado, mas ela pode limitar o ritmo da perda de peso ou a facilidade com que o corpo queima gordura. No entanto, embora a genética influencie, há sempre algo que podemos fazer para melhorar a resposta do nosso corpo, como dieta personalizada, exercício físico e ajustes hormonais, se necessário”, pontua Caio Galvão.

Uma abordagem individualizada aliada a uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e acompanhamento profissional aumentam as chances de sucesso e conquista do emagrecimento saudável.

“O primeiro passo é procurar ajuda especializada, para identificar o que está bloqueando a perda de peso, realizar exames necessários e criar um tratamento individualizado. Cada corpo responde de um jeito e entender o que está acontecendo internamente é essencial para encontrar a solução certa”, finaliza o especialista.