Saúde
Mais de 600 pessoas estão à espera de um órgão em Alagoas
Dos 613 na fila para transplante, 564 aguardam córneas, enquanto o restante ansia por novos rins e fígados
Em Alagoas, um total de 613 pessoas está na fila de transplantes, dos quais 564 pessoas aguardam transplantes de córneas, 36 esperam um rim e 13 estão na esperança de receber um fígado.
Atualmente, a fila para receber coração está zerada. Os dados são da Central de Transplantes do Estado, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
Desde o início deste ano, 14 transplantes foram realizados, dos quais 11 de córnea, dois de fígado e um de rim. No ano passado, foram realizados 171 transplantes, sendo 115 de córneas, 29 de rim, 20 de fígado e sete de coração.
Fila de espera – As pessoas que esperam pela córnea aguardam, em média, 15 meses na fila. A esperança de recebe um fígado soma 10 meses, aproximadamente. Ter a vida ligada a um fio de esperança de receber um rim pode custar longos 82 meses ou praticamente sete anos.
Para que um transplante seja realizado, a Central de Transplantes explicou que o primeiro passo é obter a autorização dos familiares para a doação de órgãos. Em seguida, é necessário que haja a compatibilidade entre o órgão doado e os pacientes receptores.
O índice de famílias alagoanas que não autorizaram a doação de órgãos dos parentes que estavam em morte cerebral gira em torno de 50%, conforme apontam dados da Central de Transplante de Alagoas.
A coordenadora da Central de Transplante de Alagoas, Daniela Ramos, explicou que boa parte da taxa de recusa ocorre por motivos e tabus sociais e da falta de conscientização sobre a morte encefálica, que é um processo irreversível. Ela contou que a recusa acontece pelo desconhecimento da causa e da vontade do doador ainda em vida.
Validade
Quando a família autoriza a doação, é dada a largada para um processo que necessita da agilidade dos profissionais. Quando os órgãos são captados, é preciso correr contra o tempo para que cheguem ao receptor. Isso porque, cada órgão tem um tempo de validade. O coração, por exemplo, tem quatro horas, o fígado oito horas, os rins 24 horas e a córnea dura um pouco mais, 15 dias.

Vontade documentada em cartório
Pela legislação vigente, quem autoriza a doação em caso de morte encefálica é a família do cidadão, que precisava estar ciente da intenção da pessoa em doar seus órgãos e/ou tecidos.
No entanto, desde abril de 2024, no passado, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e os cartórios lançaram a campanha “Um Só Coração: Seja Vida na Vida de Alguém”. Desde então, em Alagoas, 94 pessoas manifestaram, em cartório, a vontade de doar órgãos depois de falecidas.
A iniciativa também marca a regulamentação do sistema de Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). Desde então, doar órgãos está mais fácil, rápido e seguro.
Quem desejar doar seus órgãos poderá manifestar e formalizar a sua vontade por meio de um documento oficial, feito digitalmente em qualquer um dos 8.344 cartórios de notas do Brasil. Em Alagoas, existem 106 cartórios de notas.
Esperança
No povoado de Tuquanduba, no município de Marechal Deodoro, no litoral Sul alagoano, reside a nova vida de Jackson Filipe da Silva Santos, 34 anos. Servidor público estadual, o rapaz recebeu um fígado no dia 29 de agosto de 2024.
A doação do órgão chegou depois de cinco anos tratando uma hepatite autoimune. O diagnóstico da doença veio como um choque, depois de 23 dias de internação.
“Quem precisa de um órgão para continuar vivendo já passa a conhecer um sentimento de gratidão pelo doador antes mesmo de a doação se concretizar. É um gesto nobre. No pior momento de dor para a família, doar um órgão do seu parente tão amado que se foi é dar uma oportunidade para outra pessoa seguir a vida. Realizar sonhos”, desabafou.
Na avaliação de Jackson Filipe, a sociedade precisa falar mais sobre doação de órgãos. “Peço as pessoas que se tornem doadoras de órgãos, salvem vidas! Não deixa a vida do próximo parar”, rogou o jovem rapaz.
Ele tratou uma hepatite autoimune durante cinco anos. O diagnóstico veio como um choque. “Até então, naquele momento eu desconhecia sobre o assunto. Nunca tinha ouvido falar. E claro, eu tinha esperança de ficar curado. Foram 23 dias de internação até eu receber o diagnóstico completo”, recordou o paciente que fez acompanhamento com hepatologista no Hospital Universitário.
Segundo Jackson Filipe, em maio de 2024, ao realizar alguns exames de rotina foi, mais uma vez, surpreendido pela doença que evoluiu para um quadro de ascite [acúmulo de líquido dentro do abdômen geralmente decorrente do quadro de hipertensão podendo ou não estar relacionado à cirrose hepática, além de outras doenças cardíacas ou renais], junto com cirrose hepática.
“Desde aquele momento, os médicos me falaram sobre a possibilidade de fazer o transplante de fígado. No entanto, a doença foi controlada com as medicações. Porém, ao refazer os exames, não teve outro jeito, passei a integrar a fila do transplante”, lembrou, emocionado.
Segundo ele, quem precisa de um órgão para continuar vivendo já passa a conhecer um sentimento de gratidão pelo doador antes mesmo de a doação se concretizar. É um gesto nobre. No pior momento de dor para a família, doar um órgão do seu parente tão amado que se foi é dar uma oportunidade para outra pessoa seguir a vida. Realizar sonhos.
Na avaliação de Jackson Filipe, a sociedade precisa falar mais sobre o assunto para não julgar, não associar cirrose hepática ao alcoolismo. “Sabemos que esse é um fator importante que contribuí com o desencadeamento da doença. Mas, no meu caso, nunca bebi, nunca fumei e desenvolvi a doença. Peço as pessoas que se tornem doadoras de órgãos, salvem vidas! Não deixa a vida do próximo parar”, rogou o jovem rapaz.
AEDO
Desenvolvida pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), entidade que reúne os cartórios de notas de todo o país, e regulamentada pelo Provimento n° 164/2024 da Corregedoria Nacional de Justiça.
Para realizar a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, o interessado preenche um formulário diretamente no site www.aedo.org.br. O documento é recepcionado pelo cartório de notas selecionado. Em seguida, o tabelião agenda uma videoconferência para identificar o interessado e coletar a sua manifestação de vontade. O formulário também pode ser preenchido no aplicativo e-notariado.
Por fim, o solicitante e o notário assinam digitalmente a AEDO. A plataforma está acessível 24 horas por dia, sete dias por semana, de qualquer dispositivo com acesso à internet.
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