Política
Prefeito e vice de Boca da Mata são denunciados por suspeita de racismo e perseguição política
Instituto do Negro de Alagoas levou o caso ao TRE-AL e apontou possível prática de blackface e demissão de servidores por posicionamento político; prefeito nega irregularidades
O prefeito de Boca da Mata, Bruno Feijó (PP), e o vice-prefeito, Sérgio Salvador (União Brasil), foram denunciados pelo Instituto do Negro de Alagoas (INEG-AL) por suspeitas de racismo, perseguição política e demissões motivadas por divergências eleitorais. A representação foi protocolada na Ouvidoria da Igualdade Racial do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), na quinta-feira (29).
Segundo o instituto, os fatos teriam ocorrido durante uma manifestação realizada na segunda-feira (26), em apoio à família Bolsonaro, com a participação dos gestores municipais e de integrantes do grupo denominado "Direita de BM".
Na denúncia, o INEG-AL aponta que participantes teriam pintado o rosto com tinta preta, em uma prática associada ao blackface, e realizado uma encenação envolvendo um homem negro com uma camisa estampada com o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nas imagens que circularam nas redes sociais, ele aparece segurando uma pá e sendo conduzido por homens brancos, enquanto um deles balança um ramo de capim.
Para o instituto, a representação reforça estereótipos racistas e desrespeita a população negra.
A entidade também relatou possíveis demissões de três pessoas que teriam manifestado apoio à candidatura de Lula. As dispensas, conforme a denúncia, teriam ocorrido na terça-feira (27), um dia depois da manifestação.
Investigação
Após receber a representação, o TRE-AL encaminhou o caso ao Ministério Público de Alagoas (MPAL), ao Ministério Público do Trabalho (MPT-AL) e ao Ministério Público Federal (MPF-AL).

O Ministério Público Estadual informou que está apurando a situação. Até o momento, não foram divulgadas conclusões sobre as denúncias.
O que diz o prefeito
Em manifestação publicada nas redes sociais na quinta-feira (29), Bruno Feijó rejeitou as acusações e afirmou que não houve prática de racismo ou demissão de funcionários por questões políticas.
O prefeito explicou que a atividade aconteceu durante o feriado municipal do Dia do Servidor Público, quando não havia expediente nos órgãos da administração. Segundo ele, o encontro foi uma confraternização com moradores da cidade.
Sobre a pintura dos rostos, Bruno Feijó afirmou que a prática fazia referência ao tradicional "mela-mela" do Carnaval de Boca da Mata, manifestação cultural em que os foliões utilizam melaço para cobrir o corpo e o rosto.
O gestor também negou que a encenação tenha reproduzido estereótipos raciais ou apresentado intenção discriminatória. Na nota, classificou a denúncia como uma interpretação que desconsidera o contexto da manifestação.
O prefeito sustentou ainda que não houve perseguição política nem desligamento de servidores em razão de posicionamentos eleitorais.

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