Política

Paulão acusa Flávio Bolsonaro de fugir do Brasil para evitar responsabilização judicial

Deputado alagoano criticou saída do senador após ordem do STF que o proibia de deixar o país; parlamentar é investigado em dois inquéritos por suspeitas de irregularidades

Por Thayanne Magalhães 28/10/2026 09h55
Paulão acusa Flávio Bolsonaro de fugir do Brasil para evitar responsabilização judicial
Deputado federal Paulão - Foto: Divulgação

O deputado federal Paulão (PT-AL) criticou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e afirmou que ele deixou o país para evitar responder às investigações criminais em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante discurso na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (28), após a confirmação de que o senador havia cruzado a fronteira com a Argentina e seguido em um avião particular para o Equador.

A manifestação ocorreu em meio à repercussão da viagem, realizada depois de o ministro Alexandre de Moraes determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e proibi-lo de deixar o território nacional. O senador não apresentou os documentos dentro do prazo estabelecido, e a PF confirmou o cancelamento dos passaportes.

Durante o pronunciamento, Paulão questionou o paradeiro do senador e utilizou o episódio para criticar a postura política da família Bolsonaro. O deputado também estabeleceu um contraste com a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que enfrentou processos judiciais antes de retornar à Presidência da República.

Viagem ocorreu após ordem do Supremo


A decisão de Alexandre de Moraes foi divulgada na segunda-feira (26), quando Flávio afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que cumpriria a determinação judicial e permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula.

Na terça-feira (27), entretanto, a Polícia Federal informou que o prazo para a entrega dos documentos havia terminado sem cumprimento da ordem. Naquele momento, o paradeiro do senador ainda era desconhecido publicamente.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou posteriormente que Flávio, sua mulher e as duas filhas entraram no país pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, às 22h50 de terça-feira. Às 23h30, segundo o órgão argentino, a família embarcou em uma aeronave particular com destino a Guayaquil, no Equador.

No mesmo período, uma autoridade do Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que o governo americano emitiria vistos para o senador e seus familiares, permitindo que solicitassem entrada no país. A emissão dos vistos não significa, por si só, concessão de asilo político.

Duas investigações no STF


Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a operações financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz e uma empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. O senador nega irregularidades.

O outro procedimento investiga pagamentos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração busca esclarecer as circunstâncias dos recursos destinados ao projeto. Flávio também nega ter cometido irregularidades.

A ordem de entrega dos passaportes foi determinada no contexto da investigação envolvendo Willer Tomaz. As suspeitas investigadas não constituem, por si só, prova de culpa, e não há condenação criminal decorrente desses dois inquéritos mencionados.

A saída do país, apesar da proibição judicial, acrescenta um novo elemento à situação do senador e pode levar as autoridades a avaliar as consequências do descumprimento da determinação. As investigações continuam em andamento no STF.

Para Paulão, o episódio representa motivo de crítica política à família Bolsonaro. A repercussão da viagem também envolve questionamentos sobre a coerência entre a declaração de que permaneceria no Brasil e a decisão de deixar o território nacional após a ordem judicial.