Política

Paulão discute acomodações de aliados

Deputado federal e Renan Calheiros são aliados históricos do presidente e ficaram sem mandatos após eleições gerais deste ano

Por Emanuelle Vanderlei - repórter / Tribuna Independente 28/10/2026 09h21
Paulão discute acomodações de aliados
Deputado federal com mandato até o fim do ano, Paulão lembrou que parlamentares que indicaram cargos no governo apoiaram adversário - Foto: Edilson Omena

Com a reeleição do presidente Lula (PT) no último domingo (25), surge a expectativa de reorganizar o cenário e acomodar aliados que não foram eleitos pelo país.

Nacionalmente, o debate já está na mesa. Em Alagoas, duas situações devem ser impactadas. A primeira é a possibilidade de acomodação de nomes importantes como o deputado federal Paulão (PT) e o senador Renan Calheiros (MDB), que não conseguiram ser reeleitos. Outra situação são as indicações de comandos e cargos comissionados dos órgãos federais em Alagoas, que abertamente fizeram campanha para a oposição.

Em Brasília, Paulão participou nos últimos dias de reunião da bancada, e segundo ele o assunto vem sendo abordado.

“Há uma discussão de que as pessoas que participaram do projeto de senado, governador ou federal e que perderam, há a um apelo ao presidente do partido [dos trabalhadores], o Edinho, no sentido de aproveitar. Mas isso é uma discussão que eu não tenho governabilidade, porque o ato de nomear pertence ao presidente Lula”, disse o parlamentar em contato com a reportagem da Tribuna Independente.

Mesmo com o destino incerto em 2027, Paulão demonstra lealdade ao partido.

“Sou um soldado da caminhada. O fato de ter cargo não impede de eu ter caminhada política, entendeu? Desde dezesseis anos que tenho essa caminhada nesse processo. Eu tinha um cargo federal que não foi renovado, aí a gente tem um novo cenário. Poderemos participar ou não do governo? Depende somente do presidente Lula”. Paulão reforça que não se trata da sua situação individualmente. “Não no meu caso, em todos os casos, a exemplo da Benedita [PT/RJ], que foi candidata”.

Paulão defende que isso seja ponderado. “Tudo isso tem que ser pensado, até porque a gente tinha um governo onde partido da base do centrão, exemplo União Brasil tinha três cargos, três ministérios, que é o Partido do Marx Beltrão. Tinha três ministérios e votava contra o governo. Eu perguntei se esse cenário vai continuar? Eu acredito que tem que ter uma mudança de postura em relação aos partidos que eram base do governo. Até o PP, todos eles tinham ministério e votavam contra a gente”.

Em nome da governabilidade, para contar com o apoio do congresso, o governo fez esse aceno aos partidos do Centrão. Além de espaços em Brasília, como a Esplanada dos Ministérios, o Governo Federal deve dispor de órgãos federais pelos estados.

Paulão lembra que as alianças feitas no atual mandato de Lula não foram vantajosas. Nomes como Arthur Lira (PP) e Marx Beltrão (UB) que estavam no Governo Federal e indicaram o comando e muitos comissionados de órgãos como CBTU, Codevasf, SPU e Dnocs, fizeram oposição.

“Essa governabilidade vai continuar nesse método? Na discussão, todo mundo está realmente preocupado com isso. Que tem que ter lealdade do partido que entra no Governo, ele tem que ter lealdade na votação. Tinha ministério, ministério poderosíssimo, e o cara gerenciou, elegeu prefeito, ajudou a eleger vereadores, agora na campanha com o orçamento e tudo isso tem que ser discutido. Então a gente espera que ocorra, tenha efetividade, vamos aguardar”.

Nacionalmente nomes com destaque no governo e na eleição deste ano ficaram sem mandato. É o caso das ministras Simone Tebet, Marina Silva, Gleisi Hoffmann, Carlos Fávaro, Paulo Pimenta e Paulo Teixeira.