Política

Desembargador Márcio Roberto decide permanecer no TJAL após anunciar aposentadoria

Magistrado havia comunicado saída da Corte em manifesto público, com críticas ao ambiente institucional, mas afirma que apoio recebido e compromisso com a magistratura motivaram a permanência

Por Thayanne Magalhães 05/01/2026 07h13
Desembargador Márcio Roberto decide permanecer no TJAL após anunciar aposentadoria
Desembargador Márcio Roberto decide permanecer no TJAL após anunciar aposentadoria - Foto: Assessoria

O desembargador Márcio Roberto Tenório de Albuquerque decidiu permanecer no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) poucos dias após anunciar, publicamente, que havia requerido aposentadoria do cargo. A mudança de posição foi comunicada no sábado (3), por meio de suas redes sociais, onde o magistrado afirmou que seguirá no exercício da função por compromisso institucional e respeito à magistratura.

A aposentadoria havia sido anunciada no início de janeiro, também por meio de publicação pessoal, acompanhada de um manifesto intitulado “Altivez institucional e urbanidade recíproca: um manifesto de independência e simetria”. No texto, o desembargador fez reflexões críticas sobre o ambiente interno do Judiciário, sem mencionar episódios específicos ou nomes, mas destacando a necessidade de respeito mútuo e de preservação da dignidade funcional.

“Minha decisão não nasce de cansaço, tampouco de desalento com a jurisdição. Ao contrário: continuo vocacionado, produtivo e comprometido com o serviço público”, escreveu o magistrado no manifesto.

Na ocasião, Márcio Roberto ressaltou que seu gabinete figurou entre os mais produtivos do TJAL ao longo de 2025, mesmo diante de limitações estruturais, e enfatizou que sua eventual saída não teria motivação financeira.

“A aposentadoria não me traria qualquer ganho material relevante. Trata-se de uma decisão de natureza ética e institucional”, afirmou no texto.

Dias depois, contudo, o desembargador anunciou a reversão da decisão. Em nova manifestação pública, ele explicou que o apoio recebido de familiares, colegas de magistratura, membros do sistema de Justiça e cidadãos foi determinante para a permanência no cargo.

“Continuar é, neste momento, um gesto de responsabilidade institucional. Permanecer não é recuar, mas reafirmar o compromisso com a jurisdição, com a legalidade e com a população que depende do Judiciário”, declarou.

Ainda segundo o magistrado, a decisão representa a escolha por seguir contribuindo com o fortalecimento do Poder Judiciário e com a defesa de um modelo de Justiça que seja acessível, ética e humanizada.

Márcio Roberto integra o Tribunal de Justiça de Alagoas como desembargador desde sua nomeação pelo Quinto Constitucional, após trajetória no Ministério Público de Alagoas, onde exerceu, entre outras funções, o cargo de procurador-geral de Justiça. No TJAL, atua em órgãos colegiados e participa de atividades institucionais e administrativas da Corte.

Até o momento, o Tribunal de Justiça de Alagoas não divulgou nota oficial sobre o episódio. A permanência do magistrado mantém inalterada a composição do Pleno e garante a continuidade dos trabalhos jurisdicionais normalmente.