Política

Braskem vai negociar com credores em 2026

Objetivo é evitar calote; além dos US$ 140 milhões em juros de títulos de dívida externa da empresa, há passivo ambiental

Por Ricardo Rodrigues - repórter / Tribuna Independente 31/12/2025 07h18 - Atualizado em 31/12/2025 15h36
Braskem vai negociar com credores em 2026
Novos gestores possuemm informações sobre os prejuízos provocados pelo afundamento do solo em Maceió, que atingiu pelo menos 5 bairros - Foto: Edilson Omena / Arquivo

Com a transferência do controle da Braskem para a IG4 Capital em andamento, a petroquímica trabalha para evitar um calote de cerca de US$ 140 milhões relativos a juros de títulos de dívida emitidos pela companhia no exterior (bonds).

Além disso, a empresa da Novonor (ex-Odebrecht) prepara um levantamento sobre o passivo ambiental, para entregar aos novos gestores, com informações acerca dos prejuízos provocados pelo afundamento do solo em Maceió.

Essa e outras demandas estarão na mesa de negociações com os novos parceiros em 2026. As duas empresas deverão iniciar conversas no começo de janeiro com um grupo ‘ad hoc’ de bondholders, comitê de negociação que está sendo estruturado.

O primeiro vencimento ocorre em 10 de janeiro; se não for pago, a Braskem ficará inadimplente e terá 30 dias para quitar o valor, sob risco de aceleração de todas as dívidas. O endividamento bruto da empresa soma US$ 8,4 bilhões, com prazo médio de nove anos.

O dilema é usar caixa num momento de transição financeira ou dar o calote e entrar em um ambiente mais tenso, com pouco tempo para organizar a prevista reestruturação. Até agora, a decisão de não pagamento, cogitada em novembro, não foi tomada, disse fonte à reportagem do jornal O Estado de São Paulo.

O assunto foi tema de uma reportagem no jornal paulista, publicada no começo dessa semana. De acordo com o Estadão, parte relevante dos credores já considera o calote praticamente certo, diante da liquidez apertada da companhia e da ausência de diálogo mais promissor com a IG4, contratada pelos bancos credores da Novonor para assumir a participação, mas que só deve atuar na petroquímica após a conclusão da transferência das ações e a aprovação do acordo de acionistas com a Petrobras, segunda maior acionista Braskem.

DÚVIDAS

“Neste primeiro momento, as conversas com esses credores devem ser conduzidas pela Lazard, assessoria financeira, e pelos escritórios E. Munhoz e Cleary Gottlieb, assessores jurídicos. Pelo desenho já acertado com a Petrobras, a IG4 Capital cuidará da gestão financeira da Braskem e da reestruturação de seu passivo e de sua estrutura de capital. Muitos credores ainda têm dúvidas sobre como o processo será conduzido a partir de janeiro”, destacou o jornal paulista.

A Coluna Boardcart do Estadão apurou ainda que alguns bondholders (detentores de títulos) esperam que a Braskem não pague os juros de janeiro, mas entendem que acelerar as dívidas não faria sentido, já que a intenção da IG4 é transformar a petroquímica.

Procurada, tanto pela reportagem do Estadão como pelo jornal Tribuna Independente, a petroquímica não quis se manifestar, nem confirmou e nem desmentiu a notícia.